Coates foi rei na defesa e no ataque. Pedro Gonçalves, o goleador

O defesa uruguaio foi o patrão do Sporting campeão, enquanto o médio ofensivo que chegou do Famalicão destacou-se na finalização. Mas há outros nomes a ter em conta.

O capitão Coates e Pedro Gonçalves foram as figuras predominantes do coletivo do Sporting na caminhada para o 19.º título de campeão nacional de futebol, bem secundados por Adán e João Palhinha.

O médio ofensivo, de 22 anos, chegou a Alvalade proveniente do Famalicão para se afirmar no conjunto orientado por Rúben Amorim, assumindo-se como o motor da equipa, que continua invicta, principalmente pela capacidade de finalização.

Ainda assim, Pedro Gonçalves é um dos indiscutíveis no onze de Alvalade e lidera a lista de melhores marcadores da I Liga, juntamente com o benfiquista Haris Seferovic, ambos com 18 golos.

O internacional português sub-21 tornou-se o grande destaque da equipa, muito por culpa da entrada de rompante que teve, com 10 golos em seis jogos consecutivos dos verde e brancos, entre a quinta e a nona jornadas - com um em atraso da primeira pelo meio -, nas quais bisou diante de Santa Clara (1-2), Tondela (4-0), Vitória de Guimarães (0-4) e Moreirense (2-1).

O segredo do 19.º título leonino não esteve apenas no meio-campo, começando, desde logo, entre os postes, com a aquisição do guarda-redes espanhol Antonio Ádan a revelar-se muito acertada, depois de duas épocas no Atlético de Madrid em que praticamente não jogou.

O experiente guardião, quase a completar 34 anos, apresentou-se inúmeras vezes intransponível na baliza, anotando grandes exibições, que valeram preciosos pontos, e nem mesmo um ou outro erro, mancham a aposta no guarda-redes formado no Real Madrid.

A cumprir a sexta época em Alvalade, o central uruguaio Sebastián Coates foi não só imperial no capítulo defensivo, como no ofensivo, conseguindo golos que valeram pontos preciosos numa caminhada histórica.

Esta é a temporada mais goleadora do defesa internacional, de 30 anos, que contabiliza sete golos, sendo que os mais importantes aconteceram quando empates e derrotas pareciam ser o desfecho mais provável, nomeadamente em Barcelos (2-1), onde operou a reviravolta com um bis, à 18.ª jornada, na receção ao Santa Clara (22.ª), ao marcar o 2-1 final, e, mais recentemente, face ao Belenenses SAD (28.ª), também em Alvalade, ao marcar o golo que iniciou a recuperação rumo ao empate (2-2).

A espinha dorsal do novo campeão esteve entregue ao médio João Palhinha, que depois de duas épocas emprestado ao Sporting de Braga, regressou a 'casa' para voltar a trabalhar com Rúben Amorim e impor-se definitivamente no onze, o que lhe valeu a primeira chamada à seleção principal.

O lateral Nuno Mendes, de apenas 18 anos, também foi apadrinhado por Fernando Santos, depois de se ter afirmado na esquerda 'leonina', fazendo esquecer o argentino Marcus Acuña.

Mas, foi no ataque que surgiram as grandes dúvidas e para muitos a maior lacuna da equipa campeã nacional, devido à falta de opções para ponta de lança.

Atacar uma temporada apenas com o ainda júnior Tiago Tomás e Andraz Sporar, perdendo de forma algo inesperada um presumível titular Luciano Vietto, fez com que Ruben Amorim tivesse de inventar soluções para que a equipa não se ressentisse.

A sonante contratação da época apenas chegou em janeiro, quando Paulinho deixou o Sporting de Braga, num negócio avaliado em 16 milhões de euros, com Borja e Sporar a seguirem o caminho inverso, mas, quando se esperava que o artilheiro apresentasse golos de imediato, não aconteceu e soma apenas três, ainda que o último seja o do título, no 1-0 ao Boavista.

De resto, outros leões como o espanhol Pedro Porro, emprestado pelos ingleses do Manchester City, o brasileiro Matheus Nunes ou o cabo-verdiano Jovane Cabral foram igualmente preponderes na campanha 'verde e branca'.

O lateral direito emprestado pelo Manchester City chegou depois de uma época trepidante no Valladolid e beneficiou do afastamento de Stefan Ristovski no início da época para ficar sem concorrência. Além das boas exibições, 'selou' a conquista da Taça da Liga e chegou à seleção espanhola.

Já o médio brasileiro, quase sempre suplente, foi o joker em duas cruciais partidas ante rivais, ao anotar o golo da vitória na receção ao Benfica (1-0), à 16.ª ronda, e outro em Braga (1-0), à 29.ª, depois de a equipa ficar reduzida a 10 jogadores desde os 18 minutos, enquanto Jovane Cabral saltou muitas vezes do banco para contribuir com golos e assistências.

Numa equipa em que o coletivo foi efetivamente mais forte do que as individualidades, merecem ainda destaque a fiabilidade de Feddal e a entrega de Neto, João Mário e Nuno Santos, sem esquecer os jovens Gonçalo Inácio e Daniel Bragança.

Nota ainda para a estreia do médio Dário Essugo, igualmente campeão, depois de, em 20 de março de 2021, aos 16 anos e seis dias, se ter tornado no mais jovem jogador a jogar na I Liga, na vitória caseira por 1-0 frente ao Vitória de Guimarães.

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