Bruno Mascarenhas sai da direção. Mais duas demissões e Bruno de Carvalho cai

São necessárias seis demissões no Conselho Diretivo do Sporting para deixar de haver quórum. Até agora há quatro

Bruno Mascarenhas, vogal da direção de Bruno de Carvalho e muito próximo do presidente, apresentou a sua demissão esta manhã, sabe o DN. Mascarenhas era um elemento importante na estrutura diretiva, já que era representante de Sporting em assuntos na Liga.

Ontem já tinham saído vários membros do Conselho Diretivo (CD): António Rebelo, Luís Loureiro, Jorge Sanches e a suplente Rita Matos.

Assim, com a saída de Mascarenhas, ficam a faltar mais duas demissões para a perda do quórum.

O Conselho Diretivo do Sporting é constituído por onze pessoas. Com a saída, há um ano, de Vicente de Moura, o suplente Jorge Sanches assumiu o lugar vago.

"A Direção é composta por 11 membros, mais dois suplentes e desses 13 já se demitiram seis, por isso, só tem sete membros. Para a direção cair têm de sair mais dois membros, pois só quanto atingir cinco é que não tem quórum", explicou Marta Soares à Lusa.

São então estes os elementos que constituem o Conselho Diretivo:

Presidente - Bruno de Carvalho

Vice-presidentes - Carlos Vieira e António Rebelo (demitiu-se)

Vogais - Rui Caeiro; José Quintela; Alexandre Godinho; Alexandre Rebelo (demitiu-se); Luís Roque; Luís Gestas; Luís Loureiro (demitiu-se) e Jorge Sanches (demitiu-se)

Com onze elementos no CD, são necessárias seis demissões para que a direção caia. Até agora apenas existiram quatro saídas dentro destes nomes (a demissão de Rita Matos não entra na contabilidade do quórum, uma vez que é suplente). Mais duas saídas e Bruno de Carvalho deixa de ter condições estatutárias para se manter na presidência do clube.

"Mantenham a calma e evitem tomadas de posição"

Bruno Mascarenhas despediu-se dos núcleos do clube numa carta a que a agência Lusa teve acesso.

"Nestes momentos muito difíceis que atravessamos, apelo a que mantenham a calma e evitem tomadas de posição. Os órgãos sociais dos núcleos representam o Sporting e os seus associados localmente e por isso têm uma responsabilidade acrescida", lê-se na carta assinada pelo responsável pelo pelouro da expansão e núcleos do clube leonino.

Nesta comunicação, Bruno Mascarenhas enaltece que esta foi uma das áreas que mais cresceu, "ao longo dos últimos cinco anos", detalhando o trabalho feito e identificando o que deve ser feito no futuro.

Entre os vários pontos, o dirigente agora demissionário destaca o debate, em fevereiro de 2019, no congresso dos núcleos, em Vendas Novas, sobre a distribuição de bilhetes para finais de competições em que o clube esteja envolvido, assim como a descentralização das assembleias de voto nas eleições.

"Foram cinco anos muito importantes para o Sporting e tenho a consciência do trabalho realizado. A família dos núcleos aproximou-se e a entreajuda entre todos é hoje assumida como algo natural. A lealdade comigo e com o presidente Bruno de Carvalho, o terem assumido esta cruzada e o empenho que dedicam ao Sporting no vosso dia-a-dia é algo que não esqueço nem nunca esquecerei", prosseguiu.

Bruno Mascarenhas termina a carta com o agradecimento aos colaboradores responsáveis pelos núcleos e com um agradecimento às próprias estruturas locais.

Jesus terá provas de que Bruno de Carvalho deu carta branca à Juve Leo

Entretanto, de acordo com o jornal Público, Jorge Jesus terá na sua posse provas de contactos entre Bruno de Carvalho e os líderes da Juve Leo para autorizarem os membros radicais da claque a "apertarem" com os jogadores e equipa técnica.

De acordo com o jornal, que cita fronte próxima do treinador, Jorge Jesus estará na disposição de apresentar as provas às autoridades caso não chegue a acordo com a atual direção do Sporting para rescindir o seu contrato.

Jorge Jesus acredita que Bruno de Carvalho é o autor moral dos crimes de sequestro, atentado contra a sua integridade física (agressão qualificada) e de associação criminosa.

O técnico, escreve o Público, quer reunir-se com o presidente leonino, até quarta-feira, para formalizar a desvinculação dos quadros da SAD. Mas caso as negociações sejam canceladas, Jesus irá rescindir unilateralmente evocando justa causa.

O treinador leonino terá tido conhecimento de dados relevantes nos últimos dias para o que aconteceu na Academia, em Alcochete, na passada terça-feira.

O jornal refere que Jorge Jesus considera particularmente importantes as declarações do antigo diretor de instalações da Academia do Sporting, José Diogo Salema, que considerou estranhas as circunstâncias da invasão das instalações.

O antigo responsável assegurou que, nos oito anos em que esteve à frente da segurança do espaço, em Alcochete, as portas eram sempre encerradas quando estavam a decorrer treinos. A existência de câmaras também é referida, o que permitiria detetar as movimentações no exterior.

MP diz que ataque foi planeado previamente

O Diário de Notícias apurou que, para o Ministério Público (MP), os 23 detidos pelas agressões na Academia do Sporting agiram de acordo com um plano previamente combinado para intimidar e agredir os jogadores e elementos da equipa técnica da equipa principal do clube.

Segundo a procuradora do MP, o "bando" atuou com um "forte sentimento de impunidade, demonstrando uma personalidade desviante do direito".

São várias as ameaças e os insultos que foram relatados ao Ministério Público pelos jogadores e dirigentes leoninos: "Vocês são uns filhos da puta, cabrões. Vocês são um monte de merda. Vamos-vos matar! Vocês estão fodidos! Vamos-vos arrebentar a boca toda. Não ganhem o jogo no domingo que vocês vão ver".

Os testemunhos indicam que os arguidos iam munidos de tochas, que causaram queimaduras a um elemento da equipa tecnica. Depois, vários jogadores foram agredidos violentamente e o treinador Jorge Jesus foi atingido com um cinto na cara, tendo sido pontapeado em diversas partes do seu corpo.

Segundo ainda a descrição do MP, depois de terem cumprido o seu objetivo premeditado, o "bando" colocou-se em fuga apeada. Nesta altura, a GNR já tinha sido informada dos incidentes e estava a chegar à Academia.

Dois patrocinadores já anunciaram rescisão de contratos

Depois da empresa Grupovarius, agora é o Grupo Inforphone, atual parceiro oficial tecnológico do Sporting, que decidiu desvincular-se do clube de Alvalade, após as agressões na Academia de Alcochete e a tomada de posição da direção de Bruno de Carvalho.

Em comunicado, publicado hoje no Facebook, o grupo afirma que "irá desencadear os mecanismos legais para a desvinculação do contrato assinado entre as partes, nomeadamente por a marca Sporting estar a prejudicar o bom nome e imagem" da empresa.

No texto publicado pela rede social, Tiago Ramos, CEO da empresa, considera que já não há condições face aos recentes desenvolvimentos envolvendo o clube de Alvalade e às declarações do líder leonino Bruno de Carvalho.

"Perante todos os acontecimentos e tomada de posição por parte da direção do Sporting Clube de Portugal, (...) entendemos que já não existem condições para estarmos ligados a uma imagem que nos origina um sentimento de vergonha, arrogância e, acima de tudo, desrespeito pelo nosso esforço em investir no clube e estar associado ao mesmo."

Na rede social, o CEO do Grupo Inforphone assume-se como um "aficionado" do Sporting. "O amor e acompanhamento a este clube será eterno, no entanto não poderei misturar emoções pessoais com as profissionais pois, nós vivemos da nossa imagem e marca, contudo a minha forma de estar e objetivo de vida não se identifica com o que é vivido no clube neste momento, independente da vitória ou de alcance de resultados este clube tinha e espero que retome os seus valores, aqueles que sempre me cativaram desde criança", deseja.

Tiago Ramos termina o comunicado com uma mensagem de esperança para o clube de Alvalade. "O Sporting Clube de Portugal irá certamente ter força no seu símbolo para ultrapassar esta fase negativa".

Também esta sexta-feira, a Grupovarius anunciou que se vai desvincular do clube de Alvalade. Através do Facebook, a empresa informou "que irá desencadear os mecanismos legais de forma a desvincular-se como principal sponsor do Judo do Sporting Clube de Portugal, bem como de qualquer outros compromissos e relações entre as partes".

Com Lusa

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