Todos juntos até ao fim

Foi um segredo bem escondido. Com cerca de 500 emigrantes junto ao Centro de Estágio de Marcoussis, a FPF preparou uma surpresa. E quando o portão se abriu e surgiu o capitão Ronaldo, com a equipa atrás, soltou-se a emoção

O momento por que todos os emigrantes esperavam. Há 24 dias que a seleção nacional está em Marcoussis, há 24 dias que há sempre portugueses junto ao portão principal do centro de estágio, mesmo que saibam que nada vai acontecer e terão poucas ou nenhumas possibilidades de estarem perto dos jogadores.

Ontem, a surpresa foi geral. A Federação tinha indicado que alguns jogadores (um, dois ou três, no máximo, como já aconteceu) iriam depois do almoço falar aos emigrantes - cerca de 500 no local. De repente, percebeu-se que havia algo de diferente do habitual, pela maneira como as grades junto ao portão foram colocadas e o trânsito interrompido. A surpresa deu-se quando se viu Cristiano Ronaldo de passo firme, rumo ao portão, liderando um grupo com 20 elementos atrás de si - só Rui Patrício, José Fonte e Ricardo Carvalho ficaram nas instalações. Parecia um filme.

Foram dez minutos de pura "loucura", comunhão, alegria e emoção. Muita emoção. Ronaldo foi ter, inicialmente, com uma senhora e um menino em cadeira de rodas que a segurança colocou num sítio estratégico. E todos os jogadores o seguiram. Junto às grades, Pepe ainda teve uma ação providencial, mais importante do que uma bola salva em cima da linha, ao pegar num menino que estava a ser engolido pela multidão.

A muitos emigrantes corriam as lágrimas pela cara abaixo, não acreditando que podiam tocar, tirar fotografias (as inevitáveis selfies), falar ou simplesmente desejar boa sorte aos futebolistas portugueses. Afinal, este era um momento tão ansiado e que muitos duvidavam já que pudesse chegar. Dez minutos que não deixaram também os atletas indiferentes. Alguns ficaram quase bloqueados perante a situação; outros, com Eliseu à cabeça, visivelmente emocionados.

Todos deram autógrafos em bandeiras, papéis, camisolas, bonés. Ronaldo, claro, Ricardo Quaresma, Pepe e Renato Sanches foram os mais solicitados. O jovem reforço do Bayern Munique, a quem pediam sempre mais um e outro autógrafo ou mais uma e outra selfie, teve de ser quase puxado por um elemento do staff para junto dos restantes jogadores, numa altura em que o capitão ia usar da palavra e já estava de microfone em punho para falar aos emigrantes, tão eufóricos a imitar o grito de guerra do madeirense - sííííííííí - que quase não deixavam Ronaldo falar. Teve de ser o avançado, dois passos à frente de todos os outros, a tentar impor o seu timbre e a fazer-se ouvir. E conseguiu. Com dificuldade e a ajuda das colunas de som, mas conseguiu.

"Bem pessoal, nós viemos aqui hoje para agradecer o vosso apoio até agora. Ainda não ganhámos nada, mas vamos tentar dar o nosso melhor na meia-final e na final. Espero que continuem com o vosso apoio, que nós sentimos muito e do qual ficamos muito orgulhosos. Obrigado a todos", disse Ronaldo. E o grupo abandonou o seu "palco" ao som de "Portugal! Portugal".

enviado a Marcoussis

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