Futebol português e bruxaria: uma união que vem de longe

FC Porto disse que o Benfica recorreu a poderes do oculto, mas quem não se lembra de Zandinga, Delane Vieira ou Alexandrino?

É um tema antigo agora reavivado pelas revelações do diretor de comunicação do FC Porto ao Porto Canal. Falamos de bruxaria. Segundo Francisco J. Marques, houve troca de correspondência entre Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e Armando Nhaga, alegado comissário da Polícia da Guiné--Bissau, em que este falava na necessidade "de assinar um acordo de prestação de serviços". No total, segundo Francisco J. Marques, o Benfica, que não quis comentar e sustenta que este "é o momento da justiça atuar", terá pago 136 mil euros. Um dos mails, citados pelo dirigente, era de Luís Filipe Vieira a perguntar ao prestador o que se tinha passado, pois o Benfica tinha perdido em Dortmund por 4-0.

Este é um tema pouco vulgar, mas não é novo. A primeira vez que o futebol português e os poderes do oculto surgiram de mão dada foi no início da década de 80 com o surgimento de Zandinga. Este, depois do verão quente no FC Porto, mudou--se com António Oliveira para Penafiel e a verdade é que os durienses empataram nas Antas a dois golos a 30 de novembro de 1980. Supostamente, o médium terá escavado uns buracos atrás da baliza do guarda-redes Fonseca.

Zandinga já na altura era parodiado por falhar as suas previsões, até porque dizia sempre que o Sporting seria campeão. A certa altura disse que enquanto não fosse convidado a ir a Alvalade o Sporting não conquistaria o título e a verdade é que os leões só quebraram o jejum de 18 anos em 1999-2000... já Zandinga tinha morrido. Mas há mais sobre o luso-brasileiro Lesagi Gymmes Zandinga. Quando Pedroto treinava o FC Porto, dizia-se que o treinador e Pinto da Costa tinham de tomar banho junto à Capelinha do Mar. Mas só de madrugada e em noites de lua cheia.

Ainda no FC Porto, Delane Vieira é um nome incontornável. Terá soltado dois sapos no estádio do Prater, em Viena, de modo a que os dragões se sagrassem campeões europeus em 1987. Seis meses depois, em Tóquio, Delane Vieira queria que nevasse, o que não acontecia na capital nipónica havia 40 anos. E nevou mesmo. Quando a FIFA perguntou ao FC Porto se estava de acordo em adiar a final da Taça Intercontinental com o Peñarol, Pinto da Costa rejeitou a conselho de Delane Vieira, que não era bem visto pelo então adjunto Octávio Machado, que num encontro no Bessa o socou em frente a todos os jogadores, conforme descreve Octávio no seu livro. O curioso é que Delane Vieira entra em Portugal pela mão de Otto Glória, quando este treinava o Benfica.

Outro nome mais recente e marcante foi o do Bruxo Alexandrino, que se dizia "formado em semiótica", e gabava-se de ter evitado a descida do V. Guimarães em 2000-2001. Nandinho, jogador vimaranense nessa época, especificou ao site relato.pt as técnicas de Alexandrino. que agradeceu a Pimenta Machado ter "aceitado" o seu trabalho após Benfica e Sporting terem... recusado.

Em 2015 surgiu o bruxo de Fafe, que se dizia estar a ser pago para o Benfica não ser campeão. Dizia que utilizava magia negra e que o seu serviço, em caso de sucesso, lhe renderia 200 mil euros. Afinal, o Benfica foi mesmo campeão. Três anos antes tinha previsto o triunfo do FC Porto na Luz e os dragões ganharam mesmo por 3-2 e no final seriam campeões.

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