Amaro Antunes é por estes dias o chefe de fila da CCC Sprandi Polkowice, equipa polaca do escalão profissional continental que apostou no ciclista algarvio na sequência dos muitos êxitos e bons resultados que alcançou em 2017 - e que lhe valeram, aliás, a conquista do 1.º lugar do ranking nacional..Apesar de ter alguns convites de formações do World Tour - divisão de elite do ciclismo mundial - o certo é que o português preferiu "dar um passo de cada vez", optando nesta sua aventura no estrangeiro pelo conjunto que, no seu entender, lhe dá "mais condições de adaptação e afirmação no grande pelotão".."Se saísse já para uma equipa do World Tour podia não ser benéfico, até porque teria, certamente, responsabilidades diferentes, como as de trabalhar para dois ou três líderes fortes", explica ao DN o ex-corredor da W52-FC Porto, segundo classificado na última Volta a Portugal.."Sou ambicioso e nesta fase da minha carreira preferi optar por um projeto em que me seja concedida liberdade para discutir corridas. Fui contratado para isso, a equipa aposta em mim, e o calendário, rico e competitivo, vai ao encontro das minhas caraterísticas", assinala Amaro Antunes, desejoso por se testar nas "provas de nível" em que a Sprandi Polkowice vai participar, nomeadamente a Volta à Comunidade Valenciana na qual já está a rolar desde a última quarta-feira, ou as Voltas à Andaluzia, Suíça e Polónia e as muitas clássicas da temporada, sobretudo em Itália..Na prova valenciana, o ciclista luso, de 26 anos, quer "testar a forma física", depois de muitos treinos nas retas e montanhas algarvias.."Gosto de entrar com o pé direito e quero atingir os valores do ano passado, embora, nesta altura, seja uma incógnita saber como as pernas respondem ao esforço. Importa é fugir dos azares", destaca, aludindo também aos dez dias de estágio que passou com a sua nova equipa, durante os quais foi feito o reconhecimento de algumas etapas da Valenciana. "É uma forma de enriquecer o grupo e de haver mais sincronização entre todos. A equipa é humilde, muito jovem, mas bastante homogénea e com vontade férrea de obter resultados", revela..Para já, Amaro tem deixado boas indicações, estando às portas do top 10 da geral (11.º) liderada pelo veterano Alejandro Valverde, ao fim das duas primeiras etapas..Desiludido com a Algarvia.Amaro Antunes foi 5.º classificado na última Volta ao Algarve, vencendo uma etapa - no Alto do Malhão -, algo que um ciclista português não conseguia desde 2011 na prova mais importante do calendário internacional que se realiza em Portugal. Sendo natural de Vila Real de Santo António, é com um lamento profundo que desta feita não participará na Algarvia, que decorre entre 14 e 18 de fevereiro.."Fiquei desiludido com a seleção de equipas que fizeram, mas pronto, tenho de assimilar a escolha, respeitar a decisão e centrar-me em outras corridas. Mas foi um choque, confesso, porque ambicionava participar numa prova que me diz muito, que é perto de minha casa e onde estão as pessoas que mais gostam de mim", reclama, lamentando que, desta feita, as estradas das subidas para a Foia e para o Alto do Malhão não tenham o seu nome pintado no asfalto.."Só desejo que um outro português consiga triunfar numa etapa", sustenta, lembrando que começou precisamente na edição de 2017 da Algarvia a melhor época da sua carreira, e que prosseguiu, depois, pela Arrábida, Grande Prémio Joaquim Agostinho e serra da Estrela, outros locais onde Amaro Antunes atingiu o primeiro plano. "Os resultados mostraram do que sou capaz, é verdade, mas também é bom que se diga que representava uma equipa poderosa e de enorme qualidade, o que fez toda a diferença.".A propósito da hegemonia do FC Porto no ciclismo português, e confrontado com a ideia de não ter ganho a Volta a Portugal por ter de respeitar a hierarquia na equipa, Amaro Antunes reage com diplomacia. "Isso são coisas que se dizem. No papel fui 2.º e o Raul [Alarcon] um justo vencedor. A vitória ficou na equipa, que era o desejo de todos e o objetivo de um ano inteiro. Sei dividir as coisas e reconheço que a equipa também me ajudou quando precisei.".Na Volta a Portugal ficaram devidamente assinaladas algumas farpas lançadas por Rinaldo Nocentini, o ciclista rival do Sporting-Tavira, que chegou a acusar Amaro Antunes de lhe ter barrado o caminho em algumas discussões de etapas. Mais uma vez o algarvio desvaloriza e diz que "são coisas do momento, dos nervos e da agitação da corrida em si", garantindo: "Nunca dei importância a isso.".Considerado por muitos como o melhor ciclista português da atualidade, Amaro Antunes reconhece que isso o "enche de orgulho e satisfação", mas não se deixa "envaidecer por isso". "Outros não terão essa opinião e a mim cabe-me trabalhar arduamente para mostrar os resultados na estrada", acrescenta, admitindo, no entanto, que é algo que "dá ainda mais motivação para ir à procura de vitórias". Agora, essa luta faz--se com as cores da Sprandi Polkowice. E já em Valência.