A maior representação feminina de sempre, Nelson Évora e duas medalhas

O atleta do triplo salto apurou-se por ranking e vai ser porta-estandarte em Tóquio2020 juntamente com Telma Monteiro. Chefe da Missão fala ao DN dos objetivos.

Portugal vai ter o maior contingente feminino de sempre em Tóquio2020. São 36 as mulheres apuradas para os Jogos Olímpicos, que se realizam no Japão de 23 de julho a 8 de agosto de 2021. O número supera a até agora maior participação: 32 em Londres2012. No total são 92 os atletas que irão representar o País (ver lista). Entre eles Nelson Évora, o único campeão Olímpico em atividade, que vai dividir a honra de ser porta-estandarte com a também medalhada Telma Monteiro (bronze no Rio2016).

"A representação feminina tem vindo a aumentar e no que a modalidades individuais diz respeito temos feito um caminho interessante. O atletismo [13 em 20] e o judo [6 em 8] são bons exemplos, onde a participação feminina é superior à masculina", enalteceu Marco Alves, do Comité Olímpico de Portugal (COP), ao DN.

Para o chefe da Missão Olímpica "é redutor" olhar apenas para as quatro medalhas (Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro) em 69 anos de participação feminina e mostra-se esperançado no futuro: "A renovação está a ser feita através do projeto de esperanças olímpicas com Paris2024 no horizonte, mas também Los Angeles2028. Temos tido resultados muitos interessantes em várias modalidades", lembrou.

A três anos dos Olímpicos da paridade (Paris2024), Tóquio2020 será marcado pela promoção da igualdade de género (48, 8% de atletas mulheres). Por isso cada país vai ter, pela primeira vez, dois porta-estandartes. No caso de Portugal são Telma Monteiro e Nelson Évora.

O atleta do triplo salto é um dos sete que asseguraram vagas através dos rankings de qualificação, que fecharam no dia 1 de julho. Aos 37 anos, Évora, ouro em Pequim2008, vai estar pela quarta vez em JO e terá a companhia do campeão europeu Pedro Pablo Pichardo e do estreante campeão nacional, Tiago Pereira (27 anos), no triplo salto.

Como chefe da Missão foi um alívio ver confirmada a qualificação do Nelson Évora? "Ele sempre teve ranking para se qualificar, era uma questão de oficialização. Nunca houve muitas dúvidas quanto à presença dele nos Jogos. Ter alguém com esta experiência e uma carreira de sucesso como a dele ajuda e é muito importante", respondeu Marco Alves, sem esconder as expectativas por medalhas.

"Tivemos muitos atletas a conquistar medalhas em Europeus e Mundiais e outros a liderar os rankings mundiais. Por isso é natural expectativas de medalhas. Estamos a apontar às medalhas. O objetivo está contratualizado desde 2018 e reiteramos, que são duas posições de pódio [ouro, prata ou bronze] e 12 diplomas [até ao oitavo lugar]", revelou Marco Alves.

Duas medalhas parece pouco ambicioso, tendo em conta a presença de vários campeões europeus (Pichardo, Patrícia Mamona, Auriol Dongmo, Telma Monteiro ou Fu Yu), um mundial (Jorge Fonseca), um vice-mundial (Fernando Pimenta), os eternos candidatos (Évora e Telma) e contando um alguma surpresa. Paulo Pereira, o selecionador de andebol admitiu ir lutar pelo pódio. Se cumprir o objetivo contratualizado, Portugal aumentará o número de medalhas Olímpicas conquistadas até agora (24).

Uma comitiva do Comité Olímpico de Portugal viaja já na terça-feira para registar a delegação portuguesa e preparar a chegada dos atletas. A aldeia Olímpica só abre no dia 13 e os primeiros atletas portugueses chegam no dia 14.

isaura.almeida@dn.pt

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