João Paulo Bessa. O maior fã português do País de Gales

Paixão foi-lhe transmitida pela avó galesa. Antigo selecionador de râguebi confessa que ficará feliz independentemente de quem for à final

Haverá pelo menos um português com o coração dividido na meia-final entre Portugal e País de Gales. Trata-se de João Paulo Bessa, de 69 anos, antigo vice-presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP) e ex-selecionador nacional de râguebi, verdadeiro fanático (no bom sentido) dos galeses.

"A minha avó era galesa e sempre me contou histórias fantásticas da bravura e resistência do povo de Gales. Desde a década de 1960 comecei a seguir a seleção de râguebi do País de Gales e a minha paixão foi aumentando com o passar dos anos", conta ao DN. De tal forma que já sente que estará representado na final do Europeu. "Ficarei feliz independentemente de quem ganhar nas meias-finais, mas também um pouco triste pela equipa que perder", confessa.

João Paulo Bessa distingue as características que aprecia no povo galês. "É um país dependente da Coroa Britânica, mas que tem uma cultura e línguas próprias. A sua coesão como povo e a sua identidade coletiva têm sido afirmadas ao longo dos anos no râguebi e também neste Europeu através do futebol", elogia, ressalvando que "a capacidade de luta e superação dos galeses ficou bem demonstrada na forma como conseguiram virar o resultado no desafio com a Bélgica".

No entanto, na sua opinião, esta seleção de futebol do País de Gales "não é apenas uma equipa que luta, demonstrando igualmente uma qualidade apreciável, como se viu no terceiro golo que marcou à Bélgica e que foi um verdadeiro tratado de bola". De resto, na sua opinião, o nosso rival "tem apresentado um futebol mais bonito do que Portugal no Europeu, mas isso só por si não lhe garante a vitória", sublinhando que a equipa das quinas "tem algumas qualidades que só se têm visto a espaços, que se conjugadas a tornam uma equipa mais forte".

Entre Gareth Bale e Cristiano Ronaldo, não duvida de que o primeiro "se tem exibido bem melhor", algo que na sua opinião poderá ser explicado pelas limitações físicas do capitão português. "Atenção que isto é algo que eu perceciono através da televisão e poderá não estar a acontecer, mas parece-me que o Cristiano Ronaldo não está a 100%. Isto para além de jogar numa posição que não favorece as suas características. Estas duas situações conjugadas fazem que estejamos a ver um jogador a um nível distante do que exibe ao serviço do Real Madrid", defende.

O futebol ultrapassar o râguebi?

João Paulo Bessa só lamenta a impossibilidade de estar presente em Lyon para assistir a este jogo tão especial. "Infelizmente não sou rico... Aliás, se eu tivesse possibilidade, seguiria a equipa de râguebi do País de Gales por todo o mundo. Tenho de me limitar a assistir pela televisão...", diz, garantindo que não é por isso que a sua paixão esfria.

O único jogo a que João Paulo Bessa assistiu ao vivo entre os dois países foi em râguebi, no ano de 1994, em Lisboa. Como seria de esperar, o País de Gales revelou uma superioridade esmagadora, tendo ganho por 102-11! O ex-vice-presidente do IDP espera um encontro bem mais equilibrado depois de amanhã, mas deixa o aviso a Cristiano Ronaldo e companhia: "Ou Portugal aumenta a sua capacidade de luta ou corre gravíssimos riscos! Tenho a certeza de que Gales não vai abrandar o ritmo e por isso Renato Sanches poderá ser muito importante, pela energia que dá à equipa portuguesa", antevê, não deixando, no entanto, de reconhecer que Ramsey fará falta. Independentemente do vencedor, pede "um bom jogo de futebol e que ganhe o melhor", confessando que irá assistir ao duelo, "de forma tranquila, em casa".

Entretanto, a herança galesa continua a perpetuar-se na família. "O meu filho é exatamente como eu, também adora o râguebi de Gales e vai estar dividido neste jogo", revela.

Poderá esta fantástica prestação da seleção de futebol mudar a preferência dos galeses? "Não me parece, pois o povo galês é completamente louco por râguebi e o estatuto de modalidade de eleição no país não está em causa. Bom, é verdade que eu não vivo lá e por isso não posso responder com exatidão, mas parece-me quase impossível que o futebol possa ultrapassar o râguebi. Cada galês é um apaixonado por râguebi, é uma modalidade do povo, não é de elitistas, e arrasta autênticas multidões para os jogos que o País de Gales disputa em casa", realça.

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