Ex-jogadores do Oriental receberam 7500 euros cada para perderem jogo

Inspetor da PJ relatou ao pormenor em tribunal todo o esquema de viciação de resultados. Partida em causa foi um Oriental-Penafiel, relativo à época 2015-16 da II Liga

Um inspetor da Polícia Judiciária denunciou ontem em tribunal, em mais uma sessão do julgamento da Operação Jogo Duplo, que quatro ex-jogadores do Oriental receberam, cada um, 7500 euros, para perderem o jogo frente ao Penafiel, relativo à época 2015-2016.

Na segunda sessão, o coordenador da investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ) explicou ao coletivo de juízes que receberam, em 27 de abril de 2016, uma denúncia a dar conta que o jogo Oriental--Leixões, ocorrido três dias antes, "tinha sido manipulado" e que o Penafiel-Oriental, da jornada seguinte, que se realizaria em 30 de abril, "também seria manipulado".

Esta denúncia esteve na origem do inquérito-crime, enquanto o jogo disputado entre Penafiel e Oriental foi o primeiro da II Liga, no âmbito deste processo, monitorizado e vigiado pela PJ.

O inspetor contou que nas escutas telefónicas, entretanto autorizadas, foi possível apurar que o arguido e ex-jogador do Oriental Diego Tavares transmitiu aos arguidos Carlos Silva, conhecido como "Aranha" e elemento da claque Super Dragões, e a Gustavo Oliveira, empresário, ambos intermediários dos investidores da Malásia, quais os jogadores "que estavam dispostos a perder o jogo".

Diego Tavares, Rafael Veloso (guarda-redes), João Pedro Carvalho e André Almeida, todos titulares nessa partida, receberiam, cada, 7500 euros, para que ajudassem na derrota do Oriental, tendo ficado agendado um encontro no dia do jogo, entre Carlos Silva e Gustavo Oliveira, e os quatro jogadores, no hotel onde se encontrava a equipa lisboeta, no Norte do país.

Os inspetores da PJ alugaram então o quarto 115, que ficava ao lado daquele que havia sido alugado pelos arguidos Carlos Silva e Gustavo Oliveira para se encontrarem com os quatro futebolistas. O coordenador da PJ acrescentou que os dois intermediários faziam chamadas de vídeo para provar aos dois investidores/apostado-res malaios, considerados pela acusação como a associação criminosa da parte asiática, "que os jogadores abordados estavam controlados".

O responsável pela investigação relatou que ficou acordado entre todos que o Oriental tinha de perder nas duas partes, uma vez que havia apostas para os resultados parciais dos primeiros e segundos 45 minutos. Ao intervalo, o Oriental perdia por 2-1 e o resultado final ficou 4-2, ambos resultados pretendidos pelos arguidos.

Na segunda parte, quando o resultado estava em 3-2, o arguido Diego Tavares, entretanto substituído, foi ao balneário e trocou mensagens com o arguido Carlos Silva, perguntando-lhe se chegava o 3-2, ao que Carlos Silva respondeu que era necessário sofrerem mais um golo, para assim também perderem na segunda parte.

O inspetor da PJ disse que um jogo da II Liga em Portugal movimenta, em média, a nível mundial, cerca de 30 milhões de euros, relatando que, através das escutas telefónicas, foi possível perceber que este esquema de manipulação de jogos da II Liga já vinha da "época anterior" e que era para manter "na época seguinte".

O julgamento, que decorre em Lisboa, conta com 27 arguidos, oito deles antigos jogadores do Oriental de Lisboa, bem como ex-futebolistas de Oliveirense, Penafiel e Académico de Viseu, além de dirigentes desportivos, empresários, um elemento de uma claque e outras pessoas com ligações ao negócio das apostas desportivas. Com Lusa

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