239 milésimos impediram a felicidade completa de Pimenta

Fernando Pimenta sagrou-se vice-campeão do mundo de K1 1000, na melhor performance individual de sempre para um português, mas viu o ouro fugir nos metros finais

O que dizer de quem acaba de conseguir a melhor performance individual de sempre de um atleta português no campeonato do mundo da sua especialidade, sagrando-se vice-campeão, e ainda assim não consegue festejar sem uma ponta de angústia por não ter ficado em primeiro? Fernando Pimenta é assim, um eterno insatisfeito à caça de objetivos. E é isso que tem alimentado uma carreira ímpar na canoagem portuguesa.

Ontem, em Racice, na República Checa, o canoísta limiano somou mais um feito para um palmarés riquíssimo que contempla já 69 medalhas em competições internacionais desde que começou a dedicar-se à canoagem, com 12 anos. Pimenta superou a melhor atuação de uma embarcação individual lusa na história dos mundiais - que ele próprio já igualara em 2015, quando chegou à medalha de bronze, repetindo o feito do pioneiro José Garcia [ver quadro de medalhas] - e subiu desta vez mais um degrau na hierarquia mundial do K1 1000 metros, ao terminar em segundo.

No entanto, aqueles meros 239 milésimos de segundo que o separaram do ouro, "arrancado" pelo alemão Tom Liebscher mesmo nos metros finais, eram uma espinha difícil de engolir para quem passou toda a prova na frente e esteve tão perto de ganhar. E por isso Pimenta não evitou algumas lágrimas de tristeza no final. Não tão amargas quanto as que soltou após a final olímpica do Rio 2016, quando ficou fora do pódio (5.º), mas elucidativas: Fernando Pimenta aponta ao topo e não se contenta com menos.

"Não tinha a noção do resto, estava focado na minha prova. Só a partir dos 500 metros vi que estava alguém ao meu lado, o checo [Jozef Dostal, vice-campeão olímpico]. Tentei acelerar para tentar forçar, pois sabia que ele podia ser mais rápido no fim. Nos metros finais tentei dar o máximo e não desequilibrar, pois as forças já não eram muitas. Infelizmente não me apercebi do atleta alemão...", lamentou o canoísta de Ponte de Lima, que juntou assim, só este ano, a medalha de prata no mundial ao título europeu que já tinha revalidado (também em K1 1000) e à vitória na Taça do Mundo em Montemor-o-Velho.

"É um misto de sentimentos", admitiu. "É a alegria da medalha, de ser vice-campeão do mundo. E a angústia de não ter conseguido ser campeão do mundo. Fiquei a 239 milésimas da medalha de ouro. Só tenho de estar de consciência tranquila. Tenho a certeza de que eu e o meu treinador fizemos o possível para um bom resultado", disse, ainda ofegante, no final da prova.

Mais a frio, valorizou a dimensão da proeza alcançada. "O objetivo era tentar igualar o feito de 2015, no apuramento olímpico, com medalha de bronze. Felizmente conseguimos melhorar esse resultado. Acho que é muito bom", avaliou.

Exultante estava o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Vítor Félix, destacando esta medalha de prata de Fernando Pimenta como "um dos grandes feitos da modalidade" - foi a sétima medalha lusa em mundiais, onde Portugal tem como melhor performance o ouro do K2 500 de Emanuel Silva e João Ribeiro em 2013. Sobre as lágrimas de tristeza de Pimenta no fim da prova, Vítor Félix compreende-as: "Claro que ele é muito ambicioso e queria o lugar mais alto do pódio, mas a federação está satisfeita com este resultado".

Fernando Pimenta volta já hoje às águas de Racice para nova tentativa, quando disputar a final direta de K1 5000 (às 14.40 portuguesas). Mas além dele, também Teresa Portela estará na final A de K1 200 (9.46), depois de ontem ter estado também na final A de K1 500, onde foi sétima. Os K4 500 masculino e feminino ficaram fora das finais A e disputam hoje as finais de consolação.

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