À terceira foi mesmo de vez mas para a Inglaterra

Prova foi conquistada pelo ingleses, que ganharam na final por 2-1 à equipa de Hélio Sousa e mostraram como atualmente são os inesperados dominadores do futebol jovem

Portugal perdeu ontem a final do Europeu sub-19 com a Inglaterra, por 2-1, num jogo dividido mas em que os ingleses nunca estiveram a perder e mesmo o golo da equipa lusa foi marcado na própria baliza. Ainda não foi desta que Portugal conseguiu ganhar esta prova - à terceira final, a terceira derrota. À terceira ainda não foi de vez. Ou foi mas para os ingleses, que também tinham duas finais perdidas até ontem neste escalão.

A final foi jogada em Gori, na Geórgia, e a Inglaterra confirmou que finalmente investiu e ganhou nas suas camadas jovens nacionais. Depois de anos em que as equipas da Premier League tinham uma enorme maioria de estrangeiros - ingleses só se viam em quantidade nas equipas pequenas -, agora as coisas estão a mudar e ganhou ontem o primeiro título em sub 19 - já tinha vencido neste ano o Mundial sub-20 na Coreia (bateu a Venezuela na final por 1-0), como esteve na meia-final do Europeu sub-20, perdendo no desempate por penáltis para a Alemanha, que viria a ser campeã. E conquistou ainda o Torneio de Toulon. Ou seja, a federação inglesa acordou há uns anos e aparece nestas competições com cuidado e para ganhar.

Quem acompanhou este Europeu não estranha a vitória da equipa treinada por Keith Downing, que desde o início se mostrou uma das mais fortes. De resto, ganhou todos os jogos (na meia-final o único golo foi nos descontos), enquanto Portugal empatou um (que já não contava, é certo). Mason Mount (Chelsea) foi o melhor jogador da final e talvez de toda a prova.

Portugal ontem entrou bem - em quase todos os jogos foi assim, de resto - mas foram os ingleses que impuseram mais o seu jogo na primeira parte, ainda que no fim das contas Portugal tivesse mais remates (12-9), muito mais cantos (12-2), e um número de ocasiões de golo não muito diferente ou até superior. Ao intervalo o 0-0 era, ainda assim, melhor para os portugueses. Tudo se decidiria na primeira metade da segunda parte. Entre os 50 e os 67 minutos

A Inglaterra marcou no início desse segundo tempo e numa bola parada: falta de Rui Pires perto da área (talvez rigorosa), Mason Mount marcou o livre frontal ao poste e na recarga Suliman fez o golo de cabeça com a baliza completamente aberta.

Portugal empatou pouco depois, na sequência também de uma bola parada, Abdu Conté apareceu na direita e cruzou para a área para João Queirós ao segundo poste, mas Sterling antecipou-se e meteu a bola na própria baliza.

Um mau passe de Rafael Leão permitiu a Mason Mount partir para a área pela direita e depois fazer o passe de morte para Nmacha marcar sem dificuldades, dentro daquele que foi o melhor período da seleção portuguesa, que esteve duas vezes perto de completar a reviravolta. Como esteve várias vezes para empatar depois, mas nunca o conseguiu. Abdu Conté teve de sair, Dalot foi para defesa esquerdo, sempre muito ofensivo, ainda entrou Queta e antes Miguel Luís, que teve um bom remate, mas a vitória foi da Inglaterra.

A seleção jogou como sempre em 4-3-3 (Inglaterra mais em 4-2--3-1) e faltou-lhe talvez que as suas principais figuras se agigantassem. Acabou por ser o erro individual a dar o golo da vitória ao adversário. Não se pode olhar para jogos destes como os dos profissionais sem idade, porque nos jovens está sempre presente o erro. Portugal ainda jogou os últimos minutos contra dez, por expulsão de Edun, numa das poucas más decisões do árbitro sérvio, mas mesmo assim não chegou.

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