"Será difícil que FC Porto ou Sporting vendam por menos de 40 milhões/época"

Paulo Reis Mourão, professor de Economia da Universidade do Minho, analisa o negócio da venda dos direitos televisivos do Benfica, o impacto que poderá ter no mercado português e o contexto europeu.

Que impacto é que este negócio terá no mercado nacional?

Tendo em conta a estrutura atual, em oligopsónio, em que dominam poucas empresas de audiovisual, haverá sobretudo uma resposta das outras concorrentes. Também pode acontecer a redefinição /alienação da Benfica TV, com a mudança do exclusivo dos jogos do clube. E vai redefinir o valor das transmissões dos outros grandes. Será difícil que FC Porto ou Sporting alienem os seus jogos por menos de 40 milhões/época.

Pode dizer-se que é um valor alto para Portugal mas baixo para o contexto internacional?

Essa é uma questão histórica. Os vários modelos em discussão advogam que a centralização do negócio (na Liga, por exemplo) traria receitas mais volumosas. Mas os clubes, amedrontados com a indefinição, preferem pouco a nenhum.

Porque é que os direitos de TV de um "grande" português rendem menos do que os dos outros grandes europeus?

Tem a ver com o oligopsónio instaurado em Portugal, que dificulta o alcance de valores mais meritórios para os clubes. E com os factores que tornam os jogos interessantes para o telespectador. O campeonato inglês tem dérbis mais equilibrados, o francês maior número de diferentes campeões nos últimos 30 anos, o italiano equipas com mais títulos internacionais e o espanhol os plantéis mais valiosos do momento. Enquanto a liga portuguesa for uma estação de serviço no caminho para o estrelato europeu de muitos jogadores, os direitos televisivos ficarão dentro dos interesses das empresas de distribuição mediática que operam em Portugal.

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