Bryson DeChambeau quer ser o Einstein do golfe

Jogador amador, licenciado em Física, surpreende com métodos inovadores e promete revolucionar a modalidade

"Olha-se para a história da humanidade e percebe-se que as pessoas gostam de copiar fórmulas feitas, seguir modas. Mas depois também temos exemplos como Albert Einstein ou George Washington: eles assumiram pensamentos diferentes e provaram ao mundo que tinham razão". Bryson DeChambeau não se acanha nas referências. Licenciado em Física, o campeão norte-americano de amadores, de 22 anos, quer deixar também uma marca revolucionária no mundo do golfe, com as suas técnicas... diferentes. E os resultados têm reforçado a esperança deste golfista peculiar que já ganhou a alcunha de "mad scientist [cientista louco]".

No Abu Dhabi, num torneio do European Tour que decorre até amanhã, Bryson DeChambeau tem roubado um mediatismo que se esperava centrado no duelo entre o líder mundial Jordan Spieth e o norte-irlandês Rory McIlroy. Liderou isolado a primeira volta e ontem seguia no segundo lugar do torneio, entre os melhores profissionais do mundo, quando a segunda volta foi interrompida pelo mau tempo - o português Melo Gouveia estava dentro do cut provisório, em 56.º (-1).

Apesar de amador, DeChambeau já conseguiu criar em seu redor um grande burburinho mediático, pela abordagem inovadora ao golfe e pelo ar de dandy ultraconfiante. De resto, estava ainda no colégio quando anunciou ao pai que iria "transformar o golfe".

O californiano, estudante da Universidade Metodista em Dallas, é uma espécie de autodidata na modalidade, para onde transpôs a natureza experimentalista desenvolvida no curso de Física: encontrou a fórmula ideal para o seu swing ao mesclar vários movimentos estudados no seu livro de culto (The Golfing Machine), desenha os próprios tacos, corta-os todos com os mesmos tamanhos e ângulos (inédito no golfe) e submete as bolas que usa a um teste de sulfato de magnésio (sais de Epsom), mergulhando-as em água com este mineral para detetar irregularidades.

Métodos pouco convencionais que ainda fazem que Bryson DeChambeau seja olhado com algum descrédito por parte dos golfistas mais tradicionais. O que não lhe abala a confiança. Afinal, lembra, "Einstein também foi considerado um lunático até se provar que era um génio".

O certo é que os resultados vão reforçando o ego do "cientista louco", que não dispensa uma boina à Ben Hogan [golfista da primeira metade do século XX] e dá autógrafos com o nome escrito de trás para a frente com a mão canhota, apesar de destro ("ajuda-me a melhorar as capacidades motoras").

Em 2015, Bryson DeChambeau tornou-se o quinto golfista da história a conseguir ganhar no mesmo ano o campeonato de amadores e o campeonato universitário dos Estados Unidos, juntando-se a uma lista com os nomes de Jack Nicklaus, Phil Mickelson, Tiger Woods e Ryan Moore. Os experts da modalidade preveem que suba a profissional após o Masters de Augusta, em abril, e os patrocinadores estão ansiosos. DeChambeau garante que não tem pressa: "Gosto de ir apreciando a viagem."

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