"A era do Olympiacos está a acabar. Pode começar a nossa"

André Simões, capitão durante parte da época, fala em "momento histórico" para o AEK, que conquistou o título 24 anos depois. "O dia mais feliz da minha carreira", diz Hélder Lopes.

Um dia histórico para o futebol grego, para o AEK e para os dois portugueses que integram o plantel, André Simões e Hélder Lopes. O clube ateniense sagrou-se no domingo campeão nacional (pela 12.ª vez), 24 anos depois, e interrompeu a hegemonia do Olympiacos, que tinha conquistado o título nas sete épocas anteriores.

O apito final da receção ao Levadiakos (2-0) marcou o início dos festejos, perante os 60 mil adeptos que encheram o Estádio Olímpico de Atenas. "Foi um momento histórico para nós e para o clube. O campeonato escapava há 24 anos mas neste ano não escapou. A festa foi feita com os adeptos, no estádio, e prolongou-se pela noite dentro", começou por contar André Simões ao DN. "Foi o primeiro campeonato que conquistei. No meu primeiro ano no AEK [2015--16] ganhei a taça, mas é totalmente diferente. Estou muito feliz. Tive a possibilidade de envergar a braçadeira de capitão durante parte da temporada e vou ficar marcado neste clube", acrescentou o médio português de 28 anos, antigo jogador de Santa Clara e Moreirense.

"Foi um momento especial, talvez um dos dias mais felizes da minha vida e da minha carreira. Era um objetivo que tinha. Qualquer jogador gosta de ganhar títulos, e conseguiu-o logo no primeiro ano na Grécia. Rescindi com o Las Palmas para lutar por títulos e estar nas competições europeias", acrescentou ao nosso jornal o também luso Hélder Lopes, lateral esquerdo de 29 anos que atuou na I Liga portuguesa ao serviço de Beira-Mar e Paços de Ferreira.

E embora já não pertença ao plantel, há um terceiro português com razões para festejar - o ponta-de-lança internacional português Hugo Almeida, que ainda jogou 28 minutos no campeonato antes de se transferir para os croatas do Hajduk Split.

Título foi objetivo desde o início

A conquista do título grego por parte do AEK pode ter surpreendido a Europa, mais habituada a ver o Olympiacos (e o Panathinaikos por duas vezes) a celebrar durante as duas últimas décadas, mas não quem está por dentro do clube, apesar da recente passagem pelas divisões inferiores (de 2013 a 2015).

"O objetivo sempre foi ganhar a Liga, mas sabíamos que o Olympiacos era favorito e tínhamos de ir passo a passo. Passámos a ideia de irmos jogo a jogo, mas o clube construiu uma equipa para fazer frente ao Olympiacos. Tivemos uma liga competitiva, com três clubes na luta", confessou André Simões. "A era do Olympiacos está a acabar. Pode começar a nossa", vincou. "O AEK apostou forte neste ano. Fez um investimento grande e construiu uma equipa forte e coesa. É um momento de alegria e satisfação. Creio que o objetivo agora passa por cimentar a posição de campeão. Acabámos com a hegemonia do Olympiacos. Sabemos que é difícil, porque o futebol grego é complicado fora das quatro linhas. Fizemos uma grande época, até na Liga Europa, e fomos sem dúvida a melhor equipa", disse Hélder Lopes, realçando o facto de o clube ateniense ter cumprido uma "missão que era quase impossível, por questões financeiras e de nome", até porque além do Olympiacos, "o PAOK também tem um grande orçamento".

Recurso do PAOK rejeitado

Cerca de um mês e meio antes da festa do AEK, ocorreu um episódio negro para o futebol grego, a 11 de março. Nesse dia, após ter visto um golo do PAOK ao AEK ser anulado no último minuto, o presidente do clube de Salónica, Ivan Savvidis, entrou armado em campo, levando a que os jogadores atenienses recolhessem aos balneários. O incidente motivou o governo grego a suspender o campeonato durante duas semanas e, apesar de o golo do PAOK ter sido validado duas horas depois pelo árbitro do encontro, a justiça desportiva atribuiu um triunfo por 3-0 ao AEK e a perda de pontos ao PAOK.

O caso ainda esteve em fase de recurso até ontem, quando o Comité de Recurso da Federação Grega confirmou as sanções contra o PAOK, proclamando o AEK como campeão nacional. Conhecido o resultado da sentença, os atenienses mantêm os oito pontos de avanço sobre a equipa de Salónica, com duas jornadas por disputar. Ainda antes de se saber a decisão, Hélder Lopes e André Simões deram conta ao DN de que estavam otimistas quanto ao desfecho do recurso, de tal forma que disseram que se sentiam "cem por cento campeões".

Dobradinha é o sonho que se segue

Assegurada matematicamente a conquista do título, o AEK tem como próximo objetivo a vitória na final da Taça, no dia 11, frente ao PAOK. Em caso de triunfo, o clube ateniense levanta o troféu pela 16.ª vez e volta a festejar uma dobradinha, precisamente 40 anos depois.

"Esse é o objetivo. Não vai ser um jogo fácil, sobretudo por esta rivalidade, mas as finais são para se ganhar", assegura André Simões. "É o próximo objetivo. No ano passado, o AEK perdeu com o PAOK [1-2] na final, pelo que agora será uma espécie de vingança, para acabar a época em beleza", acrescenta Hélder Lopes, que, tal como o compatriota, nunca tinha conquistado um título.

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