Entrar à campeão e pensar que o jogo estava resolvido

Segundo jogo consecutivo em que o Benfica permite a reviravolta adversária. Varela vacilou, mas o Boavista merece nota de destaque

O Benfica perdeu pela segunda vez consecutiva, permitindo em cinco dias que um adversário fizesse uma reviravolta. Mas pior do que isso, deixou o pódio do campeonato por troca com o Marítimo, que ontem ganhou ao Desportivo das Aves por 2-1.

Mérito do Boavista, que somou os três pontos na estreia do treinador Jorge Simão. Contudo, para sermos totalmente sinceros, o desfecho não é totalmente justo - talvez o empate se ajustasse melhor.

O Benfica, com o jovem Rúben Dias no lugar do febril Lisandro López, teve uma entrada fortíssima, em especial devido à inspiração de Zivkovic e de Jonas. E há uma grande diferença do Benfica com Jonas e sem Jonas. Na terça--feira, diante do CSKA, o brasileiro esteve em campo mas raramente se viu, ontem, na primeira parte o palco foi inteiramente do avançado. Não só pelo golo que marcou, com uma desmarcação que deixou a defesa do Boavista sem resposta, mas também pelos ritmos que ia marcando com sucessivos recuos à zona do meio-campo para depois embalar ou fazer as temíveis combinações ora com os extremos Salvio e Zivkovic ora com Pizzi, também ele muito preocupado em auxiliar o muito criticado Filipe Augusto na zona de construção.

No Boavista, durante os primeiros 45 minutos, o homem que se destacava era Vagner. O guardião brasileiro tentava e conseguia manter os axadrezados no jogo. A reter duas defesas muito importantes a remates de Jonas e Zivkovic. Por isso, ao intervalo até se justificaria uma vantagem mais alargada do Benfica, porque o Boavista ofensivamente foi inexistente, sendo no entanto importante realçar que o a jogada do golo de Jonas começa com um desarme faltoso de Luisão sobre Bulos. Mas o videoárbitro nada disse...

No início do segundo tempo percebeu-se que o Boavista estava com reais intenções de ser mais agressivo no bom sentido. E a verdade é que a etapa complementar não podia ter começado pior para o Benfica, com Salvio a lesionar-se, e todos sabemos como o argentino é um elemento diferenciador que desequilibra com movimentos ao alcance de poucos.

Logo a seguir, uma jogada confusa na área do Benfica, com Jonas a ser displicente na forma como aliviou a bola. Renato Santos recebeu a prenda e rematou cruzado sem hipóteses para Bruno Varela.

O Benfica tentou reagir, mas a fluidez já não era a mesma, a bola já queimava e a responsabilidade de somar os três pontos influenciava cada lance. O que permitiu perceber é que o tetracampeão não esperava pelo empate e, até certo ponto, julgava que o mais difícil estava feito com o golo de Jonas. Mas o pior estava para vir depois de uma falta cometida por Filipe Augusto. Fábio Espinho, o maestro do organizado Boavista, arrancou para a bola e viu Bruno Varela cometer um erro tremendo deixando a bola escapar-lhe das mãos.

A perder, Rui Vitória tentou tudo. Tirou o apagado Seferovic, fazendo entrar Jiménez, e ainda experimentou a troca de Zivkovic por Gabriel Barbosa. Chegámos a ver três elementos no eixo do ataque, com Jonas, Jiménez e Rafa. Gabriel estava colado ao lado direito, já o flanco esquerdo só tinha o adiantado Grimaldo. Mas era algo feito com pouca razão e mais com o coração. Podia ter dado alguma coisa, podia sim senhor, mas do Benfica, com quatro títulos de campeão no bolso, espera-se algo com mais qualidade sem tanta anarquia e tão dependente das suas individualidades.

E a verdade é que os encarnados não perdiam para o campeonato desde janeiro, em Setúbal. Quem não tem culpa disso é o Boavista, que ganhou, e o Marítimo, que ultrapassou o Benfica...

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