Conceição abalado com ataque ao carro da família, mas não pensa sair

Treinador ficou extremamente desagradado com o apedrejamento ao carro da mulher onde seguiam dois dos seus filhos. Rui Moreira esperava reação mais enérgica dos dragões.

A goleada (0-4) sofrida pelo FC Porto diante do Club Brugge, no Estádio do Dragão, terça-feira à noite, deixou duras mossas no plano desportivo e fez espoletar o que de pior há no futebol, com um grupo de adeptos, no final do jogo, a apedrejar o carro onde seguia a mulher de Sérgio Conceição e dois dos filhos do casal. O caso foi entregue à PSP, o FC Porto repudiou a situação e até o edil Rui Moreira comentou o sucedido. Segundo o DN apurou, Conceição ficou "extremamente desagradado e abalado" com a situação, mas a mesma fonte garantiu ao nosso jornal que "é prematuro" falar-se numa saída.

O caso aconteceu após o jogo com o Club Brugge. Liliana Conceição deixou o Dragão pouco depois de a partida terminar, e quando ia a passar pela zona do Museu do FC Porto, o carro que conduzia foi apedrejado por um grupo de adeptos que também lançou insultos.

Fotos dos estragos causados pelo ataque já foram entretanto divulgadas pelo Porto Canal nas suas redes sociais.

Na viatura, além de Liliana, seguiam os filhos Rodrigo Conceição, do plantel principal dos dragões, e José Conceição, o mais novo da família que atua nos sub-8 portistas. De acordo com a PSP, onde mais tarde foi apresentada queixa, não resultaram ferimentos - o carro terá ficado com vidros estilhaçados. Mas a situação deixou a família do técnico portista bastante assustada, inclusive Conceição, que soube do sucedido minutos depois, ainda no Dragão.

A cúpula portista reagiu ao sucedido em forma de comunicado, ao início da tarde de quarta-feira. "O FC Porto repudia totalmente o ataque ao carro da família do treinador Sérgio Conceição, ontem à noite, na saída do Estádio do Dragão. O FC Porto lamenta, ainda, a falta de proteção das autoridades, e apela a que o autor ou autores deste ato selvagem sejam rapidamente identificados e responsabilizados", podia ler-se. Nas redes sociais, vários adeptos lamentaram o ato e prestaram solidariedade ao treinador.

O FC Porto apontou o dedo à segurança do jogo, pois devido ao clima de insatisfação, teria sido mais prudente ter aquela zona mais policiada, algo que, sabe o DN, é também a opinião de Sérgio Conceição, que ficou muito incomodado com o sucedido.

Fonte próxima do treinador portista confirmou ao nosso jornal que o treino previsto para a manhã de ontem foi adiado para a tarde. E que Conceição ficou "extremamente desagradado e abalado" com o sucedido com a família, e que pretende levar o caso até às últimas consequência. A mesma fonte, porém, disse ao DN que "é prematuro" falar-se numa saída do treinador na sequência deste episódio.

Rui Moreira recorda Adriaanse

O caso mereceu também uma tomada de posição firme de Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, na qual o governante, além de lamentar o ataque, recordou a agressão que Co Adriaanse foi em alvo em 2006 e confessou que esperava uma tomada de posição mais "enérgica" do FC Porto.

"Não sei quem foram os "heróis" autores dessa proeza. Duvido que venham a ser identificados. Mas deixo aqui a minha solidariedade pessoal ao Sérgio Conceição e à sua família. E um apelo, talvez inútil, a quem conheça os autores da proeza", começou por escrever na sua conta no Facebook.

Rui Moreira lamentou situação e deixou um reparo ao FC Porto: "Gostaria que a reação do clube tivesse sido mais enérgica. Não basta lamentar."

"A bem da lei, da ética, dos princípios, do clube, da nossa sociedade, devem contar o que sabem. Gostaria que a reação do clube tivesse sido mais enérgica: não basta lamentar e acusar as autoridades competentes. É necessária alguma introspeção. Para onde vamos? Porque razão atraímos esta gente, e afastamos outros? Disse-o em 2015 [n.d.r: em 2006], quando houve uma emboscada a Co Adriaanse, digo-o agora de novo", concluiu.

Também a claque portista Super Dragões, com quem Conceição nem sempre teve uma relação fácil, lamentou o ataque. "A direção repudia veementemente os factos ocorridos que envolveram o nosso jogador Rodrigo Conceição e a sua família. O nosso apoio é incondicional ao plantel e à equipa técnica", lia-se na nota.

Uma vitória em nove

A goleada imposta pelo Brugge deixa as contas do FC Porto muito complicadas no Grupo B. A estatística da Champions mostra que só 10% das equipas que perderam os dois primeiros jogos na fase de grupos se qualificaram (13 em 136 casos) - curiosamente, na época passada, o Sporting foi uma delas.

O escândalo ganha maiores contornos por se tratar de uma equipa fora da alta roda europeia e de a derrota ter sido sofrida no Dragão. Foi apenas a sétima vez em toda a história que o FC Porto perdeu por quatro ou mais golos em casa. Algo que neste século só tinha acontecido três vezes - com o Nacional, para o campeonato, em 2004-05, e na Champions com o Liverpool, na temporada 2017-18 e 2021-22.

Este resultado negativo vem também acentuar a crise de resultados do FC Porto nas provais europeia. Nos últimos nove jogos em provas da UEFA, os dragões só venceram um, diante da Lazio, a 17 de fevereiro, na Liga Europa.

nuno.fernandes@dn.pt

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