Chapelada de Fábio Martins deixa leões feitos num oito em Trás-os-Montes

Apesar de ter dado a volta ao marcador quando estava reduzida a dez unidades, a equipa de Jorge Jesus acabou por não conseguir segurar a vantagem em Chaves e desperdiçou escorregadela do Benfica. Na terça-feira há novo duelo, para a Taça

Um golo espetacular de Fábio Martins, já nos instantes finais do encontro, evitou que o Sporting passasse o teste de Chaves, cedendo novo empate (2-2) e desperdiçando a hipótese de se aproximar do líder, que continua assim a oito pontos. Mas, pelo futebol que apresentou - e que tem sido habitual nesta época, só mascarado pela produtividade de Bas Dost -, o conjunto leonino deve preocupar-se mais com os adversários que tem por perto, pois nem o terceiro lugar está seguro. Já o Chaves justificou a boa temporada que tem protagonizado e acabou recompensado num lance genial.

Num terreno tradicionalmente difícil para os leões, Jorge Jesus, ainda a cumprir castigo, contou com os regressos de Rui Patrício e de Rúben Semedo e voltou a investir em Alan Ruiz para "oficial" de ligação entre o meio-campo e o ataque. Do outro lado, Ricardo Soares, o sucessor de Jorge Simão em Chaves, não teve medo: com Fábio Santos lesionado, optou por fazer atuar dois avançados promovendo Rafael Lopes a titular, cabendo a Braga um papel mais recuado no centro do setor intermediário.

E o arranque de jogo deu-lhe razão: tal como sucedera em Vila do Conde com Gil Dias, Perdigão aproveitou a maior propensão ofensiva de Bruno César na esquerda para escapar sem marcação e centrar com conta, peso e medida. A bola caiu entre Coates e Esgaio, onde Rafael Lopes cabeceou sem oposição para o fundo da baliza leonina.

Num jogo em que precisava de entrar bem, o Sporting acusou o golpe de consentir um golo logo aos quatro minutos. Sem espaço junto à área contrária, a equipa voltou ao futebol de posse, lento e previsível, tentando depois cruzar para a área à espera de que Bas Dost resolvesse. O Chaves agradeceu e continuou uma equipa unida, a dar poucos espaços e a procurar sair em transições rápidas pelos flancos, explorando as fraquezas dos laterais contrários.

E foi assim que, aos 31 minutos, a equipa da casa esteve perto de fazer o segundo: Fábio Martins fugiu que nem um foguete a Esgaio e conseguiu espaço para um remate cruzado que não saiu longe do poste contrário.

Empate cai do céu

O Sporting ganhou então três cantos seguidos mas continuava sem criar uma oportunidade clara de golo. Ainda assim, conseguiu chegar ao empate já no período de compensação, quando Gelson tirou finalmente um cruzamento perfeito e o seu colega holandês não perdoou, desviando bem de cabeça no coração da área.

Descontente com a produção da equipa, Jesus trocou Alan Ruiz e Joel Campbell por André e Bryan Ruiz ao intervalo. O conjunto subiu um pouco de produção, beneficiando também do desgaste que se ia acumulando do lado contrário. No entanto, no último terço tudo se mantinha igual. Há demasiados jogadores em mau momento (até Gelson parece contagiado pelo ambiente geral) e tudo acontece de forma lenta e previsível.

À entrada dos 20 minutos finais, o panorama agravou-se, quando Rúben Semedo viu justamente o segundo amarelo e deixou a equipa com dez. Mas foi assim que o Sporting chegou à vantagem, de forma quase inesperada. Bruno César lançou André e este centrou para Bas Dost desviar na cara de Ricardo.

Jesus retirou depois o holandês para colocar Paulo Oliveira e os leões até foram controlando as coisas. Só não contaram com o chapéu de Fábio Martins, que mostrou uma vez mais como o problema leonino passa muito pela forma como defende mal coletivamente. Na terça-feira há mais e aí o Sporting não pode falhar: pelo andar da carruagem, só a Taça de Portugal pode dar alguma cor a uma época que tem sido uma desilusão para os objetivos traçados no início.

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