Super-Díaz conduz dragões e Conceições dão o xeque-mate

FC Porto destaca-se na liderança da Liga graças a uma sofrida vitória no Estoril, depois de a volta a dois golos de desvantagem ao intervalo. Sérgio arriscou e viu o filho assinar o tento do triunfo.

Grande jogo no Estoril, resolvido com um golo de Francisco Conceição em nome do pai quando o relógio já assinalava os 90 minutos. Depois de ter sofrido dois golos no primeiro tempo, o FC Porto conseguiu destacar-se na liderança da Liga graças a uma super exibição de Luís Díaz, que esteve nos três golos que a equipa marcou na segunda parte. Grande mérito para Sérgio Conceição, que arriscou tudo e foi premiado com os três pontos, os mesmos que tem agora de vantagem sobre o campeão em título.

Num terreno onde, historicamente, o FC Porto sentiu sempre grandes dificuldades até meados dos anos 80 do século passado, Sérgio Conceição apostou no onze possível, sobretudo a nível defensivo: aí, escolheu os quatro disponíveis para compor a linha de defesa ao guarda-redes Diogo Costa, com Corona à direita e Wendell à esquerda. Já no Estoril, devido à onda de covid que afetou boa parte do plantel, Bruno Pinheiro apresentou uma equipa algo distante daquela que normalmente joga (seis alterações nos titulares em relação à última jornada, sendo que desses elementos apenas Chico Geraldes não esteve, por castigo, no banco).

Se se esperava uma maior motivação impulsionada por duas vitórias seguida sobre o Benfica e a derrota, na véspera, do campeão Sporting nos Açores, o FC Porto, com Luis Díaz de regresso, desiludiu nesse capítulo. Apesar da pouca intensidade com que entrou, dominou e controlou claramente os 30 minutos iniciais do encontro, criando um punhado de ocasiões para marcar, graças, sobretudo, ao talento do extremo colombiano e aos sucessivos erros do guardião estorilista - primeiro tentou um drible arriscado sobre Evanilson que quase lhe corria mal, depois teve uma série de más reposições que deixaram os seus colegas em dificuldades. Ainda assim, Thiago Rodrigues ainda conseguiu corrigir algumas das suas asneiras e o FC Porto manteve-se em branco.

Neste período, e tirando um cruzamento de Chiquinho com perigo relativo, a equipa da casa mal saíu do seu meio-campo. Mas, quando o fez a sério, aos 31 minutos, deixou logo um aviso: Bruno Lourenço desmarcou Chiquinho na esquerda e este superou Diego Costa com um remate cruzado. No entanto, o homem da assistência estava 14 cm fora de jogo e o golo acabou por ser anulado.

Duas bicadas de surpresa

Ainda assim, este lance teve o condão de mudar por completo a face da partida até ao intervalo. O Estoril ganhou confiança, começou a conseguir sair em controlo até ao meio-campo contrário e acabou por marcar um golo válido, aos 38 minutos. Corona falhou um corte depois de uma mudança de flanco, a bola chegou a Arthur e este fletiu para o meio antes de arriscar o remate. A bola sofreu um ligeiro desvio em Mbemba e, caprichosamente, fez um arco que surpreendeu Diego Costa, entrando na baliza.

Sem ter tempo de se refazer do golo sofrido, o FC Porto voltou a ser superado na zona defensiva: se, no primeiro lance, coube ao lateral direito adaptado ser batido, no segundo o erro foi do seu congénere da esquerda, superado em velocidade por Chiquinho. Wendell arriscou o carrinho e cometeu uma grande penalidade que André Franco não desperdiçou, assinando o seu sétimo golo da época e colocando o marcador num impensável 2-0 (segundo o playmaker stats, há 74 anos que os canarinhos não tinham tal vantagem ao intervalo sobre os azuis e brancos...).

Na segunda metade, o FC Porto entrou de novo dominador mas, desta vez, metendo muita intensidade na partida. Reduziu logo de início, num lance iniciado pelo inevitável Díaz e concluído por Taremi, em recarga a grande defesa de Thiago Rodrigues, e motivou 45 minutos de grande nível de parte a parte. As equipas foram criando oportunidades umas atrás das outras - mais, naturalmente, os dragões, quase transformando o guardião da casa no herói da partida -, com Sérgio

Conceição a arriscar (quase) tudo com a entrada de Pepê aos 60', jogando com três defesas. O empate apareceu aos 84 minutos, saído de mais um lance de inspiração de Luis Díaz que o próprio concluiu, mas não era suficiente: o central Fábio Cardoso deu o seu lugar a Francisco Conceição e a este bastaram três minutos para receber um beijo de parabéns do pai na linha, depois de mais um lance de... Luis Díaz e um desvio certeiro. Estava selada a 12ª vitória seguida do FC Porto na Liga e, a jogar assim, dificilmente irá largar o primeiro lugar.

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