Com Palmer na memória e de olho em Alex Noren

A 10.ª edição do Portugal Masters arranca amanhã, com uma constelação estrangeira encabeçada por um sueco em grande forma. Melo Gouveia lidera a armada lusa

É a celebração de um número redondo, uma derradeira homenagem ao legado do lendário Arnold Palmer e junta uma pequena constelação de figuras europeias da modalidade, encabeçada por um sueco em grande forma: amanhã arranca, no Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura, a 10.ª edição do Portugal Masters, a mais importante prova de golfe que decorre anualmente em Portugal.

Os olhos dos fãs podem deter--se, em primeiro lugar, na estrela sueca: Alex Noren aterra em Vilamoura três dias depois de ter vencido o British Masters, tornando--se o único golfista que já venceu nesta época três torneios do European Tour (antes triunfara no Omega European Masters e no Aberdeen Asset Management Scottish Open).

Aos 34 anos, recuperado das lesões que o atormentaram em 2014, o nórdico vive uma segunda juventude, onde parece retirar tanto prazer nos greens como nos tempos de infância, em Haninge (arredores de Estocolmo), quando desafiava os amigos para uma partida a troco de um gelado.

Desde abril, Noren - formado no sistema de desporto universitário dos EUA - somou mais quatro classificações de top 10 (além das três vitórias) e é um dos grandes candidatos a manter a insólita tradição do Portugal Masters de ter um campeão não inglês nos anos pares (foi assim em 2008, 2010, 2012 e 2014) e inglês nos anos ímpares (2007, 2009, 2011, 2013 e 2015). No entanto, não está sozinho: há também o belga Thomas Pieters, os franceses Alexander Lévy (vencedor em 2014) e Victor Dubuisson, o galês Jamie Donaldson e o espanhol Álvaro Quirós, que se juntam a velhas glórias como José María Olazábal, Thomas Bjørn, Padraig Harrington e Paul Lawrie.

O inglês Andy Sullivan comanda a armada inglesa, procurando revalidar o título que conquistou em 2015, e é outro dos grandes cabeças-de-cartaz desta etapa portuguesa do circuito europeu de golfe. Afinal, ele e o belga Pieters fizeram parte da equipa europeia que participou na última Ryder Cup (perdida, no mês passado, para os EUA).

Thomas Pieters, que foi o melhor estreante da Ryder Cup, é um dos muitos admiradores do campo do Oceânico Victoria Golf Course. "Conheço muito bem o campo e quase que posso jogá-lo em piloto automático: ajusta-se perfeitamente às minhas características e joguei muito bem lá no ano passado. Espero voltar a ter uma boa semana neste ano. É claro que regresso para ganhar. É um título que adoraria levar para casa", disse o jogador belga, de 24 anos, em declarações ao site do European Tour.

Ora, esta 10.ª edição do Portugal Masters serve também para lembrar o homem que desenhou o percurso algarvio, Arnold Palmer - o norte-americano que brilhou nas décadas de 1950 e 1960, tornando-se um "embaixador" da modalidade, e faleceu no final do mês passado. O Oceânico Victoria Golf Course foi o primeiro campo desenhado pelo lendário ex-golfista na Europa Continental - e Palmer, que ontem foi homenageado numa cerimónia no buraco 18, sempre se mostrou "particularmente orgulhoso" dele.

Oito portugueses em prova

De resto, o torneio que se disputa entre amanhã e domingo, no complexo turístico de Vilamoura (já hoje decorre o Pro-Am), também reúne a elite do golfe português - apenas com as ausências de Ricardo Santos e Filipe Lima, ambos a participar no Open de Foshan, na China, prova do circuito challenger, cujos pontos são importantes para tentarem conseguir entrada na próxima edição do European Tour.

Além de Ricardo Melo Gouveia, que tem entrada direta por se encontrar a disputar o circuito europeu (e que já garantiu o cartão para continuar no próxmo ano), vão marcar presença no campo do Oceânico Victoria os profissionais Pedro Figueiredo, Hugo Santos, Tiago Cruz, João Ramos e João Carlota e os amadores Tomás Silva e Pedro Lancastre. O Portugal Masters distribui prémios no valor de dois milhões de euros.

5 Figuras

Thomas Pieters

› Bélgica

› 24 anos

› 41º ranking mundial

› 18º Race To Dubai

› 3 vitórias no European Tour › O jovem belga impressionou na sua estreia na Ryder Cup, neste ano, conseguindo ser o jogador com mais pontos conquistados. Nos Jogos do Rio falhou o pódio por muito pouco (4º), mas já acrescentou neste ano um terceiro título ao palmarés no European Tour.

Andy Sullivan

› Inglaterra

› 29 anos

› 53º ranking mundial

› 15º Race To Dubai

› 3 vitórias no European Tour

› O inglês volta a Vilamoura para defender o título do ano passado, um dos três que ganhou em 2015. Neste ano, Sullivan, que também integrou a seleção europeia na Ryder Cup, obteve como melhor resultado o segundo lugar no Dubai, em fevereiro.

Alex Noren

› Suécia

› 34 anos

› 18º ranking mundial

› 4º Race To Dubai

› 7 vitórias no European Tour

› O sueco é um dos jogadores mais em forma neste ano, sendo o único que já venceu três torneios do European Tour em 2016, o último deles o British Open, no domingo. Além disso, saltou para quarto na tabela anual Race To Dubai.

Alexander Levy

› França

› 26 anos

› 96º ranking mundial

› 27º Race To Dubai

› 3 vitórias no European Tour

› O prodígio francês está de volta à boa forma e ganhou já neste ano o seu terceiro torneio no European Tour, tornando-se o mais jovem francês de sempre a consegui-lo. Em 2014 ganhou em Vilamoura, num Portugal Masters afetado pelo mau tempo que obrigou a cortar o torneio para duas rondas.

José María Olazábal

› Espanha

› 50 anos

› 1668º ranking mundial

› 23 vitórias no European Tour

› Uma das grandes figuras do golfe europeu, com palmarés recheado, no qual se destacam duas vitórias no Masters de Augusta (1994 e 1999). Regressa aos greens depois de um ano e meio afastado por uma lesão crónica (artrite reumatoide) e este é o segundo teste à sua reabilitação, depois do British Masters da semana passada.

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