Rui Vitória contra o mister 33, que conquistou até Maradona

Sarri é um estudioso do futebol, o treinador do momento em Itália. Elogia Pizzi e Salvio, mas assume favoritismo. Técnico do Benfica mantém dúvida na baliza

O Benfica de Rui Vitória enfrenta hoje o Nápoles de Maurizio Sarri (19.45, Sport TV1), um técnico de percurso invulgar que ainda há três anos treinava na 2.ª divisão italiana e hoje orienta os napolitanos na Champions.

Depois do empate com o Besiktas no primeiro jogo (1-1), os encarnados procuram a primeira vitória na Liga dos Campeões no San Paolo, onde, segundo o técnico italiano, encontrarão uma equipa "com melhor futebol do que o do Benfica" e que venceu na primeira jornada (ver quadro).

Rui Vitória preferiu não comentar a declaração do homólogo, por não a ter ouvido da boca do técnico italiano, mas vaticinou "um jogo difícil, num campo difícil, num ambiente difícil, entre duas boas equipas".

Quem não poupou nas palavras foi Sarri, ao assumir que a equipa do Nápoles "está pronta" para um embate difícil ao fim de dez jogos sem perder. "Vi todos os jogos deles e controlam a bola com facilidade. Têm um elevado nível de organização, têm técnica e qualidade. É uma das equipas mais fortes da Europa", elogiou, antes de destacar a qualidade de "Salvio e Pizzi nas alas", e de Gonçalo Guedes, que lhe "deixou uma boa impressão".

Já Vitória preferiu ver o adversário como equipa: "Olhar só para o Hamsik ou para outro é muito redutor e temos de olhar para o Nápoles como um todo, e é assim que os temos de anular." E desviou a conversa quando o assunto chegou à baliza. Ederson ou Júlio César (que admitiu que esteve perto de assinar pelos napolitanos antes de chegar à Luz)? "Logo veremos quem irá jogar. Parece que tem de haver sempre uma novela Benfica. Antes eram as lesões, já não há lesões. Depois era que não ganhávamos em casa, já ganhámos...", respondeu, enigmático.

De bancário-treinador a treinador

Chamam-lhe o mister 33, por ter preparado 33 jogadas de bola parada quanto ainda estava no Sansovino (6.ª divisão italiana). "No final usámos quatro ou cinco", contou Sarri à UEFA, para explicar que "apenas a preparação meticulosa e o conhecimento profundo podem derrotar adversários".

Moldou o Nápoles à sua imagem. Adepto do 4-2-3-1, Sarri começou a usar um sistema de 4-3-1-2 (que para Rui Vitória é um 4-3-3 versátil), sempre com o foco na perfeita organização defensiva. Para isso usa um drone para filmar as movimentações dos atletas nos treinos e assim corrigi-los...

Maurizio Sarri começou a treinar nas divisões secundárias da Toscana, enquanto estudava Economia e trabalhava num banco. Em 2000-01 aceitou orientar o AC Sansovino, da sexta divisão, e prometeu deixar a carreira de treinador se não subisse de divisão. Mas subiu e decidiu que precisava de se "concentrar apenas no treino se quisesse alcançar bons resultados".

E assim foi. Despediu-se do banco e anos depois acabaria por guiar o Empoli até à Serie A, em que se estreou em 2014-15, com um 15.º lugar, depois de alguns triunfos importantes. Um deles frente ao Nápoles, que o viria a escolher para o lugar de Rafa Benítez (em 2015) mesmo contra o desejo de Maradona. "Ele é que é uma lenda. Só espero fazê-lo mudar de ideia", disse Sarri, que já levou o clube à liderança da liga italiana, o que não acontecia desde 1990, na era de El Pibe, conquistando até o astro argentino, que lhe pediu perdão

Antes de se mudar para o San Paolo com um contrato milionário, era o mais mal pago da Serie A e perguntaram-lhe se estava zangado: "Não brinquemos. Eles pagam-me por algo que faria de forma gratuita depois do trabalho. Sou um sortudo."

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