Andy, o "sem talento" dos Murray que chegou a número 1 mundial

Escocês sucede a Djokovic. É o 26.º líder do ranking ATP, o primeiro britânico e o segundo mais velho a consegui-lo. Época de sonho com sete torneios ganhos e o 2.º ouro Olímpico no Rio2016.

Andy Murray sobreviveu ao massacre de Dunblane (morreram 17 crianças na escola onde estudava, em 1996) e ao vaticínio da mãe. Judy Murray, ex-tenista e atual treinadora, revelou numa entrevista, em 1999, que "Andy era tão mau a jogar ténis", que ela pensou tratar-se de um "sem talento" e que o irmão Jamie (n.º 2 mundial em pares) é que "era o talentoso".

Murray sobreviveu ainda à tentação de seguir os passos do avô, um ex-jogador de futebol, e recusou o Glasgow Rangers para se mudar para Espanha aos 15 anos e passar a treinar com Emilio Sánchez. E foi assim que nasceu um tenista, o 26.º líder mundial da história e o primeiro britânico, feito alcançado ontem. Fred Perry já tinha sido eleito o melhor do Mundo em 1934, mas nessa altura a classificação assentava na decisão de jornalistas, promotores e associações de jogadores e era anunciada no final do ano. Agora é o somatório de pontos por vitória durante todo o ano.

Onze anos depois de tornar profissional, Murray tornou-se aos 29 anos o segundo mais velho de sempre a subir pela primeira vez à liderança do ranking, só atrás do australiano John Newcombe, que em 1974 alcançou o primeiro lugar depois de completar 30 anos, posto que aguentou oito semanas.

E já sabe que estará pelo menos duas semanas como líder mundial - superando o registo de Pat Rafter (uma) - do ranking, que era de Novak Djkovic desde 7 de julho de 2014. O sérvio esteve 122 semanas seguidas no topo, longe do recorde de Roger Federer ( 237 semanas).

Em janeiro poucos se atreveriam sequer a sonhar com o que ontem aconteceu, tal o conforto da liderança de Djokovic. Ainda sem se saber muito bem como e porquê, o rei do ténis mundial durante 122 semanas consecutivas, entrou numa crise de resultados sem precedentes e foi ontem destronado por Murray! "Eu estava tão atrás em termos de pontos e o número de encontros que teria de ganhar... Nunca pensei que ia fazer o que fiz após perder Roland Garros", confessou o novo líder do ranking ATP.

O escocês era o único do chamado Big Four - Federer, Nadal, Djokovic e Murray - que ainda não conhecia a sensação de ser o melhor de todos. Conseguiu-o ontem e sem entrar no court. Raonic desistiu do Masters de Paris, por lesão, e fez de Murray líder mundial por antecipação. "Quando soube, fiquei quieto. Não reagi (...) Ainda não sei o que isto realmente significa. Agora tenho que encontrar um novo objetivo para me motivar", confessou o tenista, revelando que "quando jogava futebol ou lutava com o Jamie (irmão)", ambos pensavam "em ser campeões mundiais, mas não de ténis."

O caminho até ao topo

Andy entrou no circuito profissional em 2005 como n.º 407 no mundo. É desde então considerado um talento, mas tardou em conquistar o seu primeiro Grand Slam. Aliás, tornou-se um especialista em falhar finais até se unir a Ivan Lendl (ex-jogador agora treinador) e vencer o Open dos Estados Unidos (em 2012, frente a Djokovic).

Foi apenas o primeiro da dupla, que se separaria depois... até 2016! "Devo muito ao Ivan [Lendl], mas também a toda a minha equipa que deu tudo por mim. Tenho de dar muito crédito ao Jamie Delgado. Ele merece todo o crédito pelo trabalho que tem feito", agradeceu.

A chegada ao topo mundial é o culminar de uma época de sonho para o tenista britânico, que revalidou o ouro Olímpico no Rio 2016. Apesar de só ter começado a amealhar pontos para o ranking no Open da Austrália (perdeu a final), pode dizer-se que a época de Murray começou ainda em dezembro de 2015, quando conquistou a Taça Davis com a Grã-Bretanha e ganhou balanço para 2016. Ano em que jogou 12 finais e venceu sete (hoje pode chegar às oito em Paris), um registo inédito na carreira, ultrapassando os seis títulos de 2009.

No Masters de Paris, o escocês só precisava de atingir a final para chegar ao topo, depois de ver Djokovic ser eliminado nos quartos de final. Mas o jogo que prometia ser o mais importante da carreira de Murray acabou por não chegar a acontecer, face à desistência de Raonic. E como festejou ele? A jogar com os apanha-bolas do jogo que não chegou a acontecer, para delírio do público, que hoje assistirá ao primeiro encontro do novo líder, na final, contra John Isner.

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