Caso microfone. Mais uma acha na fogueira entre Ronaldo e o CM

CMTV exige desculpas formais por microfone atirado a lago. Comissão da Carteira fala em atentado à liberdade de informação.
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O momento em que Cristiano Ronaldo atira o microfone de um jornalista da CMTV para um lago, num passeio matinal da seleção portuguesa, e que fez correr tinta em Portugal e no mundo, é mais um exemplo da relação tensa de CR7 com o Correio da Manhã. Um dos mais falados episódios aconteceu em outubro de 2014, durante a conferência de imprensa que precedeu a derrota de Portugal frente à França, o jogo particular que marcou a estreia de Fernando Santos. Na altura, o capitão da equipa das quinas foi interpelado por uma jornalista da CMTV e não permitiu que a questão fosse formulada até ao fim. "CMTV, o que é isso?", disse primeiro. E perante a insistência da repórter, o avançado deixou claro: "Não vou responder. Esqueça, não vale a pena."

Para trás (e para a frente) estão mais exemplos que opõem Cristiano Ronaldo ao diário da Cofina. Em julho de 2014, o Correio da Manhã foi condenado por crime de devassa da vida privada, na forma agravada, devido a uma notícia sobre a alegada mãe do filho do futebolista madeirense, publicada em 2011, e que tinha como título "Ama revela segredos do clã Aveiro".

Nesse mesmo ano, CR7 desmentiu uma notícia avançada pelo jornal, na qual se lia que o capitão teria exigido um pedido de desculpas público a Tiago e a Ricardo Carvalho - o primeiro, por ter apoiado Simão Sabrosa quando Ronaldo foi nomeado capitão e o segundo por ter abandonado um estágio.

Já dois anos antes, CR7 anunciara no Facebook que tinha instruído os seus advogados para processarem judicialmente o jornal, após a publicação de várias fotografias das férias que tinha passado no verão desse ano, no Gerês, com a família e a ex-namorada Irina Shayk.

Foi também nas redes sociais que o avançado do Real Madrid desmentiu, no ano passado, uma notícia na qual era referido que o internacional português teria assediado Meredith Mickelson, uma jovem norte-americana de 16 anos. "Não tenho por hábito responder aos boatos e mentiras que sobre mim são publicados, nomeadamente nesse jornal. Porém, neste caso, não posso deixar de denunciar a falsidade dos pretensos factos em que aquela "notícia" assenta e exprimir a minha indignação por mais uma vez o Correio da Manhã utilizar abusivamente o meu nome e a minha imagem, publicando um rumor sem qualquer fundamento, com base em boatos veiculados em websites sem qualquer credibilidade", escreveu.

Quanto ao último episódio com o microfone da CMTV, contactado pelo DN, Otávio Ribeiro, diretor do diário e do canal, remeteu explicações para o comunicado de Carlos Rodrigues, diretor adjunto.

"É um acontecimento muito grave. O Correio da Manhã e a CMTV consideram-se, no mínimo, merecedores de um pedido de desculpas formal por parte não só de Ronaldo como também da FPF, porque [CR7] tem a posição institucional de capitão da seleção", argumentou o responsável. "Vamos tomar todas as medidas, que anunciaremos em devido tempo para (...) prevenir que isto não se repita e condenar uma atitude que é (...) lamentável", frisou.

Henrique Pires Teixeira, presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, referiu-se ao caso como "um crime de atentado à liberdade de informação".

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