Asa esquerda hiperativa quebrou o feitiço axadrezado que atormentava as águias

O Benfica goleou o Boavista por 4-0 e assumiu, de forma provisória, a liderança da Liga. Jonas recuperou de lesão, falhou um penálti e viu brilhar o endiabrado Franco Cervi perante um adversário que só "apareceu" na segunda parte

O Benfica assumiu ontem, de forma provisória, a liderança da Liga ao vencer, na Luz, o Boavista por 4-0, quebrando uma série de três jogos sem ganhar aos axadrezados, que foram até agora a única equipa a vencer o tetracampeão nacional. Só que desta vez os encarnados não deram hipóteses, pois mesmo com Jonas em dia não (falhou um penálti) apareceu uma asa esquerda demolidora com Grimaldo e Zivkovic a ajudar Franco Cervi a dinamitar a muralha boavisteira. Os centrais Rúben Dias e Jardel abriram o caminho da vitória, tendo um autogolo de Henrique e Raúl Jiménez fechado as contas.

A recuperação de Jonas foi o primeiro motivo de festejo dos benfiquistas, que viram uma primeira parte de sentido único, na qual o Boavista não fez um único remate. A equipa de Jorge Simão apresentou-se muito preocupada em tapar os caminhos da sua baliza, com uma linha de quatro defesas, auxiliados por Sparagna e David Simão a procurarem bloquear a zona central do meio-campo, por forma a parar o jogo interior dos encarnados. Essa parte da estratégia até resultou, pois foram poucas as tabelas que Pizzi, Jonas e companhia conseguiam fazer para entrar na área... havia sempre um pé boavisteiro.

O pior para os nortenhos foi o jogo do Benfica pelas alas, sobretudo pela esquerda, onde um triângulo mágico composto por Grimaldo, Zivkovic e, sobretudo, pelo hiperativo Franco Cervi deu grandes dores de cabeça a Carraça, o lateral axadrezado que bem pode queixar-se de falta de apoio por parte dos companheiros. Ainda assim, as muitas pernas na área, Vagner e alguma cerimónia do ataque benfiquista evitaram o avolumar do resultado.

O Benfica até poderia ter-se adiantado cedo no marcador quando Raphael Rossi derrubou Cervi dentro da área, só que Jonas falhou o penálti - o segundo consecutivo pois já tinha falhado no Restelo. Os encarnados não se deixaram afetar pelo falhanço do goleador e continuaram a carregar sobre a baliza de Vagner, acabando por abrir o marcador na cobrança de um canto por Cervi, a que Rúben Dias deu sequência com um cabeceamento para o fundo da baliza. O segundo golo acabou por ser uma cópia, mas desta vez com Jardel a materializar o décimo golo de canto da temporada em jogos da Liga. Uma vantagem que se ajustava ao intervalo, como atestam os 73% de posse de bola.

Jonas assusta defesas

A segunda parte foi diferente. Jorge Simão procurou dar mais dinâmica ofensiva à equipa, lançando Renato Santos e Mateus, e ordenou ainda que a sua linha média fosse mais agressiva, jogando mais subida no terreno. O certo é que nos primeiros minutos notou-se alguma instabilidade nos jogadores do Benfica, que perderam algumas bolas na saída para o ataque que podiam ter sido mais bem aproveitadas pelo Boavista. Além disso, Bruno Varela surgiu estranhamente intranquilo nos pontapés de canto, deixando durante algum tempo dúvidas no ar.

Com o passar do tempo os encarnados reassumiram as rédeas, impulsionados pelas arrancadas de Zivkovic e as diabruras de Cervi no lado esquerdo... só que Jonas teimava em não acertar. No momento em que Raúl Jiménez já se preparava para render o brasileiro, eis que um cruzamento de Grimaldo fez que Nuno Henrique e Talocha se atrapalhassem perante a proximidade de... Jonas. Assim chegou o 3-0 e se dissiparam as poucas dúvidas quanto ao vencedor.

A terminar, foi a vez de a asa direita imitar a asa esquerda da águia, com Diogo Gonçalves, João Carvalho e André Almeida a entenderem-se na perfeição até a bola chegar a Raúl Jiménez, que fechou as contas de um jogo em que o Boavista apenas na segunda parte conseguiu dar um ar da sua graça.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG