"O jogo de Braga foi o da viragem quando estava à vista o precipício"

Toni explica ao DN os grandes méritos do trabalho de Rui Vitória no Benfica

"O jogo da viragem do Benfica foi em Braga, numa altura em que o precipício estava à vista." A frase é de Toni, antigo capitão e treinador dos encarnados, que fez para o DN uma análise aos quase nove meses de Rui Vitória no comando técnico da equipa.

Os factos mostram que o Benfica chega a esta fase decisiva da temporada na liderança da Liga com dois pontos de avanço sobre o Sporting, segundo classificado, vai disputar com o Sp. Braga o acesso à final da Taça da Liga e anteontem garantiu na Rússia o apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. A juntar a isso, tem um ataque que frente ao Zenit chegou aos 90 golos em todas a competições. Um percurso que começou errático, devido à má entrada na Liga, mas sobretudo às três derrotas com o Sporting que custaram a Supertaça, a Taça de Portugal e um atraso de sete pontos.

Toni recorda a "herança pesada" que Rui Vitória recebeu de seis temporadas de Jorge Jesus, razão pela qual diz terem sido "naturais as comparações e a desconfiança dos adeptos, depois de perder os jogos com o Sporting". Um fardo pesado do qual o técnico encarnado só se conseguiu libertar a 30 de novembro, depois de uma derrota em Alvalade para a Taça e um empate 2-2 em Astana, que valeu o apuramento para os oitavos-de-final da Champions, num jogo em que até esteve a perder 2-0. É essa a data do jogo com o Sporting de Braga, que o Benfica venceu por 2-0 e marcou uma estreia na Liga portuguesa de um jogador que se revelaria determinante. "Com a entrada de Renato Sanches e a passagem do Pizzi para a direita, o meio--campo ganhou fulgor e maior profundidade, além da irreverência de um jovem que, como é natural para a idade, apresenta ainda algumas lacunas", sublinhou Toni.

Os números comprovam a importância da entrada de Renato Sanches no onze, pois em 24 jogos com o jovem o Benfica só empatou dois jogos e perdeu outros tantos. Ainda assim, o antigo técnico recusa a ideia de haver um Benfica antes de Renato Sanches e outro depois. "Há uma melhoria de resultados, para o qual contribuíram ainda outros jogadores como Jonas e Mitroglou pelos golos que continuaram a marcar", frisou, garantindo que o mais importante foi o trabalho realizado para que todos os jogadores encontrassem uma dinâmica coletiva. "Houve processos e princípios de jogo que foram sendo assimilados, com um tipo de liderança novo, bem diferente da anterior, aos quais os resultado foram ajudando após esse jogo de Braga", acrescentou.

No fundo, foi a partir desse momento que "Rui Vitória começou a convencer os mais céticos e a dar razão a quem apostou nele", mostrando então que se trata de "um treinador que trabalha bem as suas equipas e projeta bem os jogos".

Os sinais que os jovens dão

Um dos méritos de Rui Vitória que Toni faz questão de enaltecer é o facto de os jogadores que têm entrado para render lesionados ou castigados terem tido um bom rendimento em campo, algo que em sua opinião se deve "à qualidade dos jogadores e do trabalho do treinador".

E, nesse sentido, considera que "é mais fácil a qualquer futebolista entrar na equipa quando há princípios de jogo bem assimilados por todos". E dá mesmo o exemplo de Samaris, que frente ao Zenit teve de jogar como central: "Um jogador que é médio-defensivo e depois faz o jogo que faz como defesa-central é porque existe cultura tática e uma filosofia de jogo bem assimilada."

E esta é uma ideia que Toni aplica também à estratégia bem-sucedida de lançar jovens como Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Renato Sanches, Lindelöf e Ederson Moraes. "Os jogadores dão sinais ao treinador durante a semana e cabe-lhe captar esses sinais", justificou, assegurando que "Rui Vitória sabe a qualidade dos miúdos", mas ainda assim reconhece que "é preciso coragem" para apostar neles num clube como o Benfica. E este é, para Toni, "cada vez mais o caminho que deve ser seguido", pois "o investimento na formação tem de ser rentabilizado, face às dificuldades financeiras dos clubes".

Compromisso e autoconfiança

Uma das características evidenciadas por Toni é "o compromisso entre todos pela procura de atingir os objetivos", algo para o qual muito contribui "a elevada autoestima que tem origem nas vitórias".

Um dado que na sua opinião pode ser "muito importante numa fase decisiva da época". "Todos os jogadores mostram dominar todos os momentos do jogo e respiram confiança", sublinhou, destacando que isso contribui para "uma grande capacidade mental e de concentração" determinante para "elevar a capacidade de sacrifício".

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