A lenda de Marcel Hirscher ganha dimensão olímpica

Maior figura do esqui alpino atual chegou a estes Jogos à procura de um título olímpico que teimava em fugir-lhe. Ontem somou o segundo ouro e ainda aspira a mais

Enterrado o fantasma que ameaçava persegui-lo para o resto da carreira - com a vitória de segunda-feira passada na prova de combinado a dar-lhe, por fim, um tão desejado primeiro título olímpico que teimava em faltar no seu currículo -, Marcel Hirscher acrescenta em Pyeongchang dimensão olímpica a uma lenda construída no esqui alpino ao longo da última década. Ontem, o austríaco de 28 anos conquistou uma segunda medalha de ouro nestes Jogos de Inverno, ao ganhar a prova de slalom gigante pela maior margem alcançada por um vencedor nos últimos 50 anos. E ainda aspira a mais: na quinta-feira partirá como grande favorito à vitória no slalom, para tentar um raro triplo olímpico que só outros dois homens conseguiram no esqui alpino.

Maior figura masculina atual da modalidade, primeiro homem a conseguir ganhar por seis anos consecutivos a classificação geral da Taça do Mundo (e já a caminho da sétima), Hirscher bateu há poucas semanas o recorde do seu compatriota Hermann Maier como o austríaco mais bem-sucedido nessa que é a mais importante competição anual do esqui alpino, com 55 vitórias em provas da Taça do Mundo - já só atrás do sueco Ingemar Stenmark, cujo recorde histórico (86) é ameaçado apenas por uma mulher, Lindsey Vonn, a norte--americana que tem atualmente 81 vitórias.

Faltava, no entanto, a Hirscher o reconhecimento olímpico numa carreira de excelência. Em Vancouver 2010, não conseguira sequer subir ao pódio. Em Sochi 2014, ficara-se pela prata na prova de slalom. Em Pyeongchang, por fim, o austríaco entra também na galeria das lendas olímpicas. Depois da "libertação" oferecida pela vitória mais inesperada na prova de combinado, Hirscher tornou--se ontem o primeiro homem a conseguir ganhar nos mesmo Jogos as disciplinas de combinado e slalom gigante. E nesta última, ontem, venceu por uma margem de 1,27 segundos sobre o norueguês Henrik Kristoffersen - a maior vantagem de um campeão olímpico de slalom gigante desde que o francês Jean-Claude Killy superou a concorrência por 2,22 segundos nos Jogos de Inverno de 1968, há 50 anos.

"Ele compete numa liga à parte", constatou, resignado, o norueguês Kristoffersen. "Hirscher esmagou. Não é surpresa, ele tem estado assim na época toda", acrescentou o norte-americano Ted Ligety, que tentava defender o título conquistado há quatro anos em Sochi mas acabou em 15.º. O austríaco, que após a vitória de combinado já se tinha manifestado "feliz" por se livrar "da estúpida questão" que o perseguia, diz que "finalmente chegou a recompensa" nos Jogos.

Na quinta-feira, se ganhar também a prova de slalom (disciplina em que já festejou seis triunfos na Taça do Mundo deste ano), Marcel Hirscher junta o seu nome aos do seu compatriota Tony Sailer (1956, em Cortina d"Ampezzo) e do francês Jean-Claude Killy (1968, em Grenoble) como os únicos homens a conseguirem um triplo ouro em esqui alpino numa edição dos Jogos. Nessa prova vai competir também o português Arthur Hanse, que ontem foi 66.º no slalom gigante ganho por Hirscher.

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