António Simões critica Ronaldo: "Não é um líder"

Um dos indiscutíveis da seleção portuguesa do Mundial de 1966 criticou o comportamento do capitão da equipa das quinas na final do Euro2016

António Simões, em entrevista ao jornal I, mostrou-se desagrado com os comportamentos de Cristiano Ronaldo no jogo da final do Campeonato da Europa de França, frente à anfitriã. A dado momento na entrevista, António Simões pede desculpa se ofendeu alguém, mas não retira uma palavra dita sobre o comportamento incorreto do capitão da equipa das quinas.

"Em geral, o país e a comunicação social parece que percebeu que Cristiano Ronaldo aos 31 anos é um líder. Duas semanas antes tinha mandado o microfone para dentro de água e duas semanas depois era líder. Isto é mandar poeira para os olhos, é um atestado de estupidez a quem anda nisto. Alguma vez se Mourinho fosse o treinador aquilo acontecia?", expressou.

O antigo internacional português elogiou a atitude de Fernando Santos nos momentos finais da final: "Acho que o gesto de Fernando Santos foi de grande inteligência e exemplo de como se podia gerir com simplicidade e humildade aquela situação no banco e como evitar um conflito, revelando um grande classe. Se porventura fosse outra pessoa que tivesse um complexo de autoridade, aquilo não teria acontecido ou teria acabado muito mal".

"Antes de um achar bem ou mal, o que é preciso perceber é que aquilo está mal feito. [...] Mas agora que se ganhou quem é que quer saber disso? A vitória abafa", afirmou António Simões, voltando a falar sobre Cristiano Ronaldo.

Na extensa carreiro do "Magriço", o ex-jogador afirma não ter visto atitude semelhante e considera que não foi o comportamento de Ronaldo que deu a vitória a Portugal: "Acha que com toda a gente no banco a ficar doida e o Cristiano Ronaldo a fazer de líder... Foi por isso que ganhámos? Se as pessoas começarem a pensar que foi por causa disso que ganhámos então exijo que se faça isto em todos os jogos. Tenho 50 anos de carreira, nunca assisti a uma coisa destas na minha vida. Todos os grandes jogadores do mundo nunca se atreveram a uma coisa destas. E agora querem convencer-me que foi por causa disto que se ganhou? Vou matar-me, como dizia o outro. Vou gritar pela minha mãe".

"Jogadores como conheci, líderes de grande calibre, Pelé, Eusébio, Cruyff, Maradona... O Maradona até mesmo tendo em consideração a sua personalidade, nunca fez uma coisa destas. Acho que se apoderou do Ronaldo uma ansiedade tremenda de querer ganhar e demonstrar que era líder. Quem é líder não tem necessidade de fazer isto. Comprem livros de liderança, leiam. Fez aquilo, não trouxe mal ao mundo, ganhámos, mas não é matriz de liderança. Peço desculpa se estou a ofender alguém", concluiu.

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