Extrema-direita alemã critica Ozil por não cantar o hino

Alguns deputados de extrema-direita têm criticado a "identidade" da seleção alemã, a poucos dias do Europeu

Uma porta-voz do partido populista de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD, em alemão) criticou hoje o futebolista Mesut Özil, de origem turca, por ter ido em peregrinação até Meca e por não cantar o hino nacional.

Durante uma entrevista, que será distribuída no domingo pelo Die Welt, Frauke Petry subscreveu críticas feitas por outros deputados do seu partido à identidade da seleção alemã, a poucos dias do Campeonato Europeu de 2016.

"É lamentável que Mesut Özil, um ídolo de crianças e adolescentes, não cante o hino nacional", afirmou Frauke Petry, que criticou ainda o facto de o jogador do Arsenal ter publicado nas redes sociais uma foto em Meca, Arábia Saudita, um santuário para a religião islâmica.

"Poderíamos perguntar se Ozil queria lançar uma mensagem política", afirmou a dirigente política, que acusou o jogador de "não viver de acordo com a lei islâmica" e referiu que "as mulheres com as quais ele está não aparecem com véu".

Na entrevista, a dirigente política insiste na "inconstitucionalidade do Islão" porque as raízes do radicalismo islâmico "estão no Corão e nas suas interpretações", pelo que "não é fácil distinguir entre muçulmanos devotos ou radicais islâmicos".

Antes destas declarações, o vice-presidente da AfD Alexander Gauland já havia criticado o defesa-central Jerome Boateng, de origem ganesa.

Em resposta a estas críticas, o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB, em alemão), Reinhard Grindel, minimizou a polémica, considerando que "grande parte da população olha para a seleção nacional como um exemplo bem-sucedido de integração".

Por seu turno, o Governo alemão já havia considerado "desprezíveis" as críticas de Alexander Gauland.

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