"Então... e a assistência?!"

A piloto portuguesa de Todo-o-Terreno escreve uma crónica diária no DN.pt durante o Rali Oilybia de Marrocos, que decorre entre os dias 4 e 10 de outubro e no qual compete na categoria de camiões

Nos ralis de Todo-o-terreno os pilotos são vedetas. É-lhes reconhecido o seu mérito e são aplaudidos, elogiados, fotografados, filmados, comentados... Com tal entusiasmo esquecemos que esta é uma modalidade de equipa. Existe sempre um navegador, um veículo à volta do qual trabalham algumas pessoas e toda uma logística para fazer. Por muito bom que seja o piloto, só vencerá se a sua equipa for igualmente boa.

Durante as corridas, piloto, navegador e mecânico, caso se trate de uma equipa de camião, percorrem com perícia e rapidez quilómetros sem fim "sufocados" pelo cansaço e pela concentração que tal tarefa exige. Não lhes sobra energia para muito mais. Mas, claro... não há rali onde os problemas não surjam, onde os imprevistos não causem transtorno. E para os resolver lá está a assistência, sempre a apoiá-los, sempre pronta para "o que der e vier"! Anónimos, desconhecidos... desenvolvem um trabalho árduo, nem sempre interessante e quase sempre em más condições, com o objetivo único de que a sua equipa de competição faça um brilharete.

O que faz a minha assistência, como passa os dias, que dificuldades enfrenta e como encontram soluções para as várias questões do dia-a-dia, é algo que gostava de partilhar convosco. Por isso, ao longo deste rali, não vos vou falar de mim, mas sim deles. É ingrato falar pelos outros. Até que ponto serei fiel aos acontecimentos e capaz de transmitir o que sentem e o que pensam? Ficarei seguramente bem longe desse ideal mas, pelo menos, tentarei ir deixando o retrato de uma assistência dedicada e empenhada que me acompanha desde sempre.

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