Cova da Piedade não esteve longe de vergar o leãozinho

Jesus assustou-se, viu a bola no poste e na barra de Patrício e, por isso, recorreu aos decisivos Bruno Fernandes e Bas Dost

A Taça de Portugal é mesmo assim e ontem o dia foi fértil em surpresas. No Bonfim, a dado momento, pensou-se que o Cova da Piedade, que milita na II Liga, a jogar em campo neutro por imperativos televisivos que vão atraiçoando o espírito da prova, podia dar sequências às proezas de Caldas e Desportivo da Aves, que lograram a qualificação apesar de não serem favoritos nas eliminatórias que disputaram.

Percebia-se a intenção de Jorge Jesus, que já não tinha convocado William e Gelson, ao deixar Bruno Fernandes e Bas Dost no banco.

Os 45 minutos iniciais do Sporting foram de baixa intensidade e qualidade. A bola rodava, mas sempre com pouca velocidade e isso, aliado à elevada motivação dos piedenses, deixava o leão perdido num labirinto.

Com rigor, as duas melhores oportunidades da primeira parte, e com distância, foram dos piedenses; remate de Robson ao poste (11") e disparo de Hugo Firmino à barra (40") naquela que foi a melhor jogada do encontro.

Verdade que o Sporting teve nos pés de Bryan Ruiz e de Doumbia boas possibilidades, mas nada que se aproximasse das hipóteses flagrantes do conjunto de Bruno Ribeiro, que ocupa um modesto 13.º posto na II Liga.

Perante isto, Jorge Jesus recompôs-se do susto e não esteve com meias-medidas; ao intervalo retirou Bruno César e Bryan Ruiz do campo e lançou os superlativos Bruno Fernandes e Bas Dost, que acabaram por ser decisivos, quanto mais não seja por terem apontado os golos do encontro, ainda que o remate vitorioso do internacional português tenha sido de enorme felicidade, pois foi a tabela em Evaldo que deixou o guardião Joyce sem hipóteses de travar a marcha da bola.

Logo depois de Bruno Fernandes ter aberto o marcador o Cova da Piedade empatou de penálti por uma alegada mão de André Pinto. Cleo, muito sereno, enganou Patrício e foi aí que o Sporting percebeu que tinha a eliminatória ameaçada, pois não esperava a reação do clube do concelho de Almada.

Com muito suor, mas pouco engenho, o Sporting fez o que lhe competia apertando o cerco. Doumbia e André Pinto faziam brilhar Joyce, os leões circulavam a bola, enfim, com velocidade mas o lance que levaria ao desbloquear da eliminatória tardava em aparecer até que num lance estudado, através de um canto, Bas Dost emendou um desvio de Battaglia. E pronto, a incerteza terminava aí.

O que fica para a história é a qualificação do Sporting para as meias--finais, ponto mais alto de Jesus em Alvalade nesta prova, mas nunca saberemos o que teria acontecido se os piedenses têm concretizado um dos lances da primeira parte em que a bola embateu no ferro da baliza de Rui Patrício.

A sensação que fica é que o leão não passou de um leãozinho na noite de ontem e que o cenário de o Cova da Piedade protagonizar uma surpresa não era propriamente aquilo a que denominamos de utopia; o clube da II Liga deixou uma ótima imagem a quem esteve no Bonfim ou viu o jogo pela TV.

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