A seleção portuguesa masculina de atletismo voltou a destacar-se no panorama internacional ao conquistar o título coletivo nos Campeonatos do Mundo Virtus de pista curta, disputados em Ourense, em Espanha. A vitória representa o terceiro título mundial consecutivo para Portugal nesta competição dedicada a atletas com deficiência intelectual.Ao longo de três dias de provas, a comitiva portuguesa alcançou um total de 14 medalhas — seis de ouro, sete de prata e uma de bronze — um resultado que colocou Portugal entre as seleções mais medalhadas do campeonato e reforçou a regularidade dos atletas portugueses nas diferentes disciplinas. Para José Silva, responsável pela equipa portuguesa, este sucesso não pode ser explicado por um único fator, mas sim por um trabalho coletivo. “Acima de tudo deve-se ao trabalho dos atletas e dos técnicos, que acabam também por ser um reflexo daquilo que é o trabalho dos clubes e daqueles que dão apoio a estes atletas”, afirmou. O dirigente sublinhou que o percurso até aos resultados internacionais começa muito antes das grandes competições. “A família e os amigos que os levam para o treino, que lhes dão todo esse suporte para que eles consigam treinar regularmente, têm também um papel fundamental”, explicou, acrescentando que os clubes “disponibilizam os seus técnicos e os seus recursos para que estes atletas tenham esse sucesso. As associações distritais acabam por providenciar provas para que estes atletas tenham a melhor preparação possível ao longo da época”, referiu. A Federação procura também “levar atletas variados em várias provas, de forma a conseguirmos pontuar pelas equipas”. Segundo o responsável técnico, o título mundial resulta precisamente dessa conjugação de esforços. “Acaba por ser aqui um processo em conjunto. Obviamente temos objetivos individuais, mas acabamos por fazer uma equipa que possa pontuar nas várias disciplinas e que depois se traduza neste sucesso global”, explicou. Apesar da confiança no valor da equipa portuguesa, José Silva admite que o objetivo inicial era garantir um lugar no pódio. “Acreditávamos que poderíamos ficar no pódio”, disse. A proximidade geográfica da competição permitiu que Portugal apresentasse uma comitiva mais alargada. “Aproveitámos ser em Espanha para fazermos a viagem de autocarro, de forma a poupar algum dinheiro e levar uma comitiva um pouco maior”, explicou José Silva. O resultado acabou por superar as expectativas. “Acabou por correr bem melhor do que estávamos à espera. Ganhámos até por uma margem de pontos superior àquilo que estávamos à espera.” .O dirigente acredita que o atletismo para atletas com deficiência intelectual tem também condições particulares para crescer em Portugal. “Muitos destes atletas já estão integrados nos clubes. Às vezes são os próprios treinadores que entram em contacto connosco para perceber se determinado atleta pode ser elegível”.Na sua perspetiva, essa integração facilita o aparecimento de novos talentos. “Desde que a deficiência intelectual seja moderada ou leve, conseguem ser perfeitamente enquadrados nos clubes e fazer parte da estrutura normal de treino”, afirmou, acrescentando que esta realidade “acaba por tornar mais fácil ter novos atletas e ter uma equipa onde existe escolha”. José Silva destacou ainda o peso desta área dentro do atletismo adaptado. “Se compararmos as diferentes áreas de deficiência, verificamos que a área intelectual tem praticamente metade de todo o outro grupo de atletas do atletismo adaptado”, observou. Para o futuro, o objetivo passa por continuar a reforçar a base de atletas e aumentar a presença portuguesa nas grandes competições internacionais. “O nosso objetivo é tentar ter o máximo de atletas integrados no projeto paralímpico e no projeto de esperanças paralímpicas”, afirmou. O técnico considera que o crescimento desses projetos poderá permitir que Portugal apresente uma delegação ainda mais forte nas próximas edições dos Jogos Paralímpicos. “Queremos ter mais gente dentro do projeto e depois os resultados acabam por aparecer”, disse, acrescentando que a base de jovens atletas tem vindo a aumentar nos últimos anos. “Os atletas mais experientes acabam por ter aqui uma abordagem junto aos mais novos e ajudam-nos a perceber o peso da responsabilidade de integrar uma seleção que é tricampeã do mundo”, explicou. A integração plena destes atletas nas estruturas do atletismo nacional é outro dos aspetos que José Silva considera determinantes. “A grande maioria está completamente integrada nos clubes e na própria federação”, garantiu. “Eles participam de forma integrada em todas as provas do campeonato nacional e nas competições regionais”, explicou, sublinhando que essa inclusão tem sido essencial para o desenvolvimento da modalidade. .Ouro duas vezes: Cristiano Pinto Pereira junta título longo ao curto nos Mundiais de corta-mato Virtus