A "coach" que ajudou Éderzito a reencontrar-se com Éder, o matador

Se o herói da seleção nacional na final de Paris já foi surpreendente, a explicação para a ousadia do seu golo que nos fez saltar não o é menos: chama-se Susana Torres

Minuto 107. Éder recebe um passe de João Moutinho e, sozinho, galga terreno rumo à área francesa. Livra-se de dois adversários, enquadra-se com a baliza e - a uma enorme distância, uns 25 metros - dispara de pé direito com a convicção de quem sabe que vai decidir o jogo da sua vida.

Falamos do mesmo Éder "mal amado", que "não marcava" pela seleção, do número nove que levava a crítica a dizer que Portugal não tinha...número nove. Como é que um jogador ao qual se apontavam tantas limitações teve o "descaramento" de marcar um golo daqueles numa final de um Campeonato da Europa? Foi só um momento único e irrepetível?

Único? Outubro de 2012. O Braga joga contra o Manchester United para a Liga dos Campeões. Éder controla uma bola pela esquerda, junto à lateral. Dá um nó cego "à Cristiano Ronaldo" ao lateral Michael Carrick, que a partir daí já só o consegue perseguir com os olhos. Ganha a linha de fundo, galga mais alguns metros e oferece de bandeja o golo a Alan.

Os adeptos do Braga já conheciam aquele Éder. E uma adepta do clube em especial, chamada Susana Rodrigues Torres, conhecia-o o melhor do que ninguém. Ao ponto de o ter ajudado a reencontrar-se com a melhor versão de si próprio.

Até domingo, esta "mental coach" de jogadores de futebol era totalmente desconhecida para a generalidade dos adeptos portugueses. Mas já não é. Éder fez questão de partilhar com ela o seu momento de glória: "Quero dedicar o golo à Susana Torres, a minha coach de alta performance. Vocês têm que a conhecer", disse aos jornalistas após o jogo.

Sim, Susana Torres estava em França, a acompanhar a final de Paris. E, como mostram as imagens que partilhou no Facebook, estava perfeitamente à vontade entre a comitiva portuguesa. Susana Torres de taça na mão. Susana Torres a abraçar Éder e Ronaldo. Susana Torres abraçada por Marcelo Rebelo de Sousa.

"Conheço muito bem o Éder e ele sabia que, quando entrasse, seria para decidir o jogo", contou ontem ao Expresso. "E até acho que se tivesse entrado mais cedo, teria feito mais", acrescentou.

O DN tentou sem sucesso falar co m Susana Torres, provavelmente porque a própria estará ainda a digerir o súbito mediatismo que a revelção do seu pequeno mas importante papel na história de sucesso da seleção portuguesa lhe deu de um dia para o outro.

Quem é? No seu currículo contam-se passagens pela banca e por algumas empresas às quais já não está ligada. Fez formação em desenvolvimento pessoal na Universidade Católica. Atualmente é a dona da empresa Prime Line coaching, cuja página da Internet ainda não está aberta ao público.

Numa entrevista ao site "The Miracle Coach", dada há alguns meses, contou como entrou "por acaso" no mundo de futebol ao ajudar um "jogador que, na altura colocava em casa a sua carreira desportiva". Se era Éder, não se sabe.

Ao Expresso, revelou que conhecer o avançado da seleção no Estádio de Braga, e que a amizade entre os dois - que viria a evoluir para relação profissional - começou pela filha de três anos, à qual o jogador ofereceu uma camisola.

Éderzito Lopes, nascido na Guiné-Bissau há 28 anos, criado em instituições de acolhimento e nascido para o futebol aos 15 anos, num clube chamado Adémia, passou em alguns meses de dispensado do Swansea a herói improvável.

Faz sentido. Numa seleção que a crítica, em particular a francesa, não se cansou de chamar de "feia", tinha de ser o próprio "patinho feio"- nas palavras de Fernando Santos - a calar todas as bocas.

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