O reencontro com o Mónaco, 13 anos após Gelsenkirchen

Alenichev e McCarthy estiveram na conquista de 2004 e lançam o jogo desta noite. Ambos, contudo, dizem que desta vez os papéis estão invertidos e os dragões não são favoritos

FC Porto e Mónaco só se defrontaram uma vez e esse jogo é de boa memória para os azuis e brancos. É preciso recuar até 2004 e à final da Liga dos Campeões, que os dragões venceram sem qualquer contestação, por 3-0, conquistando o último título de campeão europeu de clubes do futebol português. Na altura, jogadores como Vítor Baía, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche, Deco, Alenichev ou McCarthy brilhavam na Invicta. Estes dois últimos recordaram ao DN o jogo dessa noite. Agora, contudo, dizem que os "papéis estão invertidos", considerando que os monegascos são favoritos.

"Foi provavelmente uma das melhores equipas onde joguei e recordo sempre esse jogo, fantástico. Vencemos sem contestação, éramos muito melhores, tínhamos grandes jogadores, como Deco, um fenómeno", começou por dizer ao DN Benni McCarthy, ex-avançado sul-africano que nessa noite não marcou, ao contrário do antigo colega russo Alenichev.

"É especial vencer uma competição como a Liga dos Campeões, marcar um golo torna tudo mais especial. É um jogo que vejo muitas vezes, será sempre uma memória inacreditável", salientou o russo. Treze anos volvidos, o FC Porto desloca-se agora ao Mónaco em jogo da fase de grupos. Esta partida, contudo, será diferente. "O Mónaco está muito forte, mesmo sem Mbappé. Em 2004, o FC Porto era muito mais forte do que o Mónaco e isso provou-se na final. Agora penso que os franceses estão melhores, são favoritos, mas tudo pode acontecer", referiu Alenichev.

Também McCarthy, que acompanha os jogos da Liga dos Campeões como comentador para um canal sul-africano, tem a mesma opinião, mas considera que o apuramento para a próxima fase pode ser uma realidade para os azuis e brancos. "Penso que o Mónaco é a melhor equipa do grupo. Têm grandes jogadores, apesar de terem vendido Mbappé, Mendy ou Bakayoko, e continuam muito fortes. O FC Porto é também uma grande equipa, mas penso que não é o favorito. Em 2004? Aí o FC Porto era bastante mais forte, agora os papéis estão invertidos. Mas o apuramento é possível, mesmo apesar da derrota com o Besiktas. É um grupo muito equilibrado, apenas com o Mónaco um pouco acima", salientou o antigo goleador.

Um dos que faziam parte do plantel azul e branco em 2004 era o agora treinador Sérgio Conceição. Os dois ex-colegas acreditam que o técnico é uma mais-valia para o FC Porto. "Queria sempre mais e isso é bom para o FC Porto, pois ele nunca está satisfeito, é muito exigente", disse McCarthy. Já Alenichev também nunca duvidou que um dia o antigo companheiro se tornasse treinador. "Já tinha um espírito de liderança. Estive pouco tempo com ele, mas deu para perceber que um dia gostaria de ser treinador. Desejo-lhe muito sucesso", referiu.

Se Sérgio Conceição merece elogios, José Mourinho, o técnico do último título europeu dos azuis e brancos, é também recordado com saudades. "Foi o melhor treinador que tive e se houve alguém que nunca duvidou que iríamos vencer nessa noite foi ele. Desde o primeiro minuto que nos dizia que venceríamos o Mónaco. Deu-nos tal confiança que já antes de entrarmos em campo estávamos convencidos de que a taça era nossa", afirmou McCarthy. Alenichev, por sua vez, destaca o carácter humano de Mourinho. "Era um pai para nós, dávamos tudo por ele, pois ele cuidava de nós e foi isso que também ajudou ao título."

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