"Benfica está a começar de novo mas vai lutar pelo título"

Jogador argentino considera que o Sporting ficou mais forte com a contratação de Jesus, com quem trabalhou na Luz. Mas acredita no seu Benfica e diz que aposta na formação é inevitável.

Há cerca de uma semana perdeu a final do Mundial de Clubes para o Barcelona. Pode falar-se num mau ano para o River Plate?

Sim, infelizmente não conquistámos o Mundial de Clubes, mas o Barcelona tem uma grande equipa e não conseguimos ser superiores a eles. Mas não foi um ano mau, conseguimos vencer a Taça Libertadores e fomos longe na Taça Sul-Americana.

Quem não pôde marcar presença já nessas competições foi o seu grande amigo Pablo Aimar, que decidiu terminar a carreira neste ano. Como viu esse momento?

Foi triste. Joguei com ele durante muitos anos, admirei tudo o que ele fez, tudo o que conquistou, é um grande amigo e foi um futebolista fantástico. Mas o Aimar decidiu que era o momento de terminar, até porque sentia que não podia ajudar os colegas e a equipa. Lamento a sua decisão, mas temos todos de a respeitar. Só ele e a sua família sabem o que é melhor. Se decidiu parar foi porque sentiu que tinha de o fazer.

Ainda se recorda do título que conquistou com Pablo Aimar no Benfica (2009-10)?

Claro que sim. Foi o meu último grande título na Europa, não me esqueço facilmente. Foi muito lindo ser campeão num clube como o Benfica.

Guarda boas recordações do Estádio da Luz?

Claro que sim, foram anos excelentes em Lisboa, uma cidade muito linda. Só tenho de agradecer a oportunidade que tive de jogar no Benfica, foi o clube em que atuei mais tempo, tal como no Barcelona. Tenho uma carreira de que me posso orgulhar, pois representei alguns dos melhores clubes do mundo, como o Benfica, o Barcelona, o Real Madrid, o Sevilha, o Mónaco e, claro, o meu River Plate. O futebol deu--me de mais.

Tem acompanhado a carreira do Benfica?

Procuro estar sempre atento aos resultados, mas aqui na Argentina infelizmente só consigo ver os jogos da Liga dos Campeões. Sei que passaram à próxima fase e isso demonstra que o Benfica continua muito bem.

Foi uma surpresa para si a saída de Jorge Jesus para o rival Sporting?

Claro que é surpreendente, mas lembro-me de ele sempre nos dizer que tinha jogado no Sporting e que um dia gostava de treinar o clube. Certamente muitos não estavam à espera que fosse agora, depois de todo o sucesso que teve no Benfica, mas cada um é livre para decidir a sua vida. E se Jorge Jesus assim o entendeu foi porque pensou que também pode ter sucesso no Sporting.

Na sua opinião, o Sporting torna-se mais candidato ao título com um treinador como Jorge Jesus?

Claro que sim. Qualquer clube com um grande treinador fica sempre melhor. Acredito que Jorge Jesus pode ter muito sucesso e lutar por títulos. Quando o Sporting o contratou foi porque também sabia que Jesus poderia garantir troféus ao clube.

O Benfica, apesar do bom desempenho na Liga dos Campeões, perdeu a Supertaça para o Sporting, foi eliminado da Taça e Portugal e está a cinco pontos da liderança. É um mau início de época?

O Benfica está a começar de novo, com um novo treinador, é natural que esteja diferente. Mas pelo que tenho acompanhado acredito que vão lutar pelo título. Julgo é que este ano possa ser um campeonato mais competitivo, com uma grande luta entre Benfica, FC Porto e Sporting.

Que jogadores destaca neste atual Benfica?

O Nico Gaitán é uma clara mais valia, um jogador extraordinário, mas depois têm também outros grandes futebolistas, como Júlio César, Luisão, Samaris, Fejsa, Jiménez e Mitroglou. São todos grandes jogadores.

Chegou a fazer dupla de ataque com Mitroglou no Olympiacos...

Sim, é um grande avançado, um matador. Mas também tive como colegas Samaris e Fejsa, dois jogadores muito fortes no meio-campo.

O Benfica neste ano tem apostado muito na formação, acredita que esse também tem de ser o caminho?

Os clubes têm de apostar na sua formação, claro. Já ouvi falar dessa situação e acredito que será o futuro do futebol, sobretudo pelos muitos milhões envolvidos nas contratações que nem todos os clubes podem pagar.

Por falar em contratações, o Benfica já oficializou a contratação do argentino Franco Cervi, extremo do Rosario Central. Como o descreve?

É um desequilibrador. Muito jovem, mas com uma grande margem de progressão. Foi uma boa aposta do Benfica, pois existiam muitos clubes interessados. Sei que esta também é uma política do Benfica, comprar jovens, potencializá-los e depois vendê-los. Acredito que Cervi será muito útil.

Aos 34 anos, e depois de regressar ao River Plate, onde se formou e deu o salto para o futebol europeu, já pensa em terminar a carreira?

Sempre disse que gostava de terminar a minha carreira de futebolista aqui. Não sei o que o futuro me reserva, mas enquanto sentir que posso ser útil estarei aqui para ajudar.

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