Kimi Antonelli festeja a vitória no Mónaco.
Kimi Antonelli festeja a vitória no Mónaco.X

GP atribulado em Monte Carlo: Asfalto quebra, Leclerc bate no muro e Kimi Antonelli faz história

O miúdo-prodígio da Mercedes sobreviveu a uma interrupção por bandeira vermelha devido à degradação da pista e carimbou o quinto triunfo seguido num domingo marcado por incidentes.
Publicado a
Atualizado a

O Grande Prémio de Fórmula 1 do Mónaco de 2026 entrará diretamente para os livros de história como uma das edições mais exigentes, tensas e imprevisíveis de sempre. Num domingo (7 de junho) marcado por asfalto a desfazer-se na pista, acidentes e uma sucessão de penalizações nunca vista por parte dos comissários da FIA, o jovem italiano Andrea Kimi Antonelli (Mercedes) resistiu a todas as contrariedades para vencer a sua quinta corrida na temporada.

O piloto cortou a linha de meta com uma vantagem de 6,271 segundos sobre Lewis Hamilton, estendendo a sua liderança no campeonato mundial para uns impressionantes 68 pontos sobre o colega de equipa, o britânico George Russell.

Com este triunfo, o piloto de apenas 19 anos igualou a histórica marca de Lewis Hamilton de cinco vitórias consecutivas pela escuderia de Brackley, deixando claro que a nova era da Mercedes está sob o seu domínio. Além disso, tornou-se no mais jovem piloto a vencer a mítica prova de Fórmula 1, no principado do Mónaco.

O pesadelo do asfalto na curva 19

O ponto de viragem de uma corrida que parecia controlada por Antonelli e até então tivera como momento mais surpreendente a desistência de Max Verstappen (Red Bull) logo na partida, com problemas técnicos, -- além de uma sucessão de penalizações por excesso de velocidade na linha de boxes -- aconteceu a escassas dez voltas do fim. Na volta 60, Lance Stroll (Aston Martin) perdeu o controlo do carro na curva 19 (Antony Noghès, a última antes da reta da meta) e bateu forte nas barreiras. O Safety Car foi de imediato acionado, desencadeando uma paragem em massa nas boxes para a colocação de pneus macios.

No momento do reinício da corrida, na volta 64, após a neutralização, o herói local Charles Leclerc (Ferrari), que rodava num sólido terceiro lugar e ambicionava o segundo posto beneficiando de uma penalização pendente de Hamilton, perdeu os travões traseiros, exatamente na mesma curva, e acabou, também ele, no muro.

A fúria de Leclerc ecoou no rádio da Ferrari: "Honestamente, nem me vou culpar. Que se lixem estes travões!"

A direção de corrida percebeu que o problema era mais profundo do que um mero erro dos pilotos: o asfalto naquela zona específica, recentemente remendado antes do fim de semana, estava literalmente a desfazer-se. Com pedaços de alcatrão soltos e detritos perigosos na trajetória, a direção de corrida -- liderada pelo português Rui Marques -- optou por exibir a bandeira vermelha, na volta 68, para que os comissários pudessem limpar e inspecionar a pista.

Reinício em sprint e glória de Antonelli

Após uma interrupção de cerca de 20 minutos com os carros alinhados no pit lane, a FIA determinou um arranque em grelha para as últimas voltas de corrida. Com a pista ainda em condições precárias na última curva, Antonelli não vacilou. O italiano fez uma partida perfeita, defendeu-se da aproximação de Lewis Hamilton e cruzou a linha de meta isolado para festejar uma vitória memorável.

Se Hamilton garantiu o segundo lugar, carimbando mais um pódio de vermelho Ferrari, as posições seguintes mexeram mesmo após a bandeira axadrezada ter sido mostrada.

Pierre Gasly (Alpine), que teve uma exibição defensiva hercúlea e cortou a meta num festejado terceiro lugar, teve um curto momento de alegria: os comissários aplicaram-lhe uma penalização de tempo pós-corrida por uma infração cometida sob regime de Safety Car, atirando-o para o sétimo posto com um tempo final de +30,369''.

Com a penalização de Gasly, quem sorriu foi o jovem Isack Hadjar (Red Bull), terminando a +23,394'' do líder. Depois de ter destruído o seu carro num forte acidente no Treino Livre 1 de sexta-feira, o jovem francês recuperou de forma brilhante para se qualificar em quinto e, após os múltiplos incidentes de domingo, herdou o seu primeiro pódio na Fórmula 1 ao subir ao terceiro lugar.

Descalabro de Russell e ponto histórico para a Cadillac

Se este domingo foi de glória para Antonelli, o mesmo não se pode dizer de George Russell. O britânico da Mercedes recebeu uma penalização de passagem pelas boxes por não ter cumprido uma sanção anterior de 10 segundos na paragem de boxes durante o Safety Car. Como não houve tempo para o drive though, acabou penalizado com 20 segundos adicionais pós-corrida, caindo de forma inglória para o 13.º lugar, fora dos pontos, e desabando no campeonato.

Outro dos grandes destaques do dia foi a Cadillac. A nova equipa norte-americana garantiu o seu primeiríssimo ponto no campeonato mundial de Fórmula 1 graças a Sergio Pérez. O mexicano terminou em 10.º lugar, com +39,153'' do líder, fazendo explodir de alegria a garagem da equipa liderada pela General Motors.

Nas posições cimeiras, destaque ainda para Oscar Piastri, que salvou a honra da McLaren ao terminar em quarto (+24,261''), e para a excelente dupla da Racing Bulls, com Liam Lawson em quinto (+26,553'', apesar de problemas na bateria antes do arranque) e o estreante Arvid Lindblad num fantástico sexto lugar (+29,010'').

Diário de Notícias
www.dn.pt