Farense, a bandeira do Algarve a renascer

O histórico emblema algarvio teve a inscrição no Campeonato de Portugal em risco, em julho, mas a entrada do acionista João Rodrigues revelou-se fundamental. Jorge Ribeiro e Neca dão experiência a um plantel com vários jovens que aposta na subida à II Liga

O Farense está de novo na luta pela subida aos campeonatos profissionais. Os responsáveis do futebol não assumem o favoritismo, embora "a grandeza do clube obrigue a pensar alto e positivo", como sublinha Manuel Balela, atual diretor desportivo. "Claro que queremos atingir esse patamar, mas todas as equipas que participam nesta fase têm o mesmo propósito", adianta, numa opinião idêntica à do treinador Lázaro Oliveira. "O Farense tem a ambição de ficar nos lugares que dão acesso à II Liga, mas não é favorito e está em igualdade de circunstâncias com os outros sete", sustenta o técnico, antevendo uma prova "bastante competitiva e equilibrada".

Os algarvios cumpriram a primeira parte do objetivo ao ganharem a Série H do Campeonato de Portugal, com 12 vitórias, três empates e três derrotas nos 18 jogos efetuados. Agora jogam-se as grandes decisões já a partir de amanhã na Zona Sul de subida: o primeiro classificado é apurado diretamente e o segundo disputa um play-off. "Em termos desportivos não há nada a apontar e a subida de divisão continua a ser o nosso foco, mas não nos podemos esquecer das dificuldades iniciais", atira Balela, que depois de ter sido jogador e treinador abraçou agora novo desafio.

Entre esses problemas esteve a tardia formação do plantel, na sequência da saída do presidente António Barão e da entrada de João Rodrigues, empresário e acionista principal da SAD desde julho do ano passado, que teve de aumentar o capital para liquidar dívida vencida, que impedia o funcionamento mínimo da sociedade e a inscrição da equipa. "Se não fosse João Rodrigues, não sei se nesta altura estaríamos a falar da equipa de futebol do Farense", comenta Manuel Balela. João Rodrigues confessou ao DN que encontrou o futebol sénior "sem treinador, jogadores e o estádio com uma relva de 30 a 40 centímetros de altura". "Estava tudo um caos", confessa.

O treinador Lázaro Oliveira recorda que na pré-época chegou a dar treinos "a somente seis, sete jogadores, juniores incluídos". "Felizmente construímos depois um grupo forte e unido, mesclado de juventude e experiência, num equilíbrio saudável em que me apraz registar a entrega e o brio dos atletas, alguns deles com passado em grandes equipas mas que nunca se furtaram ao trabalho."

Jorge Ribeiro, Neca, Diogo Melo e Livramento são os exemplos dessa experiência, num plantel agora reforçado com Jorginho (ex-U. Leiria), Tavinho (ex--Almancilense), Gonçalo Gregório (ex--Leixões) e Erick (ex-Zimbru da Moldávia). "Estou satisfeito com o grupo e os que vieram permitem aumentar o nível competitivo. Trata-se de uma necessidade para uma fase que, repito, vai ser tremendamente disputada", já a começar com a receção ao Louletano, insiste Lázaro, que tem como adjunto Rui Duarte, um ícone do futebol algarvio.

Um novo ciclo em perspetiva

O Farense é o 12.º classificado no "campeonato dos campeonatos" do futebol português, com 23 presenças no escalão principal e um passado de respeito. Em 1989-90 escreveu uma das mais bonitas páginas da sua centenária história ao qualificar-se para a final da Taça de Portugal, apesar de disputar na altura a II Divisão. Perdeu com o Est. Amadora, ao segundo jogo e em finalíssima, mas os algarvios entraram no período dourado, com lugares honrosos no campeonato principal, com destaque para a quinta posição obtida em 1994-95, o que valeu uma inédita presença na Taça UEFA.

Era o tempo de Paco Fortes e de jogadores como Hajry, Hassan, Rufai, entre outros. O São Luís tornou-se um palco temido, e é aludindo a esses tempos que Manuel Balela fala da "grandeza" do emblema que mais adeptos tem e mais público arrasta no Algarve. Em 2001-02, porém, o Farense entrou num período negro, com falta de liquidez, descidas consecutivas e faltas de comparência, que o levaram aos distritais em 2005-06. Já com António Barão na presidência, a partir de 2009, iniciou-se o renascimento, que culminou em 2012-13 com a subida às ligas profissionais - no jogo decisivo estiveram 14 mil pessoas no São Luís.

Três épocas na II Liga não chegaram para estabilizar o clube, que na temporada passada desceu ao Campeonato de Portugal. João Rodrigues, o principal acionista, que já era investidor, assumiu as rédeas da SAD no último verão e aposta num novo ciclo, correspondendo aos pedidos e apelos de várias entidades com responsabilidades políticas e sociais, bem como dos adeptos. Para Manuel Balela, o homem forte do futebol, "as munições estão a ser gastas consoante as necessidades" e o Farense "está para durar".

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