O amigo de Octávio que não perdoa Jorge Jesus

Pedro Guerra, diretor da BTV que revelou incentivos ao Guimarães, publica um livro em que elogia Vieira e ataca o técnico rival

Pedro Guerra, diretor de conteúdos da Benfica TV e comentador afeto ao clube no programa "Prolongamento" da TVI24, vai lançar na próxima terça-feira o livro "Alma Benfiquista". Uma obra onde critica Jorge Jesus, revela os prémios do antigo treinador no clube da Luz e explica porque considera Luís Filipe Vieira "o homem certo no lugar certo", isto depois de ter publicado uma notícia em 2001 sobre o roubo de um camião, protagonizado por Vieira, como represália para ajudar um amigo a receber uma verba em dívida. Sobre Rui Vitória, a quem não poupa elogios, tem uma declaração curiosa: "É internamente considerado como mais do que um treinador."Neste livro de 160 páginas relata episódios curiosos da sua faceta como comentador, em especial com Jorge Coroado e Eduardo Barroso.

Jesus , os jovens e... Jonas

Pedro Guerra dá exemplos de como, no seu entender, Jorge Jesus negligenciou a formação do clube. E revela o que o técnico lhe terá dito sobre Jonas.

"Em três jogos [na época passada], Gonçalo Guedes é lançado a um minuto do final do tempo regulamentar. Uma atitude que pode ser fatal a um jovem talento (...) algo considerado anedótico e incompreensível, pelos responsáveis da SAD. Quem hoje conhece o percurso do jovem jogador, não pode deixar de recriminar a conduta de um treinador que, pasme-se, é considerado como o melhor técnico da Liga portuguesa! Foi preciso chegar Rui Vitória para a aposta nos jovens formados no Seixal ser uma realidade"

"[sobre] o lateral direito João Cancelo, hoje no Valência, Jesus respondeu-me que seria um extremo. Quando Jesus teorizou sobre Bernardo Silva percebi que o jogador tinha o destino traçado (...) num dia posicionou Bernardo num treino a lateral-esquerdo (...) nunca pensei que a hipocrisia pudesse ser tão refinada e maldosa"

"Ederson, Lindelöf, Gonçalo Guedes e Renato Sanches são valores seguros; e há uma certeza que todos os benfiquistas têm por estes dias - com Jorge Jesus isto jamais seria possível"

"Lembro me bem do que Jorge Jesus me dizia acerca de Jonas, das dúvidas que tinha em relação ao seu real valor. Um dia chegou a confidenciar-me que Jonas era bom apenas para os jogos em casa"

A amizade com Octávio

Durante um ano, Pedro Guerra e Octávio Machado foram comentadores na CMTV. Um período que recorda com nostalgia.

"Sobre Octávio Machado só tenho a dizer bem. É um homem com "h" grande, amigo do seu amigo e um grande contador de estórias. Admiro-o imenso. Confesso que fiquei aflito com a notícia de que fora internado, antes do Nacional-Sporting, a 13 de Fevereiro (...) nessa hora não hesitei em enviar-lhe uma SMS. Tenho saudades das nossas conversas após os programas. Com o seu regresso ao Sporting engrossou a onda antibenfiquista primária. Um dos seus principais alvos tem sido, de forma injusta, João Gabriel, director de comunicação do Benfica e o rosto da instituição. Octávio continua, erradamente, a pensar que João Gabriel foi um dos responsáveis pela saída do seu amigo Jorge Jesus do Benfica"

Luís Filipe Vieira

Pedro Guerra tem profunda admiração pelo presidente do Benfica e não o esconde.

"Quem conhece o presidente sabe bem que a sua ambição não tem limites (...) Perdi a conta às vezes em que me disse - "ainda estás a comemorar? Isso é passado! Temos que olhar para a frente e prepararmo-nos para conquistar mais!". "No final da época 2014/2015, Jorge Jesus resolveu sair para Alvalade e (...) ninguém na SAD tremeu ou entrou em pânico. Porquê? Porque a famosa estrutura que Vieira construiu ao longo de 13 anos permitiu fazer regressar a máxima do Velho Capitão Mário Wilson: "quem joga no Benfica arrisca-se a ser Campeão".

"Vieira abomina discursos arrogantes e fanfarrónicos"

"Várias vezes, em conversa, me queixei das equipas de arbitragem. A resposta, invariavelmente, foi a seguinte: "Não me fales nas arbitragens! Se existiram erros, fazem parte dos jogos. Temos é que jogar mais e melhor!"

"Luís Filipe Vieira é o homem certo no lugar certo e só espero que se mantenha, por muitos e longos anos, ao leme do clube"

JJ à margem na vinda de Matic

Quando o Benfica vende David Luiz ao Chelsea, os londrinos propõem a inclusão de Matic no negócio. Pedro Guerra explica quem deu o aval à operação... e Jesus parece ter sido ignorado.

"O Chelsea incluiu o desconhecido Matic no negócio David Luiz. Luís Filipe Vieira informa-se acerca da valia do médio, na altura cedido aos holandeses do Vitesse, e decide arriscar. O presidente fala, previamente, com Domingos Soares de Oliveira e ambos decidem avançar para a fase final do negócio.

Prémios de JJ e Diamantino

Pela primeira vez fica-se a saber os prémios do último contrato de Jesus no Benfica.

"400 000 mil euros, se atingisse as meiasfinais da Liga dos Campeões; 500 000, se atingisse a final; um milhão se vencesse a Champions; 150 000, se se qualificasse para 1/8 final da Liga Europa; 150 000 para 1/4 final da UEFA Europa League; 200 000 referente à qualificação para as meias-finais da UEFA Europa League; 500 000 se vencesse a segunda prova"

"O problema esteve na humildade do técnico e sentido de justiça, e em ter insistido, de forma reiterada quer em público, quer em privado, que o único responsável pelo mérito das conquistas era ele próprio (...) Diamantino ajudou a conquistar dez títulos, treinava a equipa de juniores e Jesus decidiu pô-lo à margem"

Eduardo Barroso e Coroado

Pedro Guerra explica as suas táticas como comentador e descreve duas situações mais quentes.

"Quando chega a parte sempre quente de discussão, quanto à polémica dos lances de arbitragem, decidi invocar o argumento sempre fatal e bastante incómodo: "Quem jogou futebol federado sabe perfeitamente que...". (...) É um argumento demolidor.

"As picardias com este especialista [Jorge Coroado] (...) atingiram um ponto em que estivemos quase a chegar a vias de facto, após um programa bem quente. Fez-me uma espera à porta do estúdio da CMTV e insultou-me de tudo. Um ordinário da pior espécie. Provocou-me para ver se eu lhe punha as mãos na cara, mas evitei sujá-las"

"O programa acabou com o referido senhor [Eduardo Barroso] a dirigir-se a mim em termos muito agressivos, chegando a dizer que, se fosse mais novo, fazia e acontecia. Limitei-me a retirar os óculos calmamente e a desafiá-lo - "Vá lá, quer bater-me, não é? Veja lá se é capaz! Ou será que não passa de um cobarde?". Este ainda cerrou as mãos e Bruno de Carvalho gritou-lhe: "Ó Eduardo... não faça isso! Isso é o que ele quer!"

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