Armindo Araújo: o campeão está de volta com a mesma ambição da primeira vez

Após um afastamento de cinco anos, o piloto português, tetracampeão nacional e bicampeão do mundo de produção, aceitou o desafio da Hyundai para voltar a competir. Primeira prova é já no próximo fim de semana, em Fafe

Armindo Araújo está de regresso aos ralis, após uma paragem de cinco anos, preparando-se para voltar a competir no campeonato nacional, que arranca no próximo fim de semana, em Fafe. Ao DN, o tetracampeão nacional de ralis explicou porque escolheu voltar nesta altura, ao serviço da Hyundai. "Essencialmente porque se reuniram algumas condições essenciais, nomeadamente o envolvimento oficial de uma marca e o facto de ter comigo dois dos meus fiéis patrocinadores. Por outro lado, só voltaria se entendesse que poderia lutar pela vitória, o que acontece neste projeto", começa por referir.

Foi em outubro que começaram as primeiras conversas com a marca sul-coreana, "tendo demorado cerca de um mês até o processo ficar fechado". O piloto de 40 anos reconhece que durante estes últimos cinco, de paragem, teve convites de outras marcas: "Mas nunca se proporcionaram as condições necessárias para o regresso, ao contrário do que aconteceu agora, em que existe um projeto sólido."

Armindo Araújo garante foco total neste novo projeto. "Encontro--me muito motivado, com uma enorme vontade de vencer, e não escondo que tinha saudades da competição", refere, embora confesse que viveu bem com a ausência do automobilismo, tendo conseguindo "gerir muito bem as emoções para alguém que estava habituado a viver neste mundo e de repente se afastou completamente".

As sensações ao volante do novo Hyundai i20 R5 que vai utilizar no Nacional de Ralis são, para já, as melhores. "Até agora o carro portou-se muito bem. Fizemos testes em diferentes pisos e tudo decorreu sem problemas. Vamos continuar com as afinações para que tudo esteja em condições para a estreia em competição, em Fafe", afiança.

Armindo Araújo não se considera favorito para esta primeira prova do Nacional, precisamente devido à sua longa ausência do terreno e por ainda não estar a cem por cento fisicamente... mas garante que para lá caminha com rapidez. "Tenho feito uma preparação física especial e tenho tido muito cuidado com a alimentação, já perdi muitos quilos, o que poderá fazer toda a diferença. Obviamente, alterei a minha rotina diária, que não era a indicada para um atleta de alta competição", explica. Ainda assim, em Fafe irá "tentar impor um bom ritmo, com a noção de que tudo é possível".

Objetivo é ser campeão nacional

Com um currículo inigualável - campeão nacional quatro anos consecutivos, entre 2003 e 2006, e duas vezes campeão do mundo de produção (2009 e 2010) -, Armindo Araújo assume-se como candidato à vitória no campeonato. "O meu objetivo é lutar pela conquista do título e por isso terei de somar o maior número de pontos possível em cada prova, tendo a noção de que nem sempre será possível ganhar", sublinha.

Por outro lado, descarta totalmente que o Nacional de ralis possa ter um nível abaixo do que se habituou. "Nada disso, nunca teria vergonha de correr em Portugal! O Nacional de Ralis é uma competição de grande prestígio, estamos a falar de um dos melhores ralis da Europa e só temos é de aproveitar a atual onda positiva", diz.

Carlos Vieira, campeão nacional em título, é o companheiro de equipa de Armindo Araújo na Hyundai, mas trabalham em estruturas diferentes. "São duas equipas distintas e cada uma vai encontrar as suas soluções técnicas. O Carlos será meu adversário, mas claro que partilhamos objetivos comuns e existe a preocupação de que a Hyundai seja a vencedora no final da época", diz.

Neste ano, o calendário do Nacional de Ralis tem a novidade de se dividir em duas fases: uma primeira em terra - as quatro primeiras corridas - e uma segunda em asfalto, nas últimas cinco provas. Divisão que tem o apoio do piloto de Santo Tirso. "Concordo em absoluto, pois as equipas acabam por conseguir fazer uma melhor gestão do trabalho e dos seus orçamentos. Se houvesse uma mistura entre asfalto e terra, haveria muito mais questões logísticas a tratar", defende.

Como se fosse a primeira vez

Quem não cabe em si de contente com o regresso de Armindo Araújo à competição é o seu filho Tomás. "Ele tem 10 anos e era muito pequeno quando eu competia, não tem grandes recordações desse tempo. Mas agora está muito feliz, até porque por vezes tem a possibilidade de viajar comigo no carro e de viver todo este ambiente. Se vai dar piloto? Não sei, não sei... Mas ele gosta muito de motos e já tem uma desde os 5 anos. Vamos ver."

O piloto português já atirou definitivamente para trás das costas a polémica saída em 2012 da WRC Team Mini Portugal, que era gerida pela Motosport Itália. Na altura, apresentou queixa à Federação Internacional do Automobilismo (FIA), depois de lhe ter sido proposto que justificasse o seu afastamento com uma lesão ou uma doença que nunca existiram. "Apresentei provas documentais e saí com a consciência totalmente tranquila. Não compactuo com falsidades", realça, só lamentando que a equipa não tenha sido punida.

Agora, quando entrar em ação, em Fafe, Armindo Araújo irá possivelmente lembrar-se da primeira vez em que entrou num rali, há 17 anos. Na altura, não levou a coisa muito a sério e alugou um Renault Clio 16v para participar no Rali Montelongo. Contra todas as expectativas, foi segundo classificado e não ganhou por um triz. "Foi a partir daí que ganhei a ambição de me tornar piloto de ralis e quando ela surgiu agarrei-a com ambas as mãos. Tenho um percurso que me enche de orgulho, embora reconheça que ainda poderia ter ido mais além", confessa, lançando a garantia: "Neste momento só me interessa o presente e vou encarar a corrida de Fafe como se fosse a primeira na minha carreira."

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