Tudo espremido dá um triste adeus à Europa de uma equipa sem ideias

Cinco jogos, cinco derrotas, zero pontos e uma vontade desesperante de que a competição termine. Assim é difícil
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Não há outra forma de dizer isto, o Benfica realizou uma campanha humilhante na Liga dos Campeões, nada condizente com o seu passado, mesmo o recente, em que marcou presença em dois quartos-de-final desta prova e em mais duas finais da Liga Europa. Nunca um cabeça-de-série tinha sido tão mau, com zero pontos em cinco jogos, correspondentes a cinco derrotas, e um adeus prematuro às competições europeias; nem Liga dos Campeões nem Liga Europa. Refira-se que a última vez que o Benfica saiu da Europa tão prematuramente foi na época 2014-15, mas aí fez cinco pontos e tinha como rivais Mónaco, Bayer Leverkusen e Zenit.

Ontem, em Moscovo, Rui Vitória apresentou uma equipa remodelada com os regressos de André Almeida, Eliseu, Filipe Augusto e Diogo Gonçalves, e a manutenção de Bruno Varela na baliza devido aos problemas clínicos de Svilar e Júlio César. A única ideia possível era a vitória para poder continuar a sonhar com a Europa. Verdade que era uma ideia arrojada, mas o que se pedia era que o Benfica fosse uma equipa mandona, que soubesse impor o seu coletivo, por força da superioridade individual dos seus futebolistas.

Mas nada disso aconteceu por força das constantes trocas de posições e do sinal que o treinador do CSKA deu à sua equipa ao colocar em campo apenas três defesas - os russos precisavam de vencer para alimentarem o objetivo das meias-finais. Mário Fernandes e Vitinho do lado direito, Shchennikov e Dzagoev no flanco esquerdo exploravam bem as costas dos laterais e os muitos espaços concedidos pelo Benfica em zona defensiva. A pressão do CSKA era intensa, com atitude e uma excelente reação à perda da bola. Filipe Augusto e Pizzi, que jogavam à frente de Fejsa, eram literalmente engolidos pelo meio-campo russo. Não defendiam, não construíam, não seguravam. Foi sem surpresa nenhuma que surgiu o 1-0 muito cedo, um golo irregular de Shchennikov - estava em fora de jogo -, e quase logo a seguir uma jogada bem trabalhada por Salvio e Diogo Gonçalves foi mal finalizada por Jonas, um falhanço escandaloso do internacional brasileiro. E pronto, foi só no que diz respeito a oportunidades de golo do Benfica em todo o jogo e isto diz quase tudo.

Durante os 90 minutos tornou-se difícil identificar um fio de jogo no Benfica. Rui Vitória ainda apostou em Jiménez para fazer companhia a Jonas, mas a equipa vivia de lances individuais, dando uma pobre imagem do seu coletivo, da força da sua equipa enquanto equipa e o CSKA, com jogadores que normalmente teriam dificuldades em ser escolhas do Benfica, mostrou identidade e unidade. O autogolo de Jardel foi mais um exemplo de desnorte com Mário Fernandes a cruzar perante dois futebolistas do Benfica que hesitaram bastante sobre a decisão.

Perante estes 90 minutos, o Benfica sai com justiça da Europa - na primeira vez que Akinfeev saiu de um jogo da Liga dos Campeões sem golos sofridos. E há pouco a dizer como atenuante.

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