Clubes acreditam que a FIFA vai aceitar transferência de Adrien

"Estamos todos calmos à espera de ver o que vai acontecer", disse Bruno de Carvalho. Em 2011, Djaló não conseguiu ir para o Nice

A transferência de Adrien Silva do Sporting para o Leicester está nas mãos da FIFA e só este organismo poderá validar o negócio que não terá dado entrada no sistema eletrónico de validação de transferências, denominado de TMS (Transfer Matching System).

De Inglaterra chegaram notícias de que o Leicester inscreveu o médio português na Premier League, embora esteja sujeito à validação da FIFA, enquanto em Portugal o Sporting informou a CMVM do acordo para a transação do jogador, frisando, porém, que está dependente do organismo internacional. Aliás, Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, fez questão ontem de apelar à paciência em relação a este caso: "Estamos todos calmos à espera de ver o que vai acontecer, muito calmos e tranquilos. A vida é assim, temos de saber ter calma."

O TMS é o sistema que valida as transferências entre clubes de federações diferentes. E é para aqui que tem de ser remetida toda a documentação requerida para que seja gerado um certificado internacional de transferência (ITC) que permitirá mudar o registo de um futebolista de um país para outro. Só que este processo tem de ser realizado nos prazos, o que no caso de Adrien Silva era até às 23.00 em Portugal e Inglaterra (meia-noite em Zurique, onde é a sede da FIFA). Se a documentação não entrar dentro desse prazo, o sistema TMS simplesmente não aceita a transferência de forma automática.

No caso de Adrien, o Leicester solicitou na quinta-feira à noite, à Federação Inglesa (FA), que autorizasse o prolongamento do prazo em duas horas, algo que foi aceite. Na realidade, além do negócio entre Sporting e Leicester, havia outros cinco que tinham requerido o mesmo adiamento, mas todos eles relativos a transferências entre clubes ingleses, que não necessitam de validação através do TMS. Um dos casos envolvia Danny Drinkwater, que se transferiu do Leicester para o Chelsea, com a devida autorização da FA e da Premier League.

FIFA costuma respeitar o TMS

Sporting e Leicester esperavam que a FIFA se pronunciasse durante o dia de ontem, o que não veio a acontecer. E a verdade é que em casos recentes como o de Yannick Djaló do Sporting para o Nice, em 2011, ou no ano passado de David De Gea do Manchester United para o Real Madrid, com Keylor Navas a fazer o sentido inverso, as transferências não se realizaram por terem sido feitas fora de horas.

Paulo Relógio, advogado especialista em direito desportivo, explicou ontem ao DN que "a FIFA não costuma passar por cima do TMS porque se o fizesse desacreditava o sistema" que ela própria implementou para as transferências internacionais. "Se o fizesse corria o risco de, no futuro, outros clubes não cumprissem as regras", sublinhou, adiantando, no entanto, que "há exceções muito específicas que são consideradas e que estão no regulamento". E uma delas tem a ver com eventuais falhas do sistema, que não terá sido o caso de Adrien.

E o que acontecerá se a FIFA recusar a transferência? Paulo Relógio revela que tal dependerá da forma como foi redigido o contrato. "Se no contrato estiver que a validação está sujeita à validação, o jogador regressa ao Sporting", explica, alertando que se não houver essa salvaguarda "o jogador corre o risco de não poder jogar até à reabertura do mercado, em janeiro". Um caso para seguir nos próximos dias...

Versões diferentes por William

Bruno de Carvalho garantiu ontem que "não houve uma única proposta" por William Carvalho, deixando outra certeza: "Viu-se milhões e milhões nas capas dos jornais, nas televisões, mas o Sporting não recusou, nem muito nem pouco. Não houve propostas."

Esta versão foi contudo desmentida por David Sullivan, um dos proprietários do West Ham: "Não é segredo que fizemos uma proposta recorde ao Sporting por William mas ela foi rejeitada há algumas semanas. Na noite passada [quinta-feira], o Sporting contactou-nos para aceitar a proposta original mas, infelizmente, foi muito tarde e não tivemos tempo para colocar os jogador a fazer exames médicos."

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