ABC confirma Carlos Resende no Benfica

O presidente do ABC/UMinho, João Luís Nogueira, revelou que Jorge Rito será o próximo treinador de andebol do clube e que Carlos Resende está de saída para o Benfica.

É o regresso de Jorge Rito ao comando de um clube que conhece bem, já que foi seu treinador adjunto e, depois, técnico principal.

À margem de uma homenagem na Câmara Municipal de Braga à equipa que, no domingo, conquistou a 12.ª Taça de Portugal, diante do Sporting (35-33, após prolongamento), João Luís Nogueira confirmou ainda que Carlos Resende deverá assumir a orientação da equipa do Benfica.

"Fizemos-lhe uma proposta [para ele continuar], é evidente que o Carlos não fala na proposta que tem do Benfica, mas temos consciência que já lhe fizemos uma proposta acima das nossas posses, porque sabemos que era o comandante ideal para a nossa 'navegação'. Ele até nem acreditava que a pudéssemos cumprir, mas era para tentar dissuadi-lo do Benfica", disse.

O líder dos academistas considera que o convite dos 'encarnados' "é irrecusável" - "ele nunca ganhou tanto dinheiro no andebol como vai ganhar no próximo ano" - e que um treinador "com a personalidade e o caráter do Carlos Resende merece um clube grande, até um clube europeu e tem nível para isso".

"Foi o melhor jogador de andebol português, tem estatuto, esteve cinco anos no ABC e provou a sua competência. Ele que ganhe a toda a gente, menos ao ABC", disse.

Questionado pelos jornalistas, Carlos Resende nunca referiu o nome do clube da Luz, mas deixou implícita a sua saída.

"Independentemente do que seja o meu futuro, é o futuro do ABC que é importante, porque é uma coletividade muito importante no desporto nacional e a nível social, o futuro de qualquer técnico ou atleta que o represente é sempre mais reduzido. O ABC sempre foi uma equipa simpática para mim, representei-a como técnico e atleta, e tenho sempre um carinho muito especial pelo clube", disse.

Carlos Resende sai satisfeito de Braga, embora "nunca se ganha tudo o que se quer ganhar".

"Mas foi importante o que vencemos, seria importante se tivéssemos tido a arte e o engenho de ganhar mais, mas o ABC tem as bases necessárias para continuar a vencer", disse.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)