À 70.ª medalha internacional Pimenta cumpriu o destino

Melhor canoísta português de sempre chegou ao tão ambicionado título de campeão mundial, na prova de K1 5000. "São muitos anos e horas de trabalho", lembrou nos festejos

Um dia depois de não ter conseguido evitar algumas lágrimas de tristeza quando conquistou um (inédito) segundo lugar na prova de K1 1000 metros, Fernando Pimenta quebrou a barreira que lhe resistia e subiu finalmente ao degrau que há muito lhe estava prometido no pódio, o mais alto, na prova longa de K1 5000 metros.

À 70.ª medalha internacional de uma carreira que começou, aos 12 anos, de forma natural para um limiano - a experimentar os segredos dos caiaques no rio Lima, numas férias de verão -, Fernando Pimenta cumpriu o seu destino e sagrou-se campeão do mundo entre os seniores, aos 28 anos.

Um destino que não se fez de acasos, mas sim de uma determinação férrea em chegar ao topo para um campeão que recusou sempre desistir do seu sonho ou satisfazer-se com o (muito) sucesso que entretanto foi conquistando pelo trajeto. Foi por isso que não se importou de "comprar" uma guerra com a federação após o momento mais alto da canoagem portuguesa em Jogos Olímpicos, quanto ganhou a medalha de prata de K2 1000 com Emanuel Silva, em 2012. Foi por isso também que no sábado não conseguiu soltar completamente a alegria por uma medalha de prata inédita, chorando os 239 milésimos que então o separaram do ouro em K1 1000.

O objetivo de Pimenta sempre foi ser o melhor. E isso aconteceu ontem, na final direta de K1 5000 metros, uma distância não olímpica e a mais longa dos campeonatos do mundo que se realizaram em Racice, na República Checa.

"Eu não queria apenas ir ao pódio, mas vencer", confirmou o novo campeão do mundo português, no final de uma prova que completou em 20.46,907 minutos, depois de ultrapassar o alemão Max Hoff na abordagem à última rondagem, para o deixar a 3,352 segundos.

"Sem dúvida que é um momento fantástico da minha carreia e da canoagem portuguesa. Num único Mundial consegui duas medalhas, uma prata e um ouro. Um momento inexplicável, não queria acreditar", disse, minutos após sair da água, citado pela agência Lusa.

A 70.ª medalha internacional do atleta de Ponte de Lima (ver tabela com as conquistas mais importantes da carreira) é também a oitava medalha conquistada por Portugal em campeonatos do mundo seniores da modalidade, quatro delas com a marca de Fernando Pimenta: prata em K2 500, em 2010, com João Ribeiro, bronze em K1 1000, em 2015, e as prata e ouro destes Mundiais. O único outro título mundial luso foi conquistado pela dupla Emanuel Silva/João Ribeiro, em K2 500, em 2013.

Ontem, a prova correu na perfeição a Pimenta. "Quando entrei nos últimos cem metros, senti que ia ganhar. Tinha muita energia hoje. Senti que o alemão já não ia responder. É um momento inexplicável. Quero agradecer a todos os que me têm apoiado, nos bons e maus momentos. E ao meu treinador (Hélio Lucas), com um trabalho sólido no qual acredito", contou.

O melhor canoísta português completou, assim, da melhor forma um primeiro ano "notável" neste novo ciclo olímpico rumo a Tóquio 2020, mostrando ter ultrapassado da melhor forma a desilusão do 5.º lugar nos Jogos do Rio 2016. Nesta época, Pimenta amealhou vitórias na Taça do Mundo, nos Europeus e, por fim, nos Mundiais.

"Agora é impossível fazer melhor", adverte, lembrando que este título é fruto de "muitos anos e horas de trabalho, muitas lágrimas e suor, muitos momentos de sofrimento solitário, muitas vezes resguardado, só, no quarto, a pensar no que correu menos bem e a tentar manter a calma, sem atirar a toalha ao chão". Foi essa determinação que fez mais um campeão do mundo português e que Pimenta não abandonará até aos Jogos de Tóquio, o único destino que lhe falta cumprir.

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