Luís Castro nunca tirou pontos ao dragão mas já venceu Sérgio

O treinador do Desp. Chaves visita hoje uma casa onde trabalhou dez anos. Perdeu sempre como adversário mas levou a melhor sobre Conceição no único confronto entre ambos

Luís Castro regressa nesta noite (20.30, SportTV1) ao Estádio do Dragão, uma casa onde passou boa parte da sua carreira desportiva, pois durante dez anos - entre 2006 e 2016 - ali trabalhou, tendo desempenhado os cargos de coordenador da formação, treinador da equipa B e até treinador principal em 2013-14 quando foi chamado a substituir Paulo Fonseca.

A vida do atual treinador do Desp. Chaves frente ao FC Porto não foi famosa no comando do Penafiel e do Rio Ave, pois perdeu sempre, com as suas equipas a sofrerem 12 golos nos cinco jogos realizados e a marcar apenas quatro. É com o sonho de inverter esta série negativa que Luís Castro vai entrar hoje no Dragão. "Preparámo--nos da melhor maneira para tentar o melhor resultado possível", atirou ontem, reconhecendo que "o cenário não é o melhor".

Afinal, o FC Porto é um dos líderes da Liga, somando por vitórias os quatro jogos disputados e, como se isso não bastasse, o guarda-redes Iker Casillas não sofreu qualquer golo até ao momento. Contudo, Sérgio Conceição, treinador dos portistas, está desconfiado e em alerta máximo. "Não esperamos jogos fáceis", atirou, ao mesmo tempo que desvalorizou o penúltimo lugar dos flavienses, apenas com um ponto. "Sei o que é não começar bem o campeonato e ter a oportunidade de jogar com um grande. O Desp. Chaves não está de certeza pressionado a ganhar, pois obviamente essa carga está no FC Porto", frisou.

Por certo que Sérgio Conceição terá recordado o único confronto que teve com Luís Castro. Foi a 6 de abril de 2014, no mesmo palco de hoje, mas com realidades completamente distintas. Na altura, Sérgio orientava a Académica, enquanto Castro estava no comando do FC Porto, tendo feito valer a maior qualidade da sua equipa com um triunfo por 3-1.

Agora, a maior responsabilidade está do lado de Sérgio Conceição, como aliás ele próprio fez questão de assumir, deixando claro que ninguém vai entrar em campo a pensar na estreia na Champions, na quarta-feira, em casa com os turcos do Besiktas. "Se o foco não for o Desp. Chaves, corremos o risco de não estar bem nem num nem noutro jogo. Portanto, há que pensar primeiro no Chaves e só depois na Liga dos Campeões", avisou, deixando uma certeza: "Isto não é lengalenga de treinador."

Um dos principais problemas de Sérgio Conceição para esta partida tem que ver com o facto de Jesús Corona, Diego Reyes e Maxi Pereira terem feito viagens transatlânticas para irem representar as respetivas seleções. "O cansaço deles é o normal para quem jogou nas suas seleções. Vou meter o melhor onze, aqueles que nos dão mais garantias a todos os níveis", assumiu, recusando revelar se estes três jogadores serão chamados ao onze titular, sabendo-se desde já que Herrera está recuperado de uma lesão que o afastou prematuramente da seleção mexicana.

Satisfeito com o plantel que tem

Este será o primeiro jogo após o fecho do mercado, que, nos últimos dias, não trouxe reforços para os dragões. Numa espécie de balanço, Sérgio Conceição admitiu que "gostaria de ter mais duas ou três soluções" no plantel, mas tal "não foi possível". Ainda assim, declarou estar "contente" com os jogadores que tem. E, em tom de brincadeira, até soltou um desabafo: "Aliás, fiquei preocupado quando o Ney-mar veio ao Porto [fez exames médicos para se transferir para o PSG]. Não tinha onde o colocar na equipa."

Mais a sério, o treinador portista aplaudiu o facto de a Premier League ter decidido antecipar o fecho do mercado a partir do próximo ano para a quinta-feira anterior ao início do campeonato. "É uma excelente medida", assumiu, revelando ter já tomado uma posição sobre este tema: "Estive no Fórum da UEFA com grandes treinadores e foi unânime a nossa posição. Não havia um que dissesse o contrário. O mercado fechar mais cedo é uma vantagem para toda a gente porque não corremos o risco de estar a treinar um mês com um jogador, que pode ter influência em toda a dinâmica da equipa, e perdê-lo." E a esse propósito até assumiu que "ficar sem dois ou três jogadores nos últimos dias não é bom para ninguém".

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