Entre os primeiros ouros, brilhou a prata de Marit

Norueguesa tornou-se a mulher mais medalhada de sempre em Jogos de Inverno, mas falhou o tri em 15 km skiathlon

Desta vez, Gold Marit não fez jus ao nome: teve de se contentar com a prata. Mas o 2.º lugar na prova de 15 km skiathlon (cross-country/esqui de fundo) foi suficiente para ofuscar todas as medalhas de ouro atribuídos no primeiro dia de finais de PyeongChang 2018. Com ele, Marit Bjørgen - veterana esquiadora norueguesa, regressada à ribalta após uma pausa para ser mãe - tornou--se ontem a mulher mais medalhada de sempre em Jogos Olímpicos de inverno (11 vezes).

A sueca Charlotte Kalla roubou o palco a Marit, ao conquistar o primeiro ouro desta edição dos Jogos Olímpicos de Inverno e impedir a norueguesa de se tornar tricampeã olímpica de 15 km skiathlon (disciplina que junta 7,5 quilómetros de esqui em estilo clássico e 7,5 em estilo livre). No entanto, Marit Bjørgen - que concluiu a prova 40.52,7 minutos, 7,2 segundos depois de Charlotte - logo desviou os holofotes para si, ao alcançar a 11.ª medalha olímpica da carreira (seis de ouro, quatro de prata e uma de bronze): um recorde feminino, que supera as dez da russa Raisa Smetanina e da italiana Stefania Belmondo (ambas ex-atletas de cross-country).

Bjørgen, de 37 anos, subiu ao pódio pela quinta edição consecutiva (começou com a prata na estafeta 4x5 km, em Salt Lake City 2002). E nem o facto de ter falhado a revalidação do título - podia ter-se tornado a primeira a alcançar três ouros seguidos numa prova individual de cross-country - a abalou. "Estive a um nível muito alto durante bastantes anos, mas agora estou a envelhecer, enquanto as jovens estão cada vez melhores. Por isso, não estava certa de vir aqui conquistar o ouro. Fico contente com a prata", disse, lembrando que tem passado por uma época "de altos e baixos" e que "lutar por uma medalha olímpica não é assim tanto fácil".

Olhando para o currículo de Marit, nem parece que assim seja. A veterana esquiadora - também recordista de medalhas em mundiais de esqui de fundo (26) - converteu-se no maior vulto da modalidade nos últimos 15 anos. E voltou depressa ao topo, depois de uma pausa competitiva para ser mãe - em 2016, nasceu Marius, o primogénito da sua relação com Fred Børre Lundberg (ex-atleta de combinado nórdico, quatro vezes medalhado em Jogos). Trouxe quatro títulos do Campeonato do Mundo de 2017, confirmando que os rótulos de Iron Lady e Gold Marit continuavam válidos.
Agora, seja ou não fazendo jus ao nome (com ouro), Marit Bjørgen poderá continuar a fazer história em PyeongChang. Com a medalha alcançada ontem, a norueguesa aproximou-se mais um pouco do recorde absoluto de medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno - 13, do compatriota Ole Einar Bjørndalen (entre 1988 e 2014). E tem pela frente várias oportunidades para igualá-lo ou ultrapassá-lo. "São os meus últimos Jogos Olímpicos. Só me quero concentrar em fazer boas corridas. No final farei contas a quantas medalhas ganhei", afirma.

Ouro sul-coreano, pódio holandês

Além do ouro de Charlotte Kalla em 15 skiathlon (a sueca, de 30 anos, ganhou a sexta medalha olímpica), ontem foram atribuídos mais quatro títulos. E um deles sorriu ao país anfitrião da competição.

Ao mesmo tempo que a equipa unificada da Coreia, com atletas do Norte e do Sul, se estreava no torneio feminino de hóquei no gelo (foi goleada pela Suíça, por 8-0), Lim Hyo-jun vencia a final de 1500 metros masculinos, na patinagem de velocidade. "O peso [desta conquista] é ainda maior por ser no meu país natal, com a minha família aqui a assistir", sublinhou o patinador, de 21 anos (que alcançou a sua primeira medalhas em Jogos).

A Holanda vingou-se na prova de 3000 femininos, arrebatando ouro (Carlijn Achtereekte), prata (Ireen Wust) e bronze (Antoinette de Jong). E os outros dois títulos do dia foram para alemães. Laura Dahlmeier, que aspira a seis medalhas no biatlo, ganhou o primeiro ouro, na prova de 7,5 km sprint, terminando com a hegemonia da (ex-bicampeã) Anastasiya Kuzmina (apenas 13.ª). E, a fechar o dia, Andreas Wellinger venceu a final de trampolim normal (saltos de esqui), surpreendendo todos os candidatos - em especial o favorito Kamil Stoch (quarto).

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