Dos 7-0 de Vigo para Basileia. Como reagir à humilhação?

Paulo Madeira esteve no jogo de Vigo em 1999 e diz que a única solução "é olhar em frente". Andrade destaca contextos diferentes

A goleada de 5-0 sofrida anteontem pelo Benfica em Basileia entrou diretamente para o lote das maiores humilhações do clube da Luz nas competições europeias. Foi o segundo resultado mais desnivelado sofrido pelos encarnados, igualando o score de um jogo com o Borussia Dortmund em 1963-64, na Taça dos Campeões Europeus. A exibição e o resultado no terreno do octocampeão suíço fizeram recordar a noite de 25 de novembro de 1999, quando o Benfica sofreu o maior vexame europeu, ao ser derrotado por 7-0 no terreno do Celta de Vigo, na primeira mão da terceira eliminatória da Taça UEFA. Dessa equipa orientada por Jupp Heynckes faziam parte estrelas como João Pinto, Nuno Gomes e Poborsky, que foram incapazes de travar o vendaval ofensivo do ex-benfiquista Mostovoi, Karpin e companhia.

Paulo Madeira alinhou no centro da defesa nessa noite negra de Vigo, fazendo dupla com o brasileiro Ronaldo. Foi um desafio que naturalmente nunca mais esqueceu. "Foi um jogo muito mau e passados tantos anos ainda me custa falar do que aconteceu. Perder é sempre mau para o Benfica, mas ter uma derrota por esses números acaba por fazer perdurar a memória nos adeptos, como se vê pelo facto de já terem passado tantos anos e as pessoas ainda se lembrarem", começa por referir ao DN.

E afinal de contas, tendo em conta a experiência de há 18 anos, como podem os jogadores superar um resultado tão traumatizante como esse e o de Basileia? "É tentar esquecer o mais rapidamente possível e ter o pensamento no próximo jogo. Pode não ser fácil, mas os jogadores têm de se mentalizar que esse mau jogo já passou e necessitam de olhar em frente", defende. Paulo Madeira coloca de lado qualquer questão relacionada com falta de atitude, sublinhando que "os jogadores são sempre os primeiros a querer ganhar e certamente fizeram tudo o que podiam, mas há noites assim, tal como há noites em que tudo sai bem e se consegue ganhar por margens muito dilatadas sem que se tenha merecido".

Andrade também jogou os 90 minutos de Vigo, jogo que não quer recordar. "Peço desculpa, mas não vou falar de algo que não quero lembrar. Posso é falar de como os jogadores do Benfica devem dar a volta ao resultado de ontem [anteontem]... Não tenho a mínima dúvida de que quem joga num clube destes tem de estar preparado para a enorme pressão dos adeptos e da imprensa quando as coisas não correm bem. Por isso, têm é de trabalhar para inverter a situação e estar ansiosos pelo jogo com o Marítimo, no domingo, no qual acho que irão dar uma boa resposta", antevê. De resto, apesar da pesada derrota em Basileia, do último lugar no grupo da Champions e do terceiro posto no campeonato, a cinco pontos do FC Porto, Andrade recusa-se a falar em crise. "Isso é uma palavra muito forte. O Benfica é tetracampeão! Concordo com Rui Vitória: quem está em crise é quem não ganha há muito tempo", defende, ficando uma das grandes diferenças entre esse 7-0 de Vigo e o 5-0 de Basileia: o contexto.

Naquela altura, o Benfica vivia anos conturbados, longe dos títulos, com treinadores e jogadores em contínuo entra-e-sai e com um presidente recém-eleito, excêntrico e polémico [Vale e Azevedo] que ainda hoje presta contas à justiça. Agora, este Benfica é tetracampeão e goza de maior estabilidade interna, com Luís Filipe Vieira na presidência há 15 anos e um treinador na terceira época no cargo.

Pedido de desculpas célebre

Depois da goleada de Vigo, ficou célebre o pedido de desculpas do capitão João Pinto aos sócios, numa mensagem lida aos jornalistas. Na altura, a ideia que passou é que teria sido uma imposição de Vale e Azevedo, mas Paulo Madeira desmente: "Não, foi uma decisão coletiva, tomada por todo o grupo. Hoje não defenderia a mesma atitude, pois os jogadores não fizeram de propósito para serem goleados."

Em relação à má temporada do atual Benfica até ao momento, Paulo Madeira aponta "a saída de vários jogadores muito importantes, como Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf", lançando algumas dúvidas sobre "a capacidade de alguns futebolistas para os substituírem".

Já Andrade acha que o plantel do Benfica, "mesmo com as saídas, tem capacidade para lutar nas várias competições", falando em momento circunstancial e sublinhando que "no futebol as coisas não são como começam mas como acabam, e o Benfica ainda pode ser campeão nacional e ganhar outras competições, pois a competitividade da Champions não tem nada que ver com a realidade nacional".

Um dos lugares mais em foco neste Benfica tem sido a baliza, onde Júlio César cumpriu em Basileia o terceiro encontro seguido a titular, relegando Bruno Varela para o banco, depois do erro deste no Bessa. Paulo Madeira minimiza e diz que o treinador é que sabe: "O Rui Vitória é que trabalha com os jogadores todos os dias. Ele entende que neste momento o titular deve ser Júlio César e temos de respeitar a sua opinião", defende.

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