Árbitros ponderam não iniciar nova época

Juízes vão propor alterações para a próxima época para que casos como o de Jorge Ferreira sejam punidos de forma célere

Os árbitros de primeira categoria que apitam os escalões profissionais (I e II Liga) estão a ponderar não iniciar a próxima temporada se os clubes não aprovarem um conjunto de alterações ao Regulamento Disciplinar que os proteja das situações de intimidação e ameaças de que têm sido alvos.

Quase dois meses depois da invasão ao centro de treinos dos árbitros da Maia, que motivou uma reunião com o Ministério da Administração Interna e onde ficou definido que os árbitros e as famílias teriam proteção policial, na madrugada de ontem foi a vez de o estabelecimento comercial do pai de Jorge Ferreira, que na terça-feira dirigiu o Estoril-Benfica para a Taça de Portugal, ter sido vandalizado.

Ao que o DN apurou, os árbitros e uma equipa de advogados estão a analisar os atuais regulamentos de disciplina das competições profissionais para apresentarem propostas de alteração a colocar em prática na próxima época, com o objetivo de protegerem a classe de situações como aquelas que se têm verificado nos tempos recentes, não apenas no que diz respeito às declarações inflamadas de agentes desportivos contra os árbitros, mas também a ações de intimidação.

Os árbitros têm como objetivo apresentar as suas propostas para serem votadas e aprovadas pelos clubes em Assembleia Geral da Liga, que habitualmente tem lugar no final do mês de junho, para definir as alterações a colocar em prática na época seguinte.

Segundo apurou o DN, os juízes pretendem que quem os atinja na dignidade ou coloque os árbitros e as suas famílias sob ameaça seja alvo de castigos mais pesados do que aqueles que estão em vigor, mas também que haja maior celeridade no julgamento de cada caso - entre uma a duas semanas -, evitando assim o arrastar no tempo, algo que na opinião dos árbitros faz que se perca um pouco o efeito dos castigos.

Há ainda a pretensão de que o regulamento possa ter maior abrangência, nomeadamente na responsabilização dos clubes, por exemplo, pelas declarações dos seus comentadores nas televisões e também de dirigentes de claques e diretores de comunicação. Os árbitros, sabe o DN, reconhecem a dificuldade em imputar aos clubes responsabilidade por estes agentes, mas estão determinados em encontrar uma solução.

Estes são, para já, os três pressupostos que os homens do apito pretendem ver revistos no Regulamento Disciplinar, sendo que se os clubes não os aprovarem em Assembleia Geral da Liga poderão então avançar para uma posição de força que passará, inevitavelmente, por um boicote ao início das provas profissionais de 2017/18. Algo que, a acontecer, obrigaria à paragem das competições, sendo que a Taça da Liga seria a primeira prova atingida, pois tem habitualmente início no último fim de semana de julho ou no primeiro de agosto.

Segundo o DN apurou, no âmbito da Federação Portuguesa de Futebol este ambiente de instabilidade em torno dos árbitros tem sido tema de debate, tendo o Conselho de Arbitragem procurado sensibilizar o Conselho de Disciplina para a necessidade de, já esta época, haver penalizações para quem colocar os árbitros e o seu trabalho em causa, bem como a necessidade de a aplicação de castigos ser feita de forma célere.

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