FIFA suspende Rubiales, criticado também pelo selecionador masculino

O organismo que gere o futebol mundial tomou a decisão este sábado. O presidente da federação espanhola fica suspenso por 90 dias. RFEF anuncia que vai ser substituído por vice-presidente. Selecionador espanhol censura Rubiales e adjuntos da seleção feminina demitem-se
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O Comité Disciplinar da FIFA suspendeu este sábado de forma provisória Luis Rubiales, presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), que fica assim impedido de exercer todas as suas funções no futebol no plano nacional e internacional.

Esta decisão terá a duração de 90 dias e surge na sequência dos processos disciplinares abertos por aquele organismo após a polémica do beijo na boca à futebolista Jenni Hermoso, na cerimónia de entrega de medalhas do Mundial de futebol feminino, cuja final se realizou em Sidney, e terminou com a vitória da Espanha frente à Suécia, por 1-0.

A RFEF já confirmou entretanto ter recebido a notificação do Comité Disciplinar da FIFA relativo à suspensão provisória de Luis Rubiales e, nesse sentido, comunicou que será o vice-presidente adjunto da presidência, Pedro Rocha Junco, a assumir a presidência interina, durante este período de suspensão do presidente.

Na nota, a federação reafirmou que Rubiales irá "defender-se legalmente nos órgãos competentes", acrescentando que "confiará plenamente nas instâncias da FIFA" e reiterando ainda que, desta forma, vai "começar a sua defesa para que prevaleça a verdade e se demonstre sua completa inocência".

Luis de La Fuente, selecionador espanhol da equipa masculina de Espanha, veio entretanto esclarecer a sua posição em relação ao beijo de Rubiales a Jenni Hermoso. E, "sem paliativos", censurou a atitude do presidente da RFEF agora suspenso pela FIFA, considerando tratar-se de um "comportamento equivocado e fora do lugar".

"Os acontecimentos protagonizados por Luis Rubiales não respeitaram o protocolo mínimo que deve ser seguido nestes atos comemorativos e não são edificantes nem adequados para uma pessoa que representava todo o futebol espanhol", sublinhou numa carta assinada pelo próprio De la Fuente, que em setembro vai comandar a seleção espanhola nos jogos com Geórgia e Chipre, de apuramento para o Euro 2024.

Na sequência deste caso, o selecionador da equipa feminina campeã do mundo, Jorge Vilda, ficou ontem a saber que todos os seus 11 adjuntos se demitiram por não concordarem com o comportamento de Luis Rubiales, deixando assim o treinador principal sozinho na defesa do agora presidente suspenso.

Os técnicos agora demissionários condenam de forma "firme e rotunda" a conduta de Rubiales num comunicado onde explicam que estiveram em silêncio à espera daquilo que resultava da Assembleia Geral Extraordinária da RFEF, que teve lugar na sexta-feira. Como o líder federativo não se demitiu, resolveram tomar uma posição até porque "o relato que ele apresentou não reflete de nenhum modo o que a jogadora sentiu", até porque, garantem, Jenni Hermoso "manifestou expressamente que se sentiu vítima de uma agressão", razão pela qual "esta parte do corpo técnico apoia a jogadora, fazendo sua a versão por ela apresentada".

Estes são os mais recentes desenvolvimentos depois de Hermoso ter afirmado que não tinha consentido o beijo. Com dias sucessivos de críticas de todos os quadrantes e que culminaram com a não demissão de Rubiales, dando origem a um novo pico de contestação e extremado as posições, com as jogadoras a anunciarem não estarem disponíveis para representar a seleção enquanto os atuais dirigentes da RFEF se mantiverem nos cargos.

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