Benfiquistas defendem que para já Paulo Gonçalves deve ficar

Deve o assessor manter funções na SAD estando acusado de cinco crimes? Personalidades do clube acham que sim

Mesmo depois de conhecidas as medidas de coação a Paulo Gonçalves, a SAD do Benfica reafirmou confiança no assessor jurídico que é arguido no Processo e-Toupeira e indiciado por corrupção ativa e quatro crimes de violação do segredo de justiça. Entre antigos jogadores do Benfica e ex-dirigentes, a opinião é unânime: até haver alguma prova, não há razão para que deixe o cargo.

Já o político/poeta e adepto Manuel Alegre não consegue responder a esta questão: "Não estou dentro do assunto e acho que não me devo pronunciar."Ainda assim, faz questão de sublinhar que "não é muito normal que alguém se tenha deixado subornar por camisolas e bilhetes para o futebol", numa referência aos oficiais de justiça que alegadamente terão transmitido informações a Paulo Gonçalves.

Gaspar Ramos sublinha que, "até prova em contrário, todas as pessoas são inocentes", embora admita não conhecer bem Paulo Gonçalves, sabendo só que "tem uma função muito próxima de Vieira".

António Veloso também entende que Paulo Gonçalves "merece continuar o seu trabalho enquanto nada disto for provado" e acha que se pode estar perante uma cabala: "Não gosto que o meu clube seja enxovalhado todos os dias. Passei muitos anos no Benfica e sempre tive a certeza de ser um clube com gente séria, como certamente continua a acontecer."

Álvaro Magalhães, outro ex-capitão dos encarnados, conhece Paulo Gonçalves e entende que "se trata de uma pessoa do futebol, que merece respeito e tem mostrado grande qualidade nas funções que exerce no Benfica e por isso deveria haver cuidado para não haver precipitação nas análises".

Já o ex-dirigente José Manuel Antunes é da opinião de que Paulo Gonçalves "deverá permanecer enquanto tiver a confiança da direção, até porque é um excelente profissional". O antigo vice-presidente dos encarnados tem a certeza de que "esta é uma cabala montada pelos adversários do Benfica, na senda da questão dos e-mails".

Gaspar Ramos não esconde que fica desagradado com estas constantes notícias. "Evidentemente que fico incomodado, como todas as pessoas que vivem o clube de forma intensa. Embora reconhecendo que esta questão é diferente do caso dos e-mails, não tenho dúvidas de que existe uma estratégia por parte dos rivais para desestabilizar o Benfica", defende.

Já Manuel Alegre tem uma visão mais abrangente. "O Benfica é que tem estado na berlinda, mas o que me preocupa é o destaque que é dado ao nosso futebol, parece que nada mais interessa. Nestes dias têm sido horas e horas a discutir esta questão e existe um clima de guerrilha entre os dirigentes que contamina a sociedade portuguesa e que até já merece extensos artigos de jornais estrangeiros, como sucedeu com o El País", lamenta.

Alguns adeptos têm criticado Luís Filipe Vieira pelo silêncio nesta questão. José Manuel Antunes reconhece que se fosse presidente "teria uma posição de maior força, mas que é uma questão de estilo". Já Gaspar Ramos concorda com a estratégia. "Os nossos adversários gostariam que ele falasse, pois desse modo aumentaria a sua responsabilidade e do Benfica", realça. Veloso elege Vieira "como um dos melhores presidentes do Benfica e nesta altura não tem nada que comentar, pois primeiro é preciso esclarecer se aconteceu algo de grave e na altura própria pronunciar-se".

De acordo com o antigo defesa--direito, as constantes polémicas "podem contribuir para maior união entre adeptos e equipa e todas estas falsidades dão mais força aos jogadores e dirigentes para continuarem a fazer um excelente trabalho". Já Álvaro Magalhães pede ao plantel "para continuar a jogar bom futebol, deixando estas preocupações para os dirigentes".

MP faz esclarecimento

O Ministério Público (MP), entretanto, emitiu ontem uma nota oficial sobre o Processo e-Toupeira, onde confirma que as credenciais informáticas de uma magistrada do MP foram utilizadas sem o seu consentimento. Embora sem nunca citar o nome, a magistrada em causa é Ana Paula Vitorino, assessora de Maria José Morgado.

"Tal utilização efetuou-se sem o conhecimento ou consentimento da titular das credenciais, a qual, sendo completamente alheia ao sucedido, não é, nem nunca foi, suspeita ou visada na investigação em curso", lia-se na nota do MP. Estas credenciais terão sido alegadamente utilizadas pelo arguido José Nogueira da Silva, funcionário judicial que ficou detido preventivamente, que posteriormente passaria processo a Paulo Gonçalves.

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