Europeu de futsal. Portugal com ambição de voltar a tocar no céu

A seleção nacional, campeã europeia e mundial e agora órfã de Ricardinho, está integrada no Grupo A juntamente com Sérvia, Países Baixos e Ucrânia. Torneio arranca já amanhã.

Campeã da Europa na última edição do torneio em 2018 e campeã mundial no ano passado. É com este passado recente de sucesso que Portugal vai iniciar amanhã o Europeu de futsal, nos Países Baixos, entre esta quarta-feira e o dia 6 de fevereiro. Por isso, o selecionador nacional Jorge Braz diz que "é perfeitamente legítimo aspirar a tocar o céu novamente" numa competição que pelo menos de início será realizada sem público, devido ao atual contexto da pandemia, e na qual Portugal estará órfão de Ricardinho, jogador que renunciou à equipa das quinas.

Portugal ficou integrado no Grupo A, juntamente com os anfitriões Países Baixos, Ucrânia e Sérvia, e terá como maiores concorrentes na prova a Espanha, a Rússia e o Cazaquistão, teoricamente os adversários mais fortes da competição a par da equipa nacional.

"Sabemos as ambições que temos, sabemos que é perfeitamente legítimo aspirar a tocar o céu novamente, mas também sabemos a dificuldade que é vencer o Europeu. Estamos focados no trabalho que temos de fazer para voltar a sentir o que sentimos ainda muito recentemente. Vamos ver se conseguimos que não haja duas sem três", disse Jorge Braz à Lusa.

A histórica conquista do Mundial, na final de 3 de outubro de 2021, na Lituânia, frente à Argentina (2-1), ainda está bem presente na memória de todos os portugueses. Mas o selecionador lembrou a necessidade de encarar o Euro2022 já sem ""confettis" na cabeça". "Ainda está tudo muito fresco desde o Mundial. Existe a vantagem de, nos últimos seis meses, termos estado quase três juntos. A única desvantagem, mas que todos temos muita consciência, é tentar tirar os confettis da cabeça. Isso é que é importante e estamos altamente focados nesta competição", sublinhou.

Adversários e ambição

Para Jorge Braz, o Grupo A onde Portugal está integrado é o agrupamento "onde há mais incerteza de quem vai passar", embora Portugal seja amplamente favorito, realçando que, contudo, a obrigação de passar o grupo "não é tão clara como era no Mundial". "A Sérvia conhecemos muito bem, tem jogadores com enorme qualidade individual e muita experiência, com mais alguns atletas irreverentes. É uma seleção que sabe e quer competir, olham sempre com possibilidade de vencer. Vão acreditar até ao fim, até pela capacidade combativa dos países daquela zona", analisou o treinador.

Em relação aos Países Baixos, apontou a "irreverência da rua" e a "motivação de jogar em casa" como os dois pontos mais fortes que farão com que a partida possa ser "difícil", apesar de reconhecer que estão "um patamar abaixo" de Portugal."A Ucrânia é de top europeu. A seguir aos candidatos, é a primeira que vem no ranking, seguida da Sérvia. É o indicador mais claro da dificuldade que será o Europeu", analisou o selecionador.

Uma das chaves do discurso de Jorge Braz, nos últimos anos, tem sido a ambição de querer ver a seleção a "ser Portugal" em todos os jogos que disputa, num conceito vencedor que procurou explicar com o trabalho desenvolvido há anos, a "competir e acreditar no jogador português", para o país ser "uma potência mundial".

"Portugal vai ter a ambição conquistadora do tamanho do mundo que caracterizou sempre o nosso país. Nós é que dizemos sempre que não, que são os outros. Estamos ali pequeninos, mas sempre nos habituámos a conquistar o mundo. Desta vez, é a ver se conseguimos conquistar a Europa", expressou o técnico.

Entre a "dor de cabeça" que foi construir a lista inicial de 14 convocados, Jorge Braz foi forçado a promover duas alterações, com as saídas do guarda-redes Edu, infetado com covid-19, e do pivô Cardinal, lesionado, para as entradas de Bebé e de Miguel Ângelo.

"A família é enorme. Só com 14 jogadores, alguém teria de ficar de fora e essa decisão cabe à equipa técnica. Achamos que estes seriam os mais adequados para o tipo de competição que vamos enfrentar. Não tenho dúvidas nenhumas de que, se quatro ou cinco apanharem covid-19, não me atrapalha nada. Há uma série deles que me dão exatamente a mesma confiança e vamos com a mesma ambição e objetivo", garantiu.

Portugal estreia-se amanhã, frente à Sérvia, às 16.30 (horas em Lisboa), seguindo-se duelos com os Países Baixos, à mesma hora, no domingo, e com a Ucrânia, às 19.30 de dia 28.

nuno.fernandes@dn.pt

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