Chris cruzou o Atlântico numa prancha de paddle

Foram 93 dias e mais de 7000 quilómetros entre Marrocos e a ilha de Antígua. O sul-africano foi o único a conseguir fazê-lo

Durante 93 dias, o sul-africano Chris Bertish, de 42 anos, remou diariamente numa espécie de prancha de paddle a distância equivalente a uma maratona. Na quinta-feira, dia 9, chegou à ilha de Antígua e cumpriu o objetivo traçado: tornou-se a primeira pessoa a atravessar o oceano Atlântico numa stand-up paddle, sozinho e sem qualquer assistência.

No total foram cerca de três meses no mar, desde que partiu no dia 6 de dezembro de Agadir, em Marrocos, onde iniciou esta verdadeira aventura - esperava percorrer a distância em 120 dias, mas acabou por conseguir fazê-lo em 93. No total foram 4500 milhas, cerca de 7242 quilómetros, algo que nunca sequer ninguém se aproximou.

Para conseguir cumprir esta missão, construiu uma plataforma, sem motor, onde tinha um pequeno espaço para descansar. A prancha de seis metros, que custou cerca de cem mil euros e foi desenhada pelo arquiteto naval Phil Morrison, tinha ainda dois painéis solares que alimentavam um painel eletrónico que funcionava como GPS, e permitiam ainda a Bertish poder utilizar um rádio, um telefone satélite, um computador, um radar e outros dispositivos eletrónicos. Mas nada de motores! Para a travessia ser considerada como feita numa prancha de paddle, o aventureiro sul-africano, que é conhecido por surfar ondas gigantes, apenas tinha um remo para dar velocidade à prancha.

Num compartimento da plataforma armazenou comida, água e suplementos alimentícios que lhe permitiam sobreviver mais 50 dias além dos 93 que demorou a chegar ao destino. A travessia foi documentada diariamente, através do Facebook, com textos, fotografias e vídeos. Apesar de ter sido obrigado várias vezes a mudar a rota, devido ao mau tempo, nunca parou. Mesmo quando se cruzou com baleias e tubarões.

"Em determinados dias o céu era realmente feroz e sinistro. Mas depois as nuvens desapareciam e surgia o sol a iluminar o meu caminho. Foi algo espetacular, era só eu ali no meio daquilo tudo", contou ao jornal The New York Times, confessando que "os últimos três dias foram superintensos".

Percalços e solidariedade

A travessia também teve momentos conturbados. A meio de fevereiro, por exemplo, partiram-se algumas peças e a prancha começou a meter água. Ou quando algumas peças precisavam de lubrificante e sem óleo improvisou com protetor solar. Problemas de saúde só teve um no pulso e tenciona em breve ser operado.

Esta viagem tinha associada uma ação de solidariedade, pois permitiu a Chris Bertish recolher cerca de 375 mil euros através de patrocínios, que serão agora canalizados para ajudar na construção de cinco escolas na África do Sul, num fundo alimentar para crianças e para ajudar financeiramente em cirurgias para menores de idade.

Há precisamente um ano, Nicolas Jarossay, um bombeiro francês, tentou realizar a mesma travessia. Partiu de Cabo Verde, mas 24 horas depois foi forçado a desistir da aventura. "Depois de várias horas na água, Nicolas teve de ser levado para terra pelos socorristas de Cabo Verde", informou a comitiva de Jarossay no Facebook, sem explicar o problema. O atleta ainda foi ao hospital, mas teve alta pouco depois e seguiu para França.

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