"A Reeva não quereria que eu desperdiçasse a minha vida atrás das grades"

A duas semanas de conhecer a sentença, Oscar Pistorius dá uma entrevista em que reafirma que matou a namorada em legítima defesa

Oscar Pistorius admite que merece uma pena de prisão, mas nega que tenha tido intenção de matar a namorada, Reeva Steenkamp. Numa entrevista à ITV, que será exibida amanhã às 21.00 mas da qual já foram divulgados alguns excertos, o antigo campeão paralímpico reafirma a teoria que defendeu em tribunal: de que o assassinato não foi premeditado.

Pistorius conhecerá a sentença a 6 de julho, sendo que o procurador sul-africano pediu ao Tribunal de Pretória uma pena de 15 anos de prisão. "Não quero voltar para a prisão, não quero desperdiçar a minha vida, sentado ali...", afirma nesta entrevista, em que admite que acredita que a namorada também não quereria isso para ele.

Nesta entrevista, a primeira para a televisão desde a morte de Reeva Steenkamp, no dia dos namorados de 2013, Oscar Pistorius reafirma a sua defesa em tribunal: que a matou a tiro na casa de banho de casa julgando que se tratava de um intruso. E conta como foi o momento em que percebeu que Reeva não estava na cama nem no quarto. "Comecei a afastar as coisas e a dizer 'Reeva, Reeva, Reeva", recorda, explicando que o "coração encolheu" quando afastou as cortinas e não a viu ali escondida. Foi então que, segundo conta, olhou de novo para a casa de banho, partiu a porta com um bastão e encontrou a namorada morta. "Só vi sangue, Havia sangue em todo o lado... Tanto sangue. Tento agarrá-la. Tento agarrá-la, mas há tanto sangue que não aguento", lembra.

Pistorius afirma ainda que a certa altura achou que Reeva ainda estava a respirar, pelo que colocou as mãos na boca dela e tentou fazer respiração boca-a-boca. "Mas havia tanto sangue...".

O antigo atleta foi condenado, em dezembro do ano passado, a cinco anos de prisão por homicídio involuntário da namorada em primeira instância, mas o tribunal decidiu rever o veredicto e mudar a acusação para homicídio voluntário, abrindo assim a via para uma condenação de pelo menos 15 anos. A sentença será proferida a 6 de julho.

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