"Apostaria em José Sá, mas eu também saí após uma goleada"

Antigo guarda-redes dos azuis e brancos continua a confiar nas qualidades do jovem português. Mas não se esqueceu do que lhe aconteceu em 1978 com o AEK de Atenas

José Sá ganhou a titularidade a Casillas na baliza do FC Porto num jogo da Liga dos Campeões, frente ao RB Leipzig, em outubro do ano passado. Quatro meses depois mantém a confiança de Sérgio Conceição, mas foi um dos culpados na goleada sofrida ante o Liverpool, sobretudo no lance do primeiro golo dos reds. A questão que se coloca é se o português deve manter-se como dono da baliza. Fonseca, ex-guardião do FC Porto, acredita que sim, mas o regresso de Casillas não o surpreenderia.

"Não vejo razões para sair, mas no futebol tudo acontece. Apostaria em José Sá, mas recordo que eu próprio perdi a titularidade após uma goleada. Estava no FC Porto, fomos à Grécia jogar com o AEK de Atenas e sofremos uma derrota pesada [6-1, setembro de 1978, para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, de nada valendo o 4-1 da segunda-mão] e acabei por ficar de fora do jogo seguinte. Na altura pensei, para mim, que fui eu o único culpado de sofrer tantos golos. Mas uma equipa são 11 elementos, apesar de o guarda-redes ser o último a ser ultrapassado", lembrou o antigo guardião, elogiando o trabalho de José Sá até ao momento.

"Quando foi da entrada do José Sá a grande maioria das pessoas ficou surpreendida com a mudança, ficando o Casillas no banco. Mas se o treinador mudou foi porque alguma coisa não estava bem e entendeu que deveria existir uma troca. Se o erro de ontem [quarta-feira] não tivesse acontecido, todos nós já não nos recordaríamos se deveria jogar o Casillas. Não se pode ir por esse caminho", considerou Fonseca, que também não acredita que José Sá fique "traumatizado" com esta derrota e concretamente com o lance do primeiro golo de Sadio Mané, que lhe passou por debaixo do corpo.

"São jogadores que estão habituados à competição ao mais alto nível. Todos erram, não são só os guarda-redes. O papel dos guarda-redes é ingrato, pois são os últimos a aparecerem neste tipo de lances. Mas não acredito que fique traumatizado com esta situação, terá certamente todo o balneário do seu lado", salientou.

Numa análise ao jogo com o Liverpool, e apesar de Sérgio Conceição ter sempre afirmado que iria jogar "de igual para igual", Fonseca não entende que essa ousadia possa ter custado a derrota pesada aos azuis e brancos. "Houve circunstâncias que levaram a este desfecho. O FC Porto entrou um pouco retraído, com respeito pelo Liverpool, depois sofreram dois golos estranhos, que só acontecem a quem está lá dentro. A perder por 2-0 contra uma equipa como o Liverpool qualquer sistema se desmorona. O espírito dos jogadores já não era o mesmo, começaram a jogar mais com o coração do que a cabeça e o resultado dilatou-se", salientou Fonseca.

Com a mais do que provável eliminação da Liga dos Campeões, dada a desvantagem de cinco golos para recuperar em Inglaterra, restam ao FC Porto a Taça de Portugal (venceu o Sporting por 1-0 no jogo da primeira-mão das meias-finais) e o campeonato. Fonseca garante ao DN que este resultado pesado não irá abalar a confiança da equipa treinada por Sérgio Conceição.

"Penso que não, mas há sempre uma pequena mágoa e dor que fica. Ainda por cima esta foi a pior derrota de sempre em casa, apesar da grande equipa que o Liverpool tem. O grupo tem agora de concentrar-se, de procurar equilíbrios emocionais e isso é um trabalho de todos. Não é por um jogo que tudo se irá desmoronar", concluiu Fonseca.

Ricardo Pereira lesionado

O jogo com o Liverpool, além da carga dramática que pode ter deixado na equipa treinada por Sérgio Conceição, deixou mazelas num jogador. Ricardo Pereira sofreu uma microrrotura na face posterior da coxa esquerda e falhou o treino de ontem no Olival, o que indicia que a sua utilização no jogo de domingo com o Rio Ave é uma grande incógnita.

O defesa, que iniciou o processo de tratamento, junta-se assim a Danilo e Aboubakar, os outros dois jogadores entregues ao departamento médico dos azuis e brancos. O médio português fez tratamento e trabalho de ginásio, enquanto o avançado camaronês completou o treino condicionado com trabalho no ginásio. Esta sexta-feira a equipa portista regressa aos treinos, para preparar a receção aos vilacondenses. Os trabalhos vão decorrer à porta fechada.

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